Remanescentes de badalada geração belga desafiam Espanha renovada nas quartas da Copa
RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - O terceiro lugar conquistado pela Bélgica na Copa do Mundo de 2018 parecia o início de um ciclo capaz de levar a seleção ao título mundial. Quatro anos depois, porém, a equipe caiu ainda na fase de grupos do Qatar. Ainda assim, a seleção deposita suas esperanças nos principais nomes daquela geração para seguir viva neste Mundial.
Thibaut Courtois, Kevin De Bruyne e o capitão Youri Tielemans lideram a Bélgica diante da Espanha nesta sexta-feira (10), às 16h (de Brasília), em Los Angeles. Romelu Lukaku e Axel Witsel, dois dos principais nomes da geração que levou o país ao terceiro lugar em 2018, devem começar no banco de reservas.
Do outro lado estará uma seleção que precisou se reinventar após o título conquistado em 2010, pois colecionou campanhas ruins.
Eliminada por Marrocos nas oitavas de final no Qatar 2022, a Espanha iniciou uma reformulação sob o comando de Luis de la Fuente e chega às quartas como a única equipe que ainda não sofreu gols na competição.
As duas seleções passaram por mudanças desde a última Copa, mas em intensidades diferentes.
A Bélgica renovou boa parte do elenco, mas manteve as referências que atuaram em 2014: Courtois, De Bruyne, Witzel e Lukaku Eden Hazard se aposentou.
A Espanha fez uma reformulação mais ampla. Dos jogadores que estiveram no Qatar, apenas sete permanecem na equipe, agora comandada por uma geração que tem Lamine Yamal e Pedri entre os principais nomes.
Os belgas não chegaram às quartas com a mesma tranquilidade do adversário. Empataram com Egito e Irã na fase de grupos, garantiram a classificação após golearem a Nova Zelândia e cresceram no mata-mata. A vitória por 4 a 1 sobre os Estados Unidos nas oitavas foi a atuação mais convincente da equipe até aqui.
Apesar de estar vindo do banco de reservas, Lukaku marcou um dos gols da classificação e segue como um jogador que traz segurança na hora do aperto Charles De Ketelaere, que fez dois contra os EUA, é o titular. De Bruyne não entrou em campo.
Mesmo assim, o meia continua o principal responsável por organizar o ataque, enquanto Courtois voltou a aparecer em momentos importantes para sustentar a equipe quando pressionada. O capitão Tielemans, que está em sua terceira Copa, foi importantíssimo na classificação sobre o Senegal, na fase dos 32.
A Espanha construiu uma campanha diferente. Venceu 4 dos 5 jogos que disputou e eliminou Portugal por 1 a 0 nas oitavas de final sem perder a consistência defensiva que acompanha a equipe desde a estreia.
O recorde alcançado por Unai Simón ajuda a ilustrar esse domínio. O goleiro estabeleceu a maior sequência sem sofrer gols da história das Copas do Mundo, mas o feito diz tanto sobre ele quanto sobre o sistema defensivo montado por Luis de la Fuente.
Em cinco partidas, a Espanha permitiu poucas finalizações certas dos adversários e, na maior parte do tempo, controlou os jogos a partir da posse de bola.
No ataque, porém, ainda não houve um protagonista absoluto. Lamine Yamal segue sendo o jogador que mais desperta expectativa e concentra boa parte das atenções, mas ainda não teve uma atuação que definisse uma partida nesta Copa. O protagonismo acabou dividido entre vários jogadores.
Oyarzabal, por exemplo, é o artilheiro da Espanha, com quatro gols em cinco jogos. Contra Portugal, porém, o herói saiu do banco de reservas: Mikel Merino marcou nos acréscimos e garantiu a classificação às quartas de final.