Lionel Scaloni potencializa Argentina para tornar Messi maior artilheiro da Copa
RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Lionel Messi marcou seis gols em suas quatro primeiras Copas do Mundo. Desde que Lionel Scaloni assumiu a seleção argentina, já fez 12.
O número foi alcançado nesta segunda-feira (22), quando o camisa 10 balançou as redes contra a Áustria, chegou a 18 gols em Mundiais e se tornou o maior artilheiro da história da competição.
Em agosto de 2018, poucos dias após a saída de Jorge Sampaoli, Scaloni assumiu a seleção argentina de forma interina. O ex-lateral chegou sem experiência como treinador principal e cercado de desconfiança.
Oito anos depois, acumula títulos de uma Copa América (2021), uma Finalíssima (2022), uma Copa do Mundo (2022) e outra Copa América (2024), além de ter montado a base que defende o título mundial nos Estados Unidos.
Nesta segunda, Scaloni se rendeu novamente aos esforços de Messi pela seleção.
"Mesmo hoje, quando o time estava com dificuldades sem a bola, ele se esforçou e a recuperou. Deu para ver que ele estava comprometido. E isso tem um motivo. Comprometer-se significa algo, e é isso que ele demonstra. É impressionante. Não sei o que mais dizer", derreteu-se o treinador.
Para Maurício Dulac, técnico brasileiro do Al-Riyadh, da Arábia Saudita, uma das chaves da mudança está na forma como a Argentina passou a ocupar os espaços ao redor de Messi.
"Antigamente, a Argentina jogava com o mesmo tripé de meio-campistas, com o De Paul saindo de dentro para fora, para compensar o Messi, que tem o seu mapa de calor ali pelo lado direito, centro, onde ele gosta de jogar", afirmou.
Na avaliação de Dulac, Rodrigo De Paul se tornou peça central desse mecanismo ao assumir funções defensivas e de cobertura que permitem ao camisa 10 atuar mais próximo das zonas decisivas do campo.
"O mais interessante é que o De Paul vem fazendo isso com perfeição. Acho que principalmente esse fato da compensação que se tornou a simplificação, acho que é onde o Messi conseguiu se encaixar melhor e tem uma liberdade que não tinha nos outros momentos."
Já na visão de Dyego Coelho, ex-lateral do Corinthians e hoje treinador, o mérito de Scaloni foi convencer o elenco a abraçar esse modelo.
"É um treinador que tem um grupo na mão e tem um Deus nesse grupo que se chama Messi. E soube fazer com que a vontade dos outros jogadores em jogar pro Messi fosse algo prazeroso."
Segundo ele, a estabilidade do grupo foi determinante para que a ideia funcionasse. Dos 26 convocados para a Copa de 2026, 17 estiveram presentes na campanha do título no Qatar.
Jogadores como Emiliano Martínez, Cristian Romero, Nicolás Otamendi, Rodrigo De Paul, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Julián Álvarez e Lautaro Martínez atravessaram praticamente todo o ciclo ao lado do camisa 10. De Paul, inclusive, está no Inter Miami, atual equipe de Messi, desde 2025.
"E isso tem muito dedo, claro, do seu treinador. Então eu vejo dessa maneira o Scaloni fazendo esse tipo de meio-campo, com muita humildade também dos jogadores em dar essa função pro Messi, que é uma função realmente muito importante, que coloca uma carga no jogador."