Noruega é o time com pior posição no ranking Fifa a eliminar o Brasil em Copas
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a vitória por 2 a 1 neste domingo (5), a Noruega se tornou o adversário menos competitivo a eliminar o Brasil de uma Copa do Mundo desde que o ranking da Fifa foi criado, em 1992, considerando as últimas atualizações antes do início de cada torneio. Em junho, a Noruega ocupava a 31ª posição do ranking, e o Brasil, a 6ª --o que representa uma diferença de 25 posições.
Até então, a maior diferença em jogos eliminatórios havia sido na derrota para a França na final de 1998. Na ocasião, o Brasil liderava o ranking, e a França ocupava a 18ª posição.
Embora a Copa de 2026 tenha uma etapa a mais --a fase de 32--, o Brasil não era eliminado nas oitavas de final desde de 1990, quando perdeu para a Argentina por 1 a 0. Nas últimas duas edições, em 2022 e 2018, a eliminação aconteceu nas quartas de final para Croácia e Bélgica, respectivamente.
A melhor campanha da seleção brasileira desde o pentacampeonato (2002) foi a da Copa de 2014, quando perdeu para a Alemanha no traumático 7 a 1 da semifinal. O time europeu, no entanto, ocupava o segundo lugar no ranking da Fifa, à frente do Brasil, que estava em terceiro. Já Holanda, que levou a disputa pelo terceiro lugar contra a seleção, estava 12 posições atrás.
Caminho até aqui
A campanha do Brasil na Copa de 2026 começou com a promessa de estreia difícil contra o Marrocos, adversário que terminou na quarta posição na Copa do Qatar e ocupava o 7º lugar no ranking da Fifa antes do início deste Mundial, só um atrás do Brasil.
Em jogo truncado, a seleção brasileira sofreu para reverter o placar e terminar com um empate, graças ao gol de Vinicius Junior.
A partida foi a que o Brasil mais teve desarmes bem-sucedidos, segundo dados da Opta, plataforma de estatística esportiva, analisados pela Folha. Ao todo, foram 23 tentativas, sendo que em 13 o time brasileiro recuperou a posse de bola e interrompeu o avanço do adversário (aproveitamento de 57%).
A partida também foi marcada por muitas faltas cometidas pela seleção brasileira. Ao todo, foram 16.
A disputa contra o Haiti, segunda da fase de grupos, foi a mais discrepante do Brasil em relação ao seu adversário no ranking da Fifa, com diferença de 77 posições. Este foi o jogo com maior percentual de finalizações certas para a seleção: dos oito chutes, cinco foram na meta (63%).
Até a fase de grupos, a média de aproveitamentos da seleção brasileira em dribles foi a pior entre as seleções participantes. O jogo contra a Escócia --na 42ª posição do ranking da Fifa-- foi o que o Brasil teve melhor aproveitamento. Foram 17 dribles tentados e 11 bem-sucedidos (65%).
No primeiro jogo do mata-mata, o Brasil enfrentou um adversário que já conhecia o estilo brasileiro de jogo: o Japão, 18° no ranking da Fifa. A seleção asiática jogou recuado e fechou a defesa, o que fez com que o time brasileiro trocasse muita bola no meio de campo. A partida foi a que o Brasil mais teve passes trocados, um total de 682. Desses, 625 foram corretos (92%).
Contra a Noruega, o Brasil teve só 34% de posse de bola na partida, a menor marca nesta edição (antes, 46% contra a Escócia). Trocou apenas 329 passes, menos da metade dos 680 dos noruegueses no jogo.
Com o plano de jogo pouco ofensivo, a falta mira no ataque foi decisiva. Os nórdicos chutaram menos, mas chutaram melhor: 9 finalizações, 5 delas no gol, 55% de precisão. A seleção brasileira chutou 14 vezes, acertando só 4 no gol, 28% de precisão. Entre as erradas, estão o pênalti perdido e o chute para fora de Endrick em lance cara a cara com o goleiro Nyland.
Campanhas de 2026 X 2022
O Brasil encerrou sua participação nesta Copa com três vitórias, um empate e uma derrota. Foram dez gols marcados e quatro gols sofridos nos cinco jogos.
O artilheiro da seleção foi Vini Jr., com quatro gols marcados, seguido de Matheus Cunha, com três. Martinelli, Casimiro e Neymar também marcaram um gol cada. A seleção brasileira realizou 74 finalizações ao longo de cinco jogos, sendo 30 delas no alvo --um aproveitamento de 41%.
Bruno Guimarães se destacou pelas quatro assistências que realizou, ficando em segundo lugar no top 10 de jogadores até aqui, empatado com Brahim Díaz, de Marrocos.
No setor defensivo, o time foi bem-sucedido em 48% dos desarmes (45 de 93 tentativas). Nos dribles, o índice de sucesso ficou em 42% (36 de 86).
Na Copa do Mundo de 2022, o Brasil foi eliminado nas quartas de final para a Croácia, após derrota nos pênaltis com empate de 1 a 1 na prorrogação. A campanha da seleção canarinho contou com três vitórias, uma derrota para Camarões na fase de grupos e o empate final contra o time croata.
Ao longo da competição no Qatar, a seleção brasileira marcou oito gols e sofreu três, fechando a competição com um saldo de cinco gols. O artilheiro da seleção foi o centroavante, camisa 9, Richarlison, com três gols. Neymar emplacou dois, seguido de Casimiro, Paquetá e Vinicius Júnior, cada um com um.
Vini Jr. deu duas assistências. Paquetá, Neymar, Rodrygo e Thiago Silva tiveram uma cada um. A seleção brasileira realizou 96 finalizações ao longo de cinco jogos, sendo 41 delas no alvo --um aproveitamento de 43%. No setor defensivo, o time foi bem-sucedido em 58% dos desarmes. Nos dribles, o índice de sucesso ficou em 37%.