Juiz brasileiro alvo de Trump na Copa foi elogiado em CPI e não alvo de investigação
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O árbitro Raphael Claus, que se tornou alvo de Donald Trump na Copa do Mundo, não foi investigado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado Federal.
Em abril de 2024, ele foi convidado para ser ouvido como testemunha em reunião da comissão, mas a audiência não foi realizada.
O presidente da CPI, Jorge Kajuru (PSB), afirmou, ao chamá-lo ao debate, que Claus estava entre os mais qualificados do país, mas disse que queria entender a razão de ele ter sido escalado para diversos jogos ao lado da árbitra Daiane Muniz.
O relatório final da CPI, aprovado em março de 2025, menciona Claus apenas em um momento, ao registrar fala do então presidente da Comissão de Arbitragem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Wilson Seneme, sobre a atuação da dupla de juízes.
Seneme disse aos senadores que Claus é considerado "um dos melhores" ou o melhor profissional da América do Sul e que Muniz estava convocada para os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, segundo o relatório.
Nesta segunda-feira (6), Trump chamou o brasileiro de "suspeito" e admitiu que ligou para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir revisão de cartão vermelho dado pelo árbitro ao jogador Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos.
"Esse árbitro é um tanto suspeito se você verificar o passado dele. Não quero dizer isso, pois não gosto de criar polêmica, mas é muito suspeito", disse o republicano.
Em duelo contra a Bósnia-Herzegovina, na quarta (1º), o atacante americano Balogun fez uma falta sobre Tarik Muharemovic. O lance foi revisado pelo VAR e terminou com a expulsão do camisa 20.
"Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta", afirmou Trump sobre a intervenção na Copa. Ele disse ainda que nem sequer sabia o que era um cartão vermelho até o lance. "Quando descobri, pensei: 'Só pode ser uma brincadeira'."
A CBF e a FPF (Federação Paulista de Futebol) emitiram nesta segunda-feira (6), uma nota para defender o árbitro brasileiro.
A Fifa, porém, anulou o cartão e liberou Balogun para entrar em campo na partida das oitavas de final contra a Bélgica também nesta segunda, em Seattle. Os americanos podem chegar às quartas de final pela primeira vez desde 2002 caso vençam.
O nome de Claus chegou à CPI após reclamações do então presidente da SAF do Botafogo, John Textor. Ele queria o árbitro fora dos jogos da sua equipe até o fim dos trabalhos da comissão.
Ao convidar o árbitro, o senador Kajuru afirmou que Claus e Daiane Muniz se envolveram em "lances polêmicos" em partidas de 2023 e 2024.
"Nada obstante a competência de ambos, é flagrante que essa enorme quantidade de atuações conjuntas da dupla causa estranheza e cria exposição desnecessária dos dois. Afinal, é notório que o risco de erro é proporcional ao número de atuações", escreveu o senador no convite para a audiência que não chegou a ser feita.
Árbitro da Fifa desde 2015, Claus, 46, tem na carreira 447 jogos trabalhados para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) entre as funções de árbitro, quarto árbitro, auxiliar ou VAR. Desses, foi o juiz de 263 duelos da Série A.
A Copa de 2026 é a segunda em que Claus é convocado pela Fifa.
Na do Qatar, em 2022, apitou dois jogos pela fase de grupos: a goleada da Inglaterra sobre o Irã (6 a 2) e a vitória de Marrocos sobre o Canadá (2 a 1).
Neste ano, novamente dois duelos: o 4 a 0 da Espanha sobre a Arábia Saudita e, depois, o 2 a 0 dos Estados Unidos sobre a Bósnia-Herzegovina, que provocou a fala do presidente dos Estados Unidos.