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Marcas buscam tons vibrantes, e rosa domina chuteiras da Copa do Mundo

por Folhapress
Publicado em 16/06/2026 às 08:08
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Elas estão presentes em todos os jogos da Copa do Mundo e levaram a muitas teorias sobre os possíveis motivos para a súbita preferência dos jogadores.

As chuteiras cor-de-rosa foram a escolha de grandes marcas como Nike, Adidas, New Balance e Puma para as suas coleções comemorativas do principal evento esportivo do ano.

Além de o cor-de-rosa se destacar no gramado verde —elas são cores complementares no círculo cromático—, a decisão parece combinar uma resposta às demandas de consumidores por cores mais chamativas e a um investimento maior das marcas na categoria de produto, nesse caso, a chuteira, deixando em segundo plano a tentativa de se destacar individualmente.

"A marca mais forte é a do evento, que é a Copa do Mundo. Não é Nike, Adidas ou qualquer outra", diz Lilian Carvalho, professora de marketing da EAESP-FGV (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas).

"As pessoas vão comprar a chuteira da Copa do Mundo. Se todas são rosa, isso chama mais atenção e fica muito mais fácil para que todas vendam."

Se uma tentasse optar por um caminho diverso, apostando em outra cor, poderia sofrer o efeito inverso, o de ter o seu produto lembrado conectado à marca, e não ao evento. É uma espécie de "conluio tácito", mas sem a intenção de enganar o consumidor.

No pano de fundo dessas escolhas das grandes marcas estão também as pesquisas de tendências.

Um relatório de 2024 da consultoria WGSN, uma das principais referências de tendências de consumo, apontava entre as cores para 2026 o "electric fuchsia", descrito como um "neon vívido", "entre o rosa e o roxo", que carrega "atitudes progressivas e transformadoras".

Profissionais de marketing, afirma a professora da FGV, leem os mesmos relatórios, usam as mesmas pesquisas de mercado, frequentam os mesmos eventos.

"Estamos diante de uma convergência estratégica, e não de uma coincidência", diz o especialista em branding Henrique Alexandre. "As grandes marcas trabalham com essas pesquisas, com análise de tendências e esse monitoramento constante do consumidor."

Há ainda o efeito da "viralização memética" que hoje integra as estratégias das marcas. "Então a geração Z quer isso? E aquilo se espalha como um rastilho de pólvora entre as equipes de marketing, as equipes de desenvolvimento de produtos", afirma Lilian Carvalho.

É similar ao efeito do azul cerúleo citado no filme "O Diabo Veste Prada". No diálogo ficcional, Miranda Priestly, personagem de Meryl Streep, explica a sua assistente a trajetória da cor da peça de roupa que ela usava.

"Em 2002, Oscar de la Renta fez uma coleção de vestidos cerúleos, e depois, se não me engano, foi Yves Saint Laurent quem apresentou jaquetas militares azul cerúleo", diz a personagem. "Então o azul cerúleo apareceu rapidamente nas coleções de oito estilistas diferentes. Depois, espalhou-se pelas lojas de departamento".

No planejamento dos produtos especiais para a Copa do Mundo, a Nike diz ter considerado dados que indicavam o desejo de atletas e consumidores por cores vibrantes para momentos importantes, para dar mais confiança.

Esse teria sido o ponto de partida, disse Odinga Nimako, da área de desenvolvimento de produto da Nike, ao The Athletic, departamento de jornalismo esportivo ligado ao New York Times. Depois, em testes, foi observado que o rosa era a cor que mais se destacava.

"O cor-de-rosa realmente se destaca na grama verde, esteja você nas arquibancadas ou assistindo pela televisão, garantindo a visibilidade", afirmou o executivo ao NYT.

O especialista em branding Henrique Alexandre diz considerar também que o rosa expressa certa ousadia. "Todo mundo está habituado a usar usar preto e branco. De repente, vem uma cor completamente diferente e disruptiva, que vai gerar buzz, vai gerar conversa", afirma.

As gerações mais jovens, aponta ele, também veem o esporte cada vez mais conectado à moda, à identidade e à expressão individual.

Nesse sentido, as chuteiras são também onde os próprios jogadores podem se expressar —e negociar individualmente—, sem que estejam sujeitos aos patrocinadores oficiais de suas equipes.

O craque argentino Lionel Messi deve ir a campo usando um modelo azul e branco da Adidas batizado de "Último Tango", em alusão à despedida do jogador das Copas. Já a Nike preparou para o português Cristiano Ronaldo uma versão dourada de sua Mercurial Superfly.