Tática de Ancelotti fez zagueiro superar marca de Dunga que durava 32 anos
BARCELONA, ESPANHA (UOL/FOLHAPRESS) - Um pedido de Carlo Ancelotti no intervalo do duelo contra o Japão fez o Brasil ter um novo recordista na história das Copas do Mundo.
O zagueiro Gabriel Magalhães acertou 130 passes nos 90 minutos da vitória por 2 a 1, em Houston, na segunda-feira (29). A marca iguala a de Dunga, na decisão da Copa do Mundo de 1994 o feito do capitão do tetra, contudo, aconteceu em 120 minutos de bola rolando, já que aquela final teve prorrogação.
Agora, os dois dividem o recorde de mais passes certos por um jogador brasileiro, com o zagueiro levando vantagem por ter jogado menos tempo. Os dados são da plataforma Sofascore e levam em conta todas as Copas do Mundo desde 1966, quando a Fifa passou a ter registros de todas as partidas.
A marca de Magalhães é mais que apenas um número: ela é o retrato da mudança de estratégia que ajudou a seleção brasileira a virar o jogo diante dos japoneses. Uma história que começou no vestiário do estádio de Houston, durante o confronto da segunda fase da Copa do Mundo.
A CONVERSA QUE LEVOU AO RECORDE
Depois de um primeiro tempo complicado para a seleção, Carlo Ancelotti começou a falar com os jogadores no intervalo pedindo calma: o treinador italiano disse que tinha um plano para tentar virar o jogo, que era vencido pelos asiáticos por 1 a 0 após 45 minutos. Aquele resultado eliminava a seleção brasileira.
A ideia do técnico era povoar a área adversária e tentar furar as duas linhas defensivas japonesas (uma de cinco, outra de quatro homens) com bolas pelo alto. Foram 28 cruzamentos durante toda a segunda etapa 40 no total do jogo.
O que poderia parecer desespero era, na verdade, estratégia. "Mudamos o plano no intervalo, para fazer mais cruzamentos na área e começou a dar certo", disse o treinador na entrevista coletiva pós-jogo.
Como o Brasil tinha uma ampla vantagem na posse de bola, e os últimos metros do ataque estavam congestionados, Ancelotti mandou o time avançar metros: quando o time tinha a bola, os meio-campistas entravam na área. Já os zagueiros passaram a atuar na intermediária de ataque, distribuindo a bola e tentando cruzamentos na área.
Foi num desses cruzamentos que saiu o primeiro gol: Gabriel Magalhães colocou a bola na área e Casemiro, o mais adiantado dos brasileiros, tocou de cabeça na segunda trave.
A igualdade no placar transformou a partida em um exercício de paciência. E aí, com os zagueiros adiantados, Magalhães e Marquinhos ajudaram o time a circular a bola de uma lateral para outra, tentando achar espaços.
Além do zagueiro do Arsenal com seus 130 passes, o defensor do PSG também entrou na lista de melhores passadores do Brasil em Mundiais: foram 108, quarta colocação no ranking histórico.
SUBINDO NO RANKING
O jogo contra o Japão colocou os dois zagueiros brasileiros entre os jogadores com mais passes certos dentre todas as seleções da Copa do Mundo.
Gabriel Magalhães chegou a 398, com uma média de 99,5 por partida, sendo o quinto na classificação. Marquinhos, com 87 passes certos por partida, é o 11º colocado no ranking, liderado pelo meio-campista espanhol Rodri (109,33).
Vencedor da Bola de Ouro em 2024 e considerado o cérebro da seleção espanhola, Rodri não conseguiu superar em nenhuma partida a marca de passes certos de Gabriel contra os japoneses: em seu jogo com maior número, o volante do Manchester City chegou a 116.