Pausa para hidratação vem de ideia de Havelange para ampliar publicidade na TV
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quase ninguém gosta das pausas para hidratação. A maioria de jogadores e técnicos da Copa do Mundo de 2026 reprovaram a novidade. Quando elas são anunciadas no estádio, torcedores irrompem em vaias. O assunto virou meme na internet.
Nas redes sociais, começou a circular uma entrevista de 2018 em que Diego Maradona (1960-2020) critica sua adoção no Mundial de 2026, atribuindo-a aos Estados Unidos.
"Os americanos quiseram fazer quatro tempos de 25 minutos para a publicidade", disse o craque argentino. E concluiu, aos risos: "Teríamos que jogar cem minutos."
Parecia uma profecia, mas Maradona provavelmente estava se referindo a planos reais de João Havelange (1916-2016), presidente da Fifa de 1974 a 1998, sobre a Copa de 1994, que realizada nos EUA.
Em 1990, o cartola brasileiro deu uma entrevista ao jornal O Globo e falou sobre mudanças que estavam em discussão para o torneio seguinte.
"Pode-se fazer dois tempos de 25 minutos e, enquanto os times trocam de lado, as televisões e as rádios fazem a apresentação de publicidade", disse Havelange ao jornal. A inspiração era o basquete, esporte popular nos EUA.
A entrevista foi desencavada por Andrey Raychtock, jornalista especializado em solucionar mistérios do mundo do futebol.
"A base das mudanças nas regras é o aspecto financeiro. E aí que surge a televisão, veículo ao qual devemos nos aliar, respeitar e agradecer", disse o então presidente da Fifa em outro trecho.
À época, a proposta de Havelange foi alvo de debates, críticas e contrapropostas inclusive do atual técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, então jogador do Milan, que sugeriu uma mudança para "dois tempos de 30 minutos reais".
Em 1990 já não havia tempo hábil para mudar a regra na Copa do Mundo de 1994. Havelange mirava 1998.
A ideia só entrou em vigor 30 anos depois, em 2026, metamorfoseada em pausa para hidratação, com o objetivo alegado de proteger atletas diante do calor extremo.
Parte das críticas alega que os intervalos interrompem o ritmo da partida.
Outras, como a de Maradona, veem neles uma manobra para dividir o jogo em quatro quartos e dar às emissoras mais oportunidades de exibir anúncios. Exatamente como queria João Havelange.