Revolução da bola parada chega à Copa, mas não decide na seleção brasileira
RIO DE JANEIRO, RJ, E BARCELONA, ESPANHA (UOL/FOLHAPRESS) - O Arsenal, do zagueiro Gabriel Magalhães, ganhou a Premier League consagrando os escanteios com bloqueios nos adversários.
As cobranças de arremessos laterais na pequena área viraram rotina em clubes como Brentford, do atacante Igor Thiago.
Até as saídas de bola do meio-campo entraram nos cadernos de estratégia dos treinadores, como faz o PSG, do zagueiro Marquinhos.
A temporada 2025-26 do futebol europeu foi marcada por uma revolução nas jogadas de bola parada. E, claro, a tendência chegou à Copa do Mundo. Mas a seleção brasileira ainda sofre para entender como usá-la.
Tanto na estreia contra Marrocos quanto nos amistosos mais recentes, o time de Carlo Ancelotti não conseguiu transformar escanteios, faltas e cobranças de lateral em ameaças reais aos adversários a exceção aconteceu em novembro passado, na vitória por 2 a 0 contra Senegal, quando Casemiro marcou após um cruzamento vindo de uma falta na intermediária.
O gol marcado pelo volante, no Emirates Stadium, em Londres, é o único originado de uma jogada de bola parada desde que o italiano assumiu o cargo.
SINAIS NA COPA
Os primeiros dias do Mundial na América do Norte já mostraram exemplos de quem tem usado bem as estratégias de bola parada.
A Tchéquia marcou seu único gol na derrota por 2 a 1 para Coreia do Sul com uma assistência dada pelas mãos do lateral Vladimir Coufal, em um arremesso lateral dentro da pequena área; o empate quase veio em jogada semelhante, em outro "latereio".
Alemanha, Bósnia, Japão e Arábia Saudita balançaram as redes em jogadas de escanteio seja em desvio direto, ou em rebotes.
No segundo gol alemão na goleada por 7 a 1 contra Curaçau, Nico Schlotterbeck movimentou-se em direção à primeira trave, enquanto os colegas bloquearam deslocamentos dos adversários na cobrança de escanteio.
A Bósnia também marcou em jogada de escanteio no empate por 1 a 1 com o Canadá: a bola foi tocada de cabeça na primeira trave por Sead Kolasinac, e Jovo Lukic empurrou para as redes.
Contra a seleção brasileira, Marrocos começou o jogo com um lançamento do círculo central direto para o campo ofensivo, forçando a seleção brasileira a fazer uma reposição de bola no campo de defesa, contra uma marcação sob pressão. A tática ficou famosa no PSG, campeão da Champions League com Luis Enrique. Embora não seja uma jogada de gol, é mais uma tendência de movimento ensaiado que dá as caras no Mundial.
NÃO É FALTA DE TREINO
Se os gols ainda não apareceram, não é por falta de trabalho. Desde a chegada de Carlo Ancelotti, as bolas paradas ganharam atenção especial nos treinamentos da seleção brasileira.
O auxiliar Francesco Mauri, responsável pelo setor, coordena sessões específicas para escanteios, faltas e laterais ofensivos. Em um dos treinamentos realizados durante a preparação para a Copa do Mundo, os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães chegaram a utilizar pulseiras com anotações das jogadas ensaiadas, em um sistema inspirado nos quarterbacks da NFL.
A ideia é facilitar a comunicação e a execução dos movimentos desenhados pela comissão técnica. Mauri costuma resumir os princípios das bolas paradas em três palavras que começam com a letra D: delivery (a batida), desire (a agressividade para atacar a bola) e details (os detalhes de movimentação e posicionamento).
Até aqui, porém, a teoria ainda não se transformou em resultados consistentes dentro de campo. O melhor exemplo da era Ancelotti continua sendo o gol marcado por Casemiro contra Senegal, em novembro, após uma jogada ensaiada em cobrança de falta.
Desde então, a seleção segue procurando transformar o treino em gols justamente em uma Copa do Mundo que já começa mostrando o quanto as bolas paradas podem fazer diferença.
Uma das esperanças para melhorar o aproveitamento pode ser Neymar. Ainda se recuperando de uma lesão na panturrilha direita, ele era o responsável pela cobrança de faltas e escanteios.
Ainda na "era Fernando Diniz", em 2023, o camisa 10 deu assistências para gols em jogadas de escanteio na vitória por 1 a 0 contra o Peru quando Marquinhos marcou- e no empate por 1 a 1 com a Venezuela, em gol de Gabriel Magalhães.