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Por que usar bandeira antiga do Irã na Copa é uma forma de protesto

por Folhapress
Publicado em 16/06/2026 às 17:41
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Em meio ao mar de bandeiras verdes, brancas e vermelhas da torcida iraniana, um símbolo chamou atenção na estreia do Irã na Copa do Mundo de 2026, nesta segunda-feira (15), nos Estados Unidos: o leão diante do sol. Banida do país desde 1979, a antiga bandeira iraniana voltou a aparecer nas arquibancadas, e, para muitos, carrega uma mensagem política clara.

Mas por que uma bandeira excluída há quase meio século continua sendo exibida por iranianos?

O símbolo remonta ao período em que o Irã era conhecido internacionalmente como Pérsia. A imagem do leão diante do sol esteve presente em diferentes versões da bandeira iraniana durante séculos e foi mantida durante a monarquia da dinastia Pahlavi. Após a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi e instaurou a República Islâmica, a bandeira foi substituída pelo emblema atual.

Desde então, a antiga bandeira passou a ser utilizada por setores da oposição ao regime iraniano e por parte da diáspora iraniana ao redor do mundo.

Segundo Monique Sochaczewski, professora de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), a bandeira pré-Revolução Islâmica é frequentemente associada à monarquia e, por isso, seu uso é interpretado como uma manifestação política.

"Normalmente quando você vê uma pessoa com a bandeira que tem o leão, indica que ela é contra o regime. Na realidade, 80% da população iraniana praticamente é contra o regime, mas nem todas se posicionam", afirma Monique.

Para parte dos iranianos, a bandeira representa oposição e rejeição ao governo atual. No entanto, especialistas destacam que o período monárquico também é alvo de críticas relacionadas a violações de direitos humanos, o que faz do símbolo um tema complexo e disputado politicamente.

"A bandeira do Irã secular é representativa de um Irã mais alinhado ao ocidente e não apenas secular. Também símbolo de um governo autoritário e repressivo à oposição. Assim, temos um símbolo que ainda que possa ser visto como de liberdade por alguns, já foi associado a um regime também problemático do ponto de vista de direitos humanos", diz Cristina Pecequilo, doutora em Ciência Política pela USP.

Os protestos ocorreram na Califórnia, nos Estados Unidos, local da estreia do Irã na Copa do Mundo e também onde vive uma das maiores comunidades da diáspora iraniana no mundo. Fora do Irã, esses grupos têm mais liberdade para expressar críticas ao regime e utilizar símbolos considerados oposicionistas.