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Semifinais da Copa reúnem quatro campeãs e duas rivalidades históricas

por Folhapress
Publicado em 13/07/2026 às 12:26
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BARCELONA, ESPANHA (UOL/FOLHAPRESS) - A Copa do Mundo não é lugar para grandes surpresas, mas as semifinais costumam ter lugar para pelo menos uma seleção inesperada. Foi assim em 2022, com Marrocos; em 2018, com a Croácia e a Bélgica, para citar edições mais recentes. Em 1994, Bulgária e Suécia ficaram entre as quatro primeiras, enquanto em 2002, as intrusas foram Turquia e Coreia do Sul.

Em 2026, a história mudou. Na Copa do mais seleções da história —e, portanto, com mais candidatas a surpreender— deu a lógica: quatro campeãs mundiais e as quatro primeiras colocadas no ranking da FIFA.

França, Espanha, Inglaterra e Argentina eram colocadas nas listas de favoritas desde antes da bola rolar. As quatro favoritas disputarão as duas vagas na final em duelos marcados por rivalidades intensas, ainda que de origens muito diferentes.

De um lado, França e Espanha protagonizam a rivalidade que mais cresceu no futebol europeu na última década. Do outro, Argentina e Inglaterra escrevem mais um capítulo de um dos confrontos mais carregados de significados da história das Copas do Mundo.

É um cenário raro. Apenas em 1970 e 1990 as semifinais tinham sido formadas somente por campeões. No primeiro Mundial do México, o Brasil venceu a Itália na final, com a Alemanha em terceiro e o Uruguai em quarto; vinte anos depois, a Alemanha foi tricampeã, com a Argentina vice, a Itália em terceiro e a Inglaterra em quarto lugar.

RIVALIDADES DIFERENTES

França e Espanha compartilham uma longa fronteira, disputam o mercado mundial de vinhos e brigam pelo título de melhor croissant do mundo, mas a rivalidade entre as duas seleções não nasceu de disputas nacionais ou supra-esportivas. Ela foi construída dentro de campo.

O site da federação espanhola publicou nesta segunda-feira um compilado de enfrentamentos entre as duas equipes, desde a goleada da Espanha por 4 a 0, em Bordeaux, em 1922. O título do texto: "Espanha x França: uma rivalidade eterna".

É verdade que durante boa parte do século 20, as duas seleções foram cultivando uma rivalidade local, mas a primeira decisão entre ambas aconteceu em 1984, na final da Eurocopa. A França venceu por 2 a 0, com gols de Michel Platini e Bruno Bellone, no Parque dos Príncipes.

O único encontro em Copas do Mundo até nesta segunda-feira (13) aconteceu nas oitavas de final de 2006. Depois de uma primeira fase ruim, a França chegava cheia de dúvidas para enfrentar uma Espanha que havia vencido os três jogos da fase de grupos. Em grande exibição de Zidane, os franceses venceram por 3 a 1.

Depois disso, a Espanha tornou-se campeã europeia em 2008 e 2012, venceu a Copa de 2010, e a França conquistou o Mundial de 2018. Nos últimos anos, ambas assumiram o papel de grandes protagonistas do futebol europeu, antes nas mãos de Itália e Alemanha. Nos últimos anos, os duelos passaram a ser maiores e mais frequentes.

A França venceu a Liga das Nações de 2021 sobre os espanhóis. A Espanha deu o troco na semifinal da Eurocopa de 2024, eliminando os franceses antes de conquistar o título continental. As categorias de base também passaram a se enfrentar constantemente em finais europeias, e a final de Paris-2024, entre os times sub-23, também virou um clássico: 5 a 3 para a Espanha na prorrogação.

Por falar em clássico, a semifinal da Liga das Nações de 2025 é outro jogo memorável: a Espanha chegou a abrir 4 a 0, mas sofreu para vencer no fim por 5 a 4.

Os estilos também ajudam a alimentar o debate. De um lado, a Espanha preserva muitos dos princípios herdados de Johan Cruyff e do Barcelona: controle da bola, circulação paciente e ocupação racional dos espaços. Do outro, a França desenvolveu um futebol mais físico, vertical e explosivo, capaz de transformar velocidade e potência em vantagem competitiva.

Agora, mais do que uma vaga na final, está em jogo o posto simbólico de principal potência do futebol europeu.

Se França e Espanha vivem uma rivalidade construída pela excelência esportiva recente, Argentina e Inglaterra carregam uma história que atravessa gerações. Poucos confrontos de seleções acumulam tantos episódios marcantes em Copas do Mundo.

A primeira grande polêmica aconteceu em 1966: o capitão argentino Antonio Rattín foi expulso nas quartas de final, em Wembley, em duelo conhecido como "o roubo do século" na Argentina. Antes de ir para os vestiários, ele sentou num tapete vermelho reservado para a Rainha, amassou uma bandeira da Inglaterra e foi alvo de objetos lançados pelos torcedores ingleses. A confusão motivou a Fifa a criar os cartões amarelo e vermelho.

Vinte anos depois, em 1986, veio talvez o jogo mais famoso da história das Copas. Com a memória ainda recente da Guerra das Malvinas, os dois países voltaram a se encontrar nas quartas de final. E Diego Maradona marcou dois dos gols mais célebres da história: primeiro, com a "Mão de Deus"; depois, driblando toda a defesa inglesa para fazer o "Gol do Século".

As duas seleções se reencontraram nas oitavas de final de 1998, e novamente com polêmica. David Beckham foi expulso após reagir a uma provocação de Diego Simeone, e a Argentina avançou nos pênaltis. Quatro anos depois, Beckham se redimiu ao marcar, de pênalti, o gol da vitória inglesa na fase de grupos da Copa de 2002 —a Argentina acabou fora da fase de mata-mata daquele Mundial.

Cada novo encontro reabre questões que ultrapassam o futebol. As provocações entre torcedores, as comparações entre ídolos e a memória da Guerra das Malvinas mantêm viva uma rivalidade que dificilmente encontra paralelo entre seleções nacionais.

Uma possível escalada nas tensões pré-jogo preocupa o técnico Lionel Scaloni. Em entrevista após a vitória por 3 a 1 diante da Suíça, ele foi perguntado sobre o clima para o jogo. "É apenas uma partida de futebol. Queria deixar isso claro: é uma partida de futebol", afirmou, tentando acalmar os ânimos de um país que vive intensamente o futebol e, ainda mais, a rivalidade com os ingleses.

As semifinais de 2026 reúnem, portanto, dois tipos muito diferentes de clássico.

França e Espanha representam a disputa contemporânea pela liderança técnica do futebol europeu. Argentina e Inglaterra carregam décadas de confrontos que misturam futebol, identidade nacional e memória histórica.

Os duelos entre os quatro melhores colocados do ranking da Fifa começam na terça-feira, com França x Espanha, às 21h (horário de Brasília), em Dallas; na quarta-feira, também às 21h, em Atlanta, jogam Inglaterra x Argentina.

A grande final está marcada para o próximo domingo, dia 19 de julho, às 21h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.