Portugal estreia em Houston com favoritismo inédito em Copas, mas sob o dilema CR7
HOUSTON, EUA (FOLHAPRESS) - Em novembro de 2025, Cristiano Ronaldo surpreendeu o mundo ao dar de ombros quando questionado pelo jornalista Piers Morgan sobre suas expectativas de vencer uma Copa do Mundo aos 41 anos.
"Se me perguntar: Cristiano, é um sonho vencer o Mundial?, direi: Não é um sonho. Ganhar um Mundial não vai mudar o meu nome na história. Não vou mentir", respondeu o astro português, que ainda apontou Brasil e Argentina como favoritas à competição.
A fala do jogador acostumado a dizer, sem papas na língua, ser o melhor de toda a história soou como tacada diplomática ou uma tática para aliviar a pressão sobre a geração considerada uma das mais promissoras do país.
Habituada a resultados modestos em Copas -o melhor deles foi a terceira colocação em 1966-, Portugal vê tomar conta do país o sentimento de que esta pode ser a sua melhor campanha.
"Vai dar Portugal", diz o slogan da Federação Portuguesa de Futebol em apoio à seleção. "Portugal é candidato e é um dos favoritos nesta Copa. É o que temos dito aqui. Temos uma geração fantástica de jogadores. Se for disciplinado e coletivo, o título é possível", analisa o jornalista Pascoal Sousa, do jornal A Bola.
"Acredito que Portugal tem talento individual, condições e jogadores de nível para lutar pela final. Não sei se em campo isso se confirmará; o ataque está muito condicionado a Cristiano Ronaldo", afirma o jornalista Diogo Pombo, do jornal Expresso.
Cristiano Ronaldo chega para a sua sexta Copa do Mundo respaldado, mas não imune às críticas.
Se publicamente o técnico espanhol Roberto Martínez dá avisos claros de que o jogador é intocável -só foi reserva uma vez sob seu comando neste ciclo-, por outro há uma ala que desconfia do maior artilheiro da história das seleções, com 143 gols. "Sim, há uma ala anti-Ronaldo e uma pró-Ronaldo em Portugal", diz o jornalista Pedro Cunha, do ZeroZero.
O mau desempenho nos amistosos preparatórios para o Mundial, sob o olhar atento da crítica europeia, colocou o jogador do Al-Nassr na berlinda. "O que se discute não é a presença de Cristiano na seleção, mas que sua titularidade ainda seja indiscutível. Ele já não é o mesmo jogador que era", avalia Diogo Pombo.
Em números, de fato, Cristiano é indiscutível. Maior artilheiro do Real Madrid, com 450 gols, e da Liga dos Campeões, com 140, só sob Roberto Martínez o camisa 7 marcou 25 gols em 32 jogos.
"A equipe já provou em mais de uma ocasião que é capaz de jogar tão bem ou melhor sem Ronaldo do que com ele. Portanto, há coisas que têm de estar em cima da mesa e serem discutidas. Portugal tem uma geração maravilhosa, que tem condições para ser campeã do mundo, e não se pode negociar esse desejo por culpa de Cristiano Ronaldo", diz Cunha.
PORTUGAL x REP. DEM. DO CONGO
Grupo K | 17 de junho, às 14h. Estádio NRG, em Houston, Texas
Na TV: CazéTV