Seleção do 'nonno' Ancelotti celebra isolamento com pingue-pongue e truco
NOVA JERSEY, EUA (UOL/FOLHAPRESS) - A três dias da estreia contra Marrocos, pela Copa do Mundo, a seleção brasileira vive uma rotina que poderia ser marcada pela ansiedade. Afinal, o Brasil tenta encerrar um jejum de 24 anos sem conquistar o torneio, sequência que, caso o título não venha em 2026, se transformará na maior da história da equipe em Mundiais. Mas quem acompanha o dia a dia da delegação encontra um cenário bem diferente: sorrisos constantes, brincadeiras, provocações e um ambiente construído para manter a pressão longe dos jogadores. Pelo menos até o primeiro resultado negativo.
Isolado na concentração, o grupo não tem contato presencial com familiares, empresários ou amigos. Os atletas seguem horários para acordar, fazer refeições, participar de reuniões e treinar. Há ainda quem precise cumprir sessões de fisioterapia e recuperação física. Nas horas vagas, porém, a comissão técnica faz questão de que o ambiente seja o mais leve possível, sempre com a restrição de ninguém poder deixar a concentração, apenas nos dias de folga pré-combinados.
O celular continua presente, especialmente entre os mais jovens, mas existe uma preocupação interna em evitar o excesso de contato com o mundo exterior. A ideia é impedir que críticas, análises ou cobranças contaminem o ambiente da equipe às vésperas da estreia marcada para sábado (13), contra Marrocos.
Para isso, não faltam opções de entretenimento dentro do hotel. Uma das disputas mais acirradas acontece nas mesas de pingue pongue. O atacante Raphinha não tem dúvidas quando o assunto surge entre os companheiros. Segundo ele próprio, o campeão do torneio interno tem nome e sobrenome: ele mesmo.
O truco também ocupa boa parte das folgas. Para alguns jogadores, a rivalidade vem de longa data. Há atletas que disputam campeonatos com familiares e amigos desde os tempos das categorias de base e carregaram a tradição para dentro da seleção.
Outro ponto de encontro é a chamada lan house montada no hotel. Ali, grupos se reúnem para partidas de jogos de tiro em primeira pessoa. Entre os frequentadores mais assíduos estão Neymar, Lucas Paquetá, Endrick, Casemiro, Vinicius Junior, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães.
Entre os mais jovens, Endrick, Rayan e Igor Thiago formam o chamado "fundão" da seleção. Estão quase sempre juntos, aparecem constantemente aos risos pelos corredores e levaram a descontração até mesmo para compromissos oficiais, como entrevistas coletivas, quando sentaram nos lugares dos jornalistas e fizeram perguntas.
Neymar é outro personagem central da resenha. Mesmo sem ser um dos mais jovens do elenco, o camisa 10 mantém o hábito de circular por todos os grupos, fazer piadas e provocar companheiros. Sua liderança acontece de forma natural, muito mais baseada na convivência diária do que em discursos formais.
Há ainda espaço para disputas no simulador de Fórmula 1, outra atração bastante procurada durante os momentos de descanso.
Nem mesmo Carlo Ancelotti fica de fora. O técnico italiano assumiu rapidamente um papel de ser o "nonno da galera", ou em um bom italiano o avô que se diverte com todos, mas que também sabe ser duro quando necessário. Entre uma atividade e outra, ele participa das conversas, conta histórias da carreira, relembra bastidores dos grandes clubes que dirigiu e frequentemente arranca gargalhadas do elenco com suas tiradas, como foi no dia do seu aniversário minutos antes de entrar no meio do corredor para tomar cascudos leves.