Senadora diz a Mbappé que 'não se meta com paraguaios' e relembra prisão de Ronaldinho Gaúcho
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A senadora paraguaia Celeste Amarilla, que fez ataques racistas a Mbappé, disse nesta terça (7) para o jogador francês ter "cuidado" porque até Ronaldinho Gaúcho já foi preso em território paraguaio.
"Leia minha carta. Se sabe ler, leia minha carta. Não se meta com os paraguaios. Aqui já prendemos Ronaldinho Gaúcho. Não me subestime", afirmou ela em entrevista.
Logo após a partida entre França e Paraguai, a senadora atacou a aparência e a origem camaronesa do camisa 10 francês e associou a formação de Mbappé a chimpanzés.
A parlamentar do Partido Liberal Radical Autêntico ainda sugeriu que o goleiro paraguaio Orlando Gill deveria ter mostrado o dedo do meio ao astro dos Bleus na partida, em vez de cumprimentá-lo. "Eu faço isso no Senado e nada acontece", escreveu em uma das mensagens.
Mbappé respondeu no X que a senadora é "indigna do cargo que ocupa". Também a chamou de desprezível. "Jamais permitirei que pessoas como ela tenham a liberdade de espalhar seu ódio e racismo pelo mundo", declarou ela.
Ronaldinho, também um homem negro, ficou detido no Paraguai por quase seis meses em 2020. Ele ficou 32 dias numa cadeia em Assunção e o resto do tempo em prisão domiciliar, em um hotel de Assunção. O ex-jogador e seu irmão Roberto de Assis haviam tentado entrar no país com passaportes e cédulas de identidade falsos.
A soltura dos brasileiros foi decidida em agosto do mesmo ano em uma audiência no Palácio da Justiça, em Assunção. O juiz penal de garantias Gustavo Amarilla Arnica concordou com condições previamente acordadas entre a defesa dos irmãos e o Ministério Público paraguaio.
O Ministério Público do Paraguai entendeu que os brasileiros cometeram um crime ao entrarem no país com documentos adulterados, mas optou por pedir à Justiça uma suspensão condicional do processo e não apresentar novas denúncias contra eles.
Amarilla quer que Mbappé se desculpe por, de acordo com ela, ter cometido "violência de gênero contra uma mulher". Ela escreveu isso também numa carta aberta ao jogador, divulgada na segunda (6).
"Violência de gênero. Violência política contra mulher. Isso é grave. Isso, sim, é grave. Que me peça desculpas", disse Amarilla em entrevista a jornalistas nesta terça.