Remada viking: o que está por trás do ritual da torcida da Noruega na Copa?
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Noruega será a próxima adversária do Brasil na Copa do Mundo e deve levar para o duelo uma das comemorações mais marcantes do torneio: a chamada 'remada viking'.
O QUE ACONTECEU
O gesto virou símbolo da campanha norueguesa. Depois das vitórias, torcedores e jogadores sentam no chão, movem os braços como se estivessem remando um barco e gritam em conjunto. A cena viralizou em estádios, ruas, praças, metrôs, Times Square e até no Parlamento da Noruega.
A comemoração é chamada de 'Viking Row'. Em português, a tradução mais direta seria 'remada viking'. Os torcedores simulam o movimento de remar uma embarcação viking, geralmente ao som, geralmente ao som de um tambor.
O grito usado pela torcida é 'Ro!'. A palavra significa 'remar' em norueguês. Todos remam juntos na mesma direção para empurrar a seleção rumo à vitória.
Apesar da aparência histórica, não se trata de uma tradição antiga. A comemoração usa a imagem dos vikings, muito associada à Noruega e à Escandinávia, mas é uma criação moderna de arquibancada.
A remada ganhou força na Copa de 2026. A Noruega voltou ao Mundial após 28 anos de ausência e viu a festa se transformar em uma marca da campanha de Haaland, Odegaard e companhia.
O ritual cresceu ainda mais quando os jogadores aderiram. Após a vitória por 3 a 2 sobre Senegal, que colocou a Noruega no mata-mata, o elenco sentou no gramado e fez a remada junto com os torcedores. Martin Odegaard ajudou a conduzir o ritmo, e Erling Haaland também participou.
COMO FUNCIONA E QUEM CRIOU A REMADA VIKING
A cena é visualmente fácil de entender. Os torcedores sentam lado a lado, muitas vezes em fileiras longas, como se formassem um grande barco. Em seguida, inclinam o corpo para frente, puxam os braços para trás e repetem o gesto de remar.
O movimento costuma começar mais lento e ganhar força conforme o tambor acelera. Quanto mais gente participa, maior é o efeito visual, como se a arquibancada parece se mover como uma única embarcação.
A comemoração é atribuída ao torcedor norueguês Ole Frøoystad, conhecido como 'Mr. Row Row'. Ele levou a ideia a líderes de torcida da Noruega depois de passar semanas pensando em cânticos para marcar o retorno do país à Copa.
Frøystad queria algo curto, fácil de repetir, forte visualmente e ligado à cultura do país. A inspiração veio de duas referências. Um canto do Rosenborg, clube tradicional da Noruega, e a 'Palma do Viking', comemoração que ficou famosa com a torcida da Islândia na Eurocopa de 2016.
A diferença é que, no caso norueguês, as palmas deram lugar ao movimento de remar. Para Frøystad, a associação fazia sentido porque os vikings usavam embarcações movidas por remos e velas em suas expedições.
POR QUE A NORUEGA COMEMORA REMANDO?
A explicação tem três camadas. A primeira é cultural. A imagem do barco viking é um dos símbolos mais reconhecíveis da história escandinava. Ao simular remadas, a torcida transforma essa referência em um gesto de arquibancada.
A segunda é esportiva. A Noruega passou quase três décadas fora de Copas do Mundo. A última participação havia sido em 1998. Por isso, a seleção chegou ao torneio com grandes jogadores, como Haaland e Odegaard, mas sem uma tradição recente de torcida em Mundiais. A remada preencheu esse espaço.
A terceira é emocional. A comemoração cria a sensação de unidade. Não é apenas um cântico para intimidar o adversário; é uma imagem de esforço coletivo. Todo mundo sentado, remando no mesmo ritmo, como se torcida e seleção estivessem no mesmo barco.
A COMEMORAÇÃO QUASE NÃO PEGOU NO COMEÇO
A remada foi testada antes da Copa, em um amistoso contra a Suíça, mas a primeira reação não foi unanimidade. Houve quem achasse o gesto estranho ou até bobo.
Depois disso, Frøystad e outros torcedores passaram a produzir vídeos ensinando a forma correta de fazer o movimento. A instrução era usar o corpo inteiro, inclinando as costas, para que a remada fosse visível e não apenas audível.
A estratégia funcionou. Antes mesmo do início da Copa, vídeos da comemoração já acumulavam milhões de visualizações nas redes sociais. Durante o Mundial, o gesto explodiu de vez.
POR QUE VIRALIZOU TANTO?
A remada viking tem todos os elementos de uma comemoração viral. É fácil de copiar, tem identidade visual forte, cabe em vídeos curtos e envolve muita gente ao mesmo tempo.
Ela também combina com o momento da Noruega. O país voltou à Copa depois de uma longa espera, tem um dos maiores atacantes do mundo em Haaland e vive uma campanha que mobilizou a torcida. Quando os jogadores passaram a fazer o gesto no gramado, a celebração deixou de ser apenas coisa de arquibancada e virou parte da narrativa da seleção.
Mesmo quem não acompanha a Noruega passou a reconhecer a cena. Torcedores vestidos de vermelho, sentados em fileiras, puxando os braços como se estivessem conduzindo um barco viking.
A remada não é um ritual antigo preservado por gerações. É uma criação recente de torcida que usa uma imagem histórica para construir identidade no futebol.
A ligação com os vikings está no símbolo, não na prática. Os vikings de fato usavam embarcações movidas por remos e velas, mas a comemoração vista nos estádios é uma invenção moderna, feita para o ambiente das arquibancadas e das redes sociais.
O QUE ISSO TEM A VER COM BRASIL X NORUEGA?
A Noruega chega ao duelo contra o Brasil embalada por uma campanha empolgante e uma torcida que ganhou protagonismo próprio na Copa. A seleção avançou no mata-mata depois de vencer a Costa do Marfim por 2 a 1, com gol decisivo de Haaland nos minutos finais.
Agora, a 'remada viking' pode aparecer novamente contra o Brasil. Se a Noruega vencer, a tendência é que jogadores e torcedores repitam a comemoração. Se perder, ainda assim a cena já entrou para a memória desta Copa como uma das festas mais marcantes do torneio.