Seleção transforma dúvida em confiança de que o hexa é possível
NOVA JERSEY, EUA (UOL/FOLHAPRESS) - A classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo transformou o ambiente da seleção brasileira. Se antes da competição o sentimento era de desconfiança por conta dos vários problemas durante o ciclo, o momento agora é de otimismo e de que é possível ser campeão mundial.
O principal fator dessa mudança de comportamento é o técnico Carlo Ancelotti. Contra o Japão, o grupo sentiu a pressão por ter sofrido o gol e temeu ser eliminado na segunda fase, o que seria a pior colocação da seleção brasileira na história da Copa do Mundo.
No intervalo, derrota parcial por 1 a 0, os atletas esperavam encontrar Ancelotti preocupado sobre o desempenho do time e com o risco de eliminação, mas o treinador demonstrou uma calma que surpreendeu quem estava presente.
Sem desespero ou broncas, Ancelotti elogiou os jogadores e disse que o gol sairia naturalmente, mas que era preciso ter confiança e fazer alguns ajustes, como ter mais presença na área para furar o bloqueio japonês.
Com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli, duas apostas que muitos não fariam, Ancelotti ganhou ainda mais respeito dos atletas. Aos 66 anos, o italiano não precisa provar nada a ninguém, mas mesmo assim o resultado lhe trouxe ainda mais credibilidade.
"O Ancelotti é um cara surreal. Não é à toa que ele ganhou tudo que ganhou na vida dele. Ele só deu confiança ali pra gente, falou que a gente ia fazer o gol de empate, ia virar o jogo, não importava qual minuto a gente fizesse o gol, era pra continuar na partida, confiante. E você vê no body language dele o quão tranquilo ele é, e ele passa essa confiança pra gente", disse Gabriel Martinelli à CazeTV.
Durante o ciclo da Copa do Mundo, o Brasil teve 95 jogadores convocados e quatro treinadores. Após a saída de Tite, os brasileiros Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Junior passaram pelo cargo até a chegada do italiano.
Diante deste cenário, a confiança dos jogadores ficou abalada até começar a ser resgatada por Ancelotti. Desde 27 de maio, quando a seleção iniciou os treinamentos para a Copa do Mundo, o assunto 'título' era quase que um tabu para os jogadores nas entrevistas coletivas.
A estreia contra Marrocos, com o frustrante desempenho no empate por 1 a 1, foi um duro golpe no grupo que tinha dúvidas sobre qual seria o nível apresentado pela equipe na Copa do Mundo. Sem mostrar o mesmo abatimento dos atletas, Ancelotti tem contornado o problema pouco a pouco e resgatado a confiança do grupo.
Na véspera da partida contra a Noruega, o tema sobre ser campeão do mundo foi debatido pela primeira vez por um atleta. Um dos destaques da seleção, Matheus Cunha disse que sonha em ser campeão do mundo para poder escrever a sua história no país.
"A responsabilidade do jogador brasileiro é de ganhar a Copa do Mundo. Por toda a história que temos, dos nossos ídolos, não tem como querer ser maior que eles. Não faz nem sentido. Mas queremos fazer a nossa história. Queremos marcar os corações dos brasileiros como os nossos foram marcados. Ninguém aqui se compara a eles, mas queremos atingir os mesmos objetivos que eles. Se for para marcar história com o nosso povo que seja com a sexta estrela, porque foi assim que a nossa foi marcada", disse Matheus Cunha.
Para marcar história, Matheus Cunha e a seleção brasileira precisam passar pela Noruega neste domingo, às 17h (horário de Brasília), em Nova Jersey. O vencedor avança para as quartas de final e enfrentará o vencedor do confronto entre Inglaterra ou México.