Seleção blindada faz publi de remédio de dor de cabeça e caixa de som
RIO E EM NOVA JERSEY, None (UOL/FOLHAPRESS) - A seleção brasileira está blindada e isolada nesta Copa. Enquanto rivais mostram muito nas redes sociais, os bastidores verde-amarelos do Mundial foram trocados por publicidade, que vão de remédio de dor de cabeça a games online.
A reportagem fez um levantamento que considerou apenas as postagens no feed do Instagram do dia da convocação até aqui. Ao todo, 12 dos 26 convocados fizeram ao menos um post publicitário.
VINI JR. LIDERA PUBLIS
Vinícius Júnior lidera o número de propagandas. São dez publis dos mais variados segmentos e com as marcas robustas e conhecidas internacionalmente. Pouco antes da Copa, já havia sido garoto-propaganda de grifes de luxo.
"Apesar de ainda jovem, Vini já está consolidado no maior clube do mundo e na seleção mais importante. Já foi campeão e protagonista de duas Champions, e é uma referência de resiliência e sucesso no esporte para a maioria dos brasileiros. Além disso, não se omite de questões sociais importantes, seja pelo seu posicionamento, seja pelas contribuições para sua comunidade. Tudo isso faz com que o número de marcas interessadas por sua imagem não pare de cresce", afirma Frederico Pena, CEO da Roc Nation Sports Brazil, que faz a gestão de carreira de Vini Jr.
NEYMAR SEGUE EM ALTA AOS 34
Mesmo aos 34 anos, de volta ao Brasil e ainda se recuperando da lesão, Neymar segue em alta no mercado publicitário, ocupando a segunda colocação em propagandas nas redes sociais com sete postagens.
Em um levantamento feito pela empresa de monitoramento Nexus, ele também é o que apresentou o maior crescimento de seguidores nos últimos 30 dias, com mais 4,7 milhões.
"A marca Neymar permanece em alta. Essa capacidade de se manter relevante, independentemente do contexto, é o que o posiciona como um dos maiores ativos do marketing esportivo no mundo. Ele continua sendo uma referência, não apenas pelos feitos esportivos, mas pelo impacto que exerce na cultura e na indústria. Onde tem Neymar tem atenção e novas histórias", diz Ivan Martinho, professor de Marketing da ESPM e Presidente da WSL na América Latina.
RAPHINHA E ENDRICK TAMBÉM ESTÃO NO TOPO
Raphinha, com seis publis, e Endrick, com cinco, são outros no topo, o que demonstra a tendência do mercado em apostar em jogadores de ataque.
Além da dupla, também fizeram publicidades em suas redes Luiz Henrique (3) e Gabriel Martinelli (1) entre os homens de frente.
Fecham a lista os meias Bruno Guimarães (2) e Casemiro (2); os zagueiros Gabriel Magalhães (2), Bremer (1) e Danilo (1); e o goleiro Alisson (2).
No total, atacantes e meio-campistas concentram 83,3% das publicidades dos jogadores da seleção na Copa do Mundo. Goleiros e defensores ficam com os outros 16,7%.
GAMES CRESCEM COM JOGADORES
No recorte das marcas que se aliaram a jogadores da seleção, chama a atenção a dos games, que apontam uma nova tendência de mercado para atletas. Ao todo, são cinco, que possuem uma conexão natural com o público jovem:
Endrick: EA Sports FC (futebol)
Neymar: eFootball (futebol)
Luiz Henrique: Free Fire (sobrevivência)
Raphinha: UFL (futebol)
Vini Jr.: Fortnite (sobrevivência)
AS REGRAS DA FIFA E O "BOM SENSO" DA CBF
Não existe uma cartilha definida pela CBF em relação às publicidades executadas por seus jogadores durante a Copa. O que há é uma orientação baseada no bom senso sobre o conteúdo.
O bom senso envolve não postar nada polemico, ser mais discreto e fazer postagens mais focadas no trabalho e no foco no Mundial. Na gestão Ancelotti, a seleção trata os jogadores como adultos profissionais.
A Fifa, porém, impõe um rigor maior. É proibido usar marca e logotipo da Copa do Mundo para fazer publicidade de empresas que não são patrocinadoras oficiais do torneio. Também é expressamente proibido realizar publis dentro do ambiente Fifa.