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Scaloni completa cem jogos pela seleção

por Folhapress
Publicado em 03/07/2026 às 12:32
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Quando a atual campeã entrar em campo nesta sexta-feira (3) (3) para enfrentar Cabo Verde pela segunda fase da Copa do Mundo, o técnico Lionel Scaloni completará 100 jogos no comando da seleção argentina.

Para além do número simbólico, a marca o aproxima de Guillermo Stábile, o treinador com mais partidas (124) pela Argentina, e significa, na prática, a continuidade de trabalho que nenhum outro treinador conseguiu no país desde os anos 1980.

Todos os que comandaram a seleção no período não tiveram mais que um ciclo de Mundial. Scaloni foi o primeiro nos últimos 36 anos, e o que lhe deu tanto crédito foi, sobretudo, sua trajetória vitoriosa: o técnico conquistou quatro de cinco campeonatos disputados, sendo um deles a terceira Copa do Mundo do país.

Aliás, os últimos que tiveram ao menos sete anos seguidos pela albiceleste foram Menotti e Bilardo, justamente os outros dois campeões mundiais (em 1978 e 1986).

Se antes Scaloni dizia pensar em sua despedida, e a Copa de 2026 seria a última - ao menos nesta passagem -, as notícias dos jornais argentinos são de que a AFA renovará seu contrato até 2031, chegando ao terceiro Mundial consecutivo.

Sua liderança calma, a ótima relação construída com um grupo sólido, sobretudo com Messi, e os títulos alçaram o comandante a uma posição de confiança e prestígio que, como técnicos, nomes como Maradona, Bielsa, Basile e Sampaoli não estiveram perto de conseguir.

Ainda que não tenha uma resposta bem definida, a pergunta sobre Lionel Scaloni ser o maior treinador da história da seleção argentina não soa mais como descabida. Stábile, Menotti e Bilardo são os grandes nomes históricos para essa disputa, mas certamente o atual campeão mundial já possui argumentos para sentar-se à mesa com o trio.

OS FEITOS DE SCALONI

Para além da marca dos 100 jogos, o retrospecto da chamada "Scaloneta" também impressiona: foram 72 vitórias, 18 empates e só nove derrotas em 99 partidas, com 206 gols marcados e 50 sofridos. O aproveitamento aproximado do treinador é de cerca de 79%.

A equipe é a atual campeã mundial, da Finalíssima e bicampeã sul-americana. Além da relevância das taças, cabe lembrar, a conquista da Copa América de 2021, primeira do treinador, marcou o fim de um jejum de 28 anos na seleção azul e branca, que esteve perto de encerrar após três finais seguidas na década passada, mas só alongou a amarga espera dos argentinos.

Outro feito da seleção de Scaloni foi atingir a maior série invicta da história da Argentina - e a segunda entre todas as seleções -, de 36 jogos entre 2019 e 2024, com 25 vitórias e 11 empates. Até nesta sexta-feira (3), a maior invencibilidade é da Itália, com 37 partidas entre 2018 e 2021.

Com os 100 jogos que terá diante de Cabo Verde, Scaloni ficará perto de outra marca: ele estará a apenas 24 de Guillermo Stábile, ex-jogador e treinador com mais partidas pela albiceleste, que a comandou 124 vezes entre 1939 e 1958 e uma segunda passagem em 1960.

BOM DE GRUPO E PRÓXIMO DE MESSI

Outro pilar do trabalho de Lionel Scaloni com a Argentina é a ótima relação com os jogadores e o bom ambiente que criou com um grupo sólido, cuja base está mantida desde o ciclo da Copa de 2022.

Cuidadoso ao escolher uma forma distinta para interagir com os jogadores a partir das personalidades de cada um deles, como já descreveu De Paul em entrevista recente, Scaloni construiu um relacionamento de proximidade com seu elenco. Sobretudo com Messi, sua principal liderança entre os atletas.

Ciente de que o sucesso da Argentina passa pelos pés de Messi, como mostrou a fase de grupos em 2026, e portanto também seu próprio sucesso como técnico, Scaloni trata o camisa 10 com atenção especial e mostra isso nas entrevistas.

"Ele encontrou naturalidade. Sabe que tem ao lado um grupo de amigos, de gente que vai dar o máximo por ele, que o veem como se fosse um Deus e também como se fosse um menino de bairro", comentou Scaloni durante entrevista.

Após o jogo contra a Jordânia, no qual o poupado Messi começou no banco de reservas, entrou no segundo tempo e marcou um gol de falta, o treinador elogiou a postura do capitão por pensar nos companheiros e não exigir ficar os 90 minutos em campo: "Ele não pensa nos números como as pessoas tanto falam."

Perguntado sobre que orientações deu a Messi quando o chamou para entrar em campo, o técnico brincou: "Eu dou instruções ao Messi? Você está mesmo me perguntando isso? O que eu deveria ensinar a ele?"

OS TÉCNICOS COM MAIS JOGOS PELA ARGENTINA E SEUS TÍTULOS

Guillermo Stábile - 124 jogos e 7 títulos (6 Copas Américas e 1 Campeonato Pan-Americano)

Lionel Scaloni - 99 jogos e 4 títulos (1 Copa do Mundo, 2 Copas Américas e 1 Finalíssima)

César Luis Menotti - 79 jogos e 2 títulos (1 Copa do Mundo e 1 Torneio Internacional de Toulon)

Carlos Bilardo - 79 jogos e 1 título (Copa do Mundo)

Alfio Basile - 76 jogos e 4 títulos (2 Copas Américas, 1 Copa Rei Fahd e 1 Copa Artemio Franchi)