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Preterido por Ancelotti, Endrick espera chance de mostrar que pode suprir carência ofensiva da seleção

por Folhapress
Publicado em 16/06/2026 às 20:42
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NOVA JERSEY, EUA (FOLHAPRESS) - "É isso, né, pai? Se eu pudesse, eu entrava", desabafou Endrick a Neymar durante o jogo de estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, contra Marrocos, no sábado (13).

O camisa 10 não tinha condições de participar do jogo em East Rutherford, Nova Jersey, ainda em recuperação de lesão na panturrilha direita. O camisa 19, porém, foi mais uma vez preterido por Carlo Ancelotti.

Até o momento, o técnico italiano não deu sinais de que pretende abrir espaço para o jovem de 19 anos no ataque do Brasil.

Isso já aconteceu diante de Marrocos. Apesar da baixa produtividade ofensiva da seleção no primeiro tempo, quando Igor Thiago comandava o setor, Ancelotti optou por Matheus Cunha como alternativa no segundo tempo, sem grande mudança no rendimento da equipe. O jogo terminou em 1 a 1, com o placar construído ainda na etapa inicial.

Endrick, por outro lado, já mostrou capacidade de causar impacto quando tem oportunidade de jogar. Foi assim nos amistosos diante da Croácia, em março, Panamá, em maio, e Egito, em junho.

Mesmo assim, o atacante ainda busca espaço em uma concorrência que, até aqui, tem sido vencida por nomes mais experientes. Desde o início da preparação para a Copa do Mundo, Ancelotti tem mantido a preferência por Igor Thiago e Matheus Cunha como opções para a função de centroavante.

Endrick tenta não transparecer insatisfação com a situação. Pessoas próximas ao atleta dizem que ele espera que as oportunidades no Mundial possam surgir com naturalidade, como diante do Haiti, na próxima sexta-feira (19), pela segunda rodada da fase de grupos. Por se tratar do adversário considerado mais frágil da chave, o técnico da seleção pode rodar o elenco.

Com o italiano, aliás, o camisa 19 já precisou rodar por outros ares para ter mais oportunidades. A relação entre eles vem desde a passagem do treinador pelo Real Madrid. O atacante teve poucas oportunidades sob o comando do italiano na equipe espanhola, mas recebeu elogios públicos e manteve contato com o técnico mesmo após sua saída do clube.

O próprio jogador revelou que conversou com Ancelotti antes da transferência e recebeu do treinador o conselho de buscar sequência para desenvolver seu futebol.

No fim de 2025, em busca de mais minutos em campo e de uma vaga na Copa do Mundo, Endrick acabou emprestado ao Lyon, onde conseguiu ter uma boa sequência, a ponto de o próprio Real Madrid preparar seu retorno ao Bernabéu para a próxima temporada.

Durante o período no Lyon, Endrick acumulou 16 participações diretas em gols em 22 partidas, com oito gols marcados e oito assistências distribuídas.

A evolução do garoto com a camisa do time francês é um dos argumentos frequentemente usados por quem defende que ele mereça mais espaço na seleção.

O ex-atacante Romário, 60, campeão do mundo com a seleção brasileira, defendeu em entrevista à Folha de S. Paulo que o jovem tenha mais espaço no time. O Baixinho faria mudanças na equipe já para a partida contra o Haiti. O agora senador afirmou, ainda, que Endrick e Rayan, outro jovem de 19 anos, são as melhores opções ofensivas que a seleção brasileira tem à disposição no momento.

"Os dois são fazedores de gol. Um é mais forte e o outro é mais técnico, mas os dois sabem fazer gol", afirmou Romário.

Conforme observado por Romário, a discussão em torno de Endrick também passa pelo encaixe tático da seleção. Em um time que tem encontrado dificuldades para acelerar transições ofensivas, o perfil do atacante é visto como uma alternativa para jogos em que o Brasil precise de mais agressividade no campo de ataque.

Isso aconteceu contra Marrocos, quando o Brasil teve apenas 12 finalizações, o pior desempenho ofensivo em estreias nas últimas três Copas do Mundo, segundo análise feita pela Folha de S. Paulo.

No primeiro jogo de 2018, contra a Suíça, foram 21 chutes. Em 2022, contra a Sérvia, 23. Na média dessas duas partidas, o Brasil finalizou quase o dobro do que conseguiu diante dos marroquinos.

É nesse cenário em que Endrick pode se apresentar como uma alternativa para que o Brasil consiga fazer seu ataque deslanchar na sequência da Copa do Mundo. Contra o Haiti, apesar da fragilidade do adversário, será importante construir não apenas uma vitória, como também uma boa margem de gols, pensando em um possível critério de desempate com Marrocos, também favorito a avançar para o mata-mata junto com a seleção brasileira.