Inglaterra x RD Congo na Copa pode ser o jogo do século para africanos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em Atlanta, terra onde cresceu o boxeador Evander Holyfield, Inglaterra e República Democrática do Congo duelam nesta quarta-feira (1º), às 13h, por uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo.
Para o ex-zagueiro congolês Gabriel Zakuani, que ainda atua pela seleção como uma espécie de olheiro, um bom resultado seria encarado como o principal momento na história do esporte no país, superando "Rumble in the Jungle".
O nome, algo como "estrondo na selva", é o apelido do combate de boxe conhecido até hoje como a luta do século 20, quando Muhammad Ali derrotou George Foreman, no Zaire (nome antigo do país), em 1974.
No caso, a seleção congolesa assume o papel de Ali, a zebra do duelo. E, assim como o famoso boxeador, a estratégia da seleção está definida: ficar na retaguarda, deixar o rival no controle e absorver as pancadas até conseguir um contragolpe, quem sabe.
Números do Folhastats mostram que os ingleses têm quase o dobro do número de passes certos em relação aos congoleses, 1.482 a 821. O número de chutes também mostra a diferença na força ofensiva: 58 a 34.
O atacante inglês Madueke, que disputa com Saka, colega de Arsenal, a titularidade do lado direito, sabe do favoritismo do English Team, mas prevê dificuldades para golpear o rival.
"Todas as equipes têm dificuldades quando o adversário se posiciona com 11 jogadores em 30 metros de espaço. Não é fácil furar esse bloqueio. Vimos outras seleções de ponta também sofrerem com isso. Faz parte do futebol agora", disse em entrevista a jornalistas.
Logo na estreia na fase de grupos, os congoleses foram bem-sucedidos para segurar a força do ataque português no empate em 1 a 1.
A principal arma ofensiva dos africanos também é bem conhecida da Inglaterra: o atacante Wissa, uma das principais contratações do Newcastle na última temporada. Lesionado, atuou pouco.
Assim como aconteceu com Carlo Ancelotti, com o Brasil, a lateral direita tem dado dor de cabeça para o técnico alemão Thomas Tuchel, da Inglaterra.
Depois de mais uma temporada recheada de contusões, Reece James, do Chelsea, sofreu uma lesão antes do jogo contra o Panamá (vitória por 2 a 0) e deve ficar fora até as oitavas de final, caso os ingleses avancem.
O zagueiro Quansah, que também joga como lateral, foi colocado na posição, mas sofreu entorse no tornozelo e também está fora, provavelmente, de todo o torneio.
A dupla contusão trouxe de volta o fantasma da convocação, quando um dos nomes deixados de fora foi o do lateral-direito Alexander-Arnold, do Real Madrid, que já foi considerado um dos melhores do mundo.
Dos quatro primeiros jogos da fase de 32, dois foram decididos nos acréscimos (vitórias de Canadá e Brasil) e dois nos pênaltis (com Paraguai e Marrocos classificados).
De olho na possibilidade, o goleiro Pickford avisou que está preparado. "Se for para os pênaltis, prorrogação, temos capacidade, temos jogadores para entrar no segundo tempo, nossa união é de alto nível e é para isso que estamos aqui."
Até o goleiro está treinando cobranças, caso seja necessário. "Tenho batido alguns pênaltis. É preciso estar preparado. Temos muitos bons batedores, então isso me colocou em uma posição inferior na hierarquia", brincou.
"É meu trabalho fazer as defesas e, em torneios anteriores, sempre consegui defender em disputas de pênaltis pela Inglaterra e espero continuar assim. Mas queremos vencer o jogo, não queremos ir para os pênaltis", concluiu o camisa 1.
Inglaterra x República Democrática do Congo
Quarta (1º), em Atlanta, às 13h (de Brasília)
CazéTV