O japonês que vai torcer para o Brasil no mata-mata da Copa do Mundo
RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Ele nasceu no Japão, mas encontrou identidade no outro lado do mundo. Os laços vieram pelos traços culturais do futebol e samba é torcedor do Vasco e amante, além de integrante da bateria, da Império Serrano, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro. A paixão é tamanha que decidiu levar o país no nome, e Keita Shibuya virou Keita Brasil.
Reforçando o "sobrenome", o músico e jornalista não pensa duas vezes em apontar para qual seleção vai torcer no duelo da Copa do Mundo de 2026, nesta segunda-feira (29) (29), às 14h (de Brasília)..
"Que coisa! Brasil e Japão em uma Copa do Mundo! Podia ser a final, [16 avos] é muito cedo, né? Eu sou japonês e sempre torço para o Japão, mas contra o Brasil... Desde criança, com muita alegria, energia, minha vida é paixão brasileira. Então, sem dúvida, vou torcer para o Brasil", disse Keita à reportagem.
Keita conta que a paixão que os brasileiros têm pelo futebol, e a forma como torcem, foi algo que chamou a atenção desde cedo, e um dos pontos que o fez começar a se relacionar com o país. "Tenho uma camisa bem antiga, da Copa do Mundo da Itália, de 1990. Foi a minha primeira camisa do Brasil. O Vasco eu conheci quando eu tinha uns sete anos, por aí, aqui no Japão, com Roberto Dinamite".
Em 1997, o músico e jornalista, que ainda não falava português, visitou o Rio de Janeiro. Na Marquês de Sapucaí, pôde sentir a energia da folia e adicionar uma nova paixão brasileira: o carnaval.
Tornou-se um aficionado pelo Império Serrano e, desde 2001, integra a bateria da escola, pela qual já desfilou mais de 25 vezes também tocou em agremiações como União da Ilha, Mangueira e Imperatriz Leopoldinense.
Keita, inclusive, fundou, em 2017, um Império Serrano no Japão, levando para o outro lado do mundo um pouco da essência da escola de Madureira.
"Eu amo o samba, as comunidades do samba e já toquei em várias escolas, mas aprendi com muitas pessoas do Império Serrano. Pude encontrar com Arlindo Cruz, Wilson das Neves, Dona Ivone Lara e muitos outros bambas do Império. Além disso, com o Marcos André Carvalho que escreveu diversos livros sobre jongo, uma tradição da Serrinha", afirma.
Nas dezenas de vindas ao país, Keita já passou por diversas cidades e regiões. "Sou músico, repórter e jornalista sobre o Brasil, aqui no Japão. De 1997 até hoje á fui mais de 31 vezes ao Brasil, em vários lugares. Já fiquei em Belém do Pará, trabalhei em Juazeiro, Petrolina, Olinda, Porto Alegre, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, vários lugares".
Keita aponta o experiente lateral Yuto Nagatomo como um jogador da seleção japonesa que gostaria de ver no Vasco. "Está mais experiente, mas ainda está disputando uma Copa do Mundo. Nagatomo faria um churrasco na Barreira (risos)".
Ele torce para que o atacante Rayan, cria do cruz-maltino, tenha mais oportunidades na Copa do Mundo. "Dependo do treinador, mas sei que, se ele jogar, vai brilhar. Sem dúvida".