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Messi comanda virada sobre a Inglaterra e põe a Argentina na final da Copa

por Folhapress
Publicado em 15/07/2026 às 20:48
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "De los pibes de Malvinas que jamás olvidaré" foi o verso da canção "Muchachos, ahora nos volvimos a ilusionar" que mais ecoou no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nesta quarta-feira (15), em uma grande catarse dos argentinos.

Embalada pelo canto que acompanha a seleção desde a campanha do título no Qatar, a Argentina buscou mais uma virada nesta Copa do Mundo, derrotou a Inglaterra por 2 a 1 e se classificou à final, superando justamente o adversário contra o qual alimenta uma rivalidade que extrapola o futebol desde a Guerra das Malvinas, conflito de 74 dias travado em 1982.

A virada manteve o roteiro que tem acompanhado os argentinos na América do Norte: o time levou gol e sofreu até o fim para virar só nos acréscimos. Parece até que a seleção prefere assim, com sofrimento.

Todos os gols saíram no segundo tempo. Anthony Gordon, 25, recém-contratado pelo Barcelona após se destacar pelo Newcastle, abriu o placar aos 10 minutos. O gol, porém, acabou despertando a Argentina -e acovardando a Inglaterra-, que passou o restante do jogo pressionando até balançar a rede duas vezes, com Enzo Fernández e Lautaro Martínez, ambos servidos por Lionel Messi.

Bem marcado, o camisa 10 teve poucos espaços para ele mesmo balançar a rede. Mas, quando não faz o gol, ele não tem problema em entregar o protagonismo para seus companheiros.

Com as duas assistências, Messi voltou a liderar a artilharia da Copa, com os mesmo oito gols marcados por Mbappé, mas agora com mais passes para gols de seus companheiros do que o francês. São quatro neste Mundial.

Enquanto Messi e seus companheiros festejavam, a virada foi melancólica para a Inglaterra, que se viu impedida de voltar à decisão após 60 anos, desde 1966, quando conquistou seu único título mundial, como anfitriã daquela edição.

Para a Argentina, o desfecho manteve vivo o sonho da geração liderada por Messi de buscar o quarto troféu, além de se manter como atual campeã do mundo -se for campeã, vai igualar os feitos de Brasil e Itália, os únicos com dois títulos mundiais consecutivos. Desde 2014, os argentinos estiveram presentes em três das últimas quatro finais. A exceção foi em 2018.

No próximo domingo (19), às 16h (de Brasília), a Argentina terá a Espanha como adversária na disputa do título. A final será no MetLife Stadium, em Nova Jersey, onde os espanhóis liderados pelo prodígio Lamine Yamal vão lutar pelo segundo caneco, 16 anos após entrar para o grupo dos campeões.

Na véspera, em Miami, Inglaterra e França terão o confronto pelo terceiro lugar, às 18h (de Brasília).

Descrito como único dérbi transcontinental, Argentina e Inglaterra travaram um confronto tenso. E o árbitro americano Ismail Elfath não esteve à altura do desafio. Em um primeiro tempo de somente três finalizações, sem que nenhuma delas exigisse participações efetivas dos goleiros, foram 19 faltas e dois cartões amarelos.

Elfath foi econômico até nos acréscimos, com três minutos, o mesmo tempo da pausa para hidratação em um estádio climatizado, com ambiente mais agradável do que os 30º na área externa de Atlanta.

Antes da parada, as equipes se limitaram a disputas de imposição física ao longo de 25 minutos. Sem nenhuma finalização no período, os jogadores travaram batalhas para ganhar terreno, com a Inglaterra mais presente no ataque. Foram 11 faltas até então.

O cenário pouco mudou na sequência do jogo apesar do registro das primeiras finalizações do jogo, sendo duas dos argentinos e uma dos ingleses.

Depois do intervalo, embora ainda faltoso, o jogo começou a ficar mais aberto, sobretudo pela iniciativa da equipe inglesa.

Cansado de esperar a bola, Kane voltou ao campo de defesa para iniciar uma jogada. Lançou com perigo para o campo ofensivo, Tagliafico cortou mal, a sobra ficou com Declan Rice. O volante abriu com Roger, que serviu Gordon, na pequena área, pronto para desviar para a rede.

Três minutos depois, os ingleses vibraram como se tivessem marcado o segundo, mas a comemoração foi pela precisão de Spenser ao desarmar Giuliano Simeone na grande área, em clara condição de empatar.

A Argentina teve ao menos outras três chances claras de empatar, mas quando não esbarrou em grandes defesas de Jordan Pickford, goleiro do Everton, viu Nico González acertar a bola na trave.

Foram mais de 35 minutos de ataque contra a defesa, com a Inglaterra pouco se arriscando em contra-ataques, à espera do fim do jogo. Mas havia muito tempo pela frente, ainda mais com a Argentina do outro lado.

O castigo pela postura da equipe comandada pelo alemão Thomas Tuchel começou aos 40 minutos, quando Messi serviu Enzo Fernández e o jogador do Chelsea arriscou e fora. Pickford aceitou o chute quase no meio do gol.

Já nos acréscimos, aos 47 minutos, veio a virada, com Lautaro Martínez, que veio do banco de reservas para ser servido por Messi e marcar de cabeça.

"Sem arrogância, somos únicos", resumiu o técnico Lionel Scaloni. "Depois desse jogo, fica difícil falar sobre o que nossos jogadores estão mostrando em campo", acrescentou.

Com a vitória, a Argentina manteve uma importante escrita. Todas as vezes em que chegou à semifinal, a equipe avançou à decisão. Foi assim em 1930, 1986, 1990, 2014 e 2022.

Nesta edição, a Argentina sempre esteve no limite durante o mata-mata, com duas classificações na prorrogação e uma virada histórica sobre o Egito.

Logo depois da fase de grupos, a equipe albiceleste encontrou uma inspirada seleção de Cabo Verde, que forçou a disputa do tempo extra buscando dois empates, antes de ser superada por 3 a 2.

Nas oitavas, a Argentina flertou com queda durante boa parte do confronto com os egípcios. Os africanos chegaram a abrir 2 a 0, sustentando a vantagem até os 22 minutos do segundo tempo. A virada argentina teve início somente aos 34 minutos e foi concluída já nos acréscimos, com um novo 3 a 2.

O placar de 3 a 1 sobre a Suíça nas quartas ilude quem imaginar ter sido o triunfo mais fácil. Não foi. Os argentinos disputaram novamente a prorrogação, na qual a vitória foi construída a partir de uma expulsão na seleção europeia.

A Inglaterra também teve um caminho duro, com dificuldades para superar a República Democrática do Congo, por 2 a 1, e depois com vitórias ainda mais desafiadoras contra México (3 a 2) e Noruega (2 a 1).

Mas o principal duelo para ambos foi reservado para a semifinal, com a histórica rivalidade entre os dois países, alimentada não só pela Guerra das Malvinas, como por confrontos no futebol.

O auge foi na Copa de 1986. Comandados por Maradona, os argentinos venceram os ingleses por 2 a 1, em jogo marcado pelo chamado gol do século (assim premiado pela Fifa), com o camisa 10 driblando meio time, e o infame gol "la mano de Dios", também de Maradona.

Agora, a emocionante semifinal desta edição entrou para a lista dos confrontos históricos entre os países.