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Goleiro marroquino Bono levou só dois gols em nove cobranças de pênaltis em Copa do Mundo

por Folhapress
Publicado em 09/07/2026 às 20:53
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O placar ainda estava zerado quando o atacante Mbappé foi para a cobrança do pênalti, sofrido por ele mesmo no duelo desta quinta-feira (9) pelas quartas de final da Copa do Mundo.

O francês foi para a bola e chutou rasteiro no canto esquerdo, e o goleiro marroquino Bono caiu e segurou firme.

Essa foi a quarta cobrança de pênalti defendida por Bono, 35, em duas edições da Copa do Mundo, igualando a marca compartilhada por Goycochea (Argentina), Schumacher (Alemanha), Casillas (Espanha), Subasic (Croácia) e Livakovic (Croácia).

Entre no grupo FolhaStats Confira a tabela da Copa A fama de pegador de pênaltis faz com que os cobradores temam ficar frente a frente com ele. Tanto é verdade que em nove pênaltis cobrados contra ele nos Mundiais de 2022 e 2026, somando disputas eliminatórias e período regulamentar, somente duas bolas entraram: dos holandeses Koopmeiners e Weghorst na fase de 32 seleções deste ano.

No Qatar, há quatro anos, Bono foi o salvador de Marrocos na disputa de pênaltis contra a Espanha, nas oitavas de final. Após Sarabia acertar a trave na primeira batida, o goleiro defendeu os chutes de Soler e de Busquets, dando a vitória para Marrocos por 3 a 0 e garantindo pela primeira vez a vaga de uma seleção africana nas quartas de final da Copa.

No atual Mundial, Bono novamente se destacou na disputa de pênaltis contra a Holanda, quando Justin Kluivert cobrou na trave, Timber chutou para fora e o goleiro defendeu a tentativa de Summerville.

A conta fecha com a defesa contra o artilheiro Mbappé, embora não tenha sido suficiente para Marrocos chegar novamente às semifinais.

Vendo suas defesas com a camisa marroquina, poucos conhecem a história de Bono e sabem que ele poderia estar defendendo o coanfitrião Canadá na Copa.

Isso porque ele nasceu em Montréal, no Canadá, em 5 de abril de 1991, quando o pai, Mehmed, lecionava física em uma universidade da cidade, enquanto sua mãe, Maica, trabalhava como cabeleireira.

Quando ele tinha 3 anos, os pais resolveram voltar para Marrocos e foram morar na cidade de Casablanca, onde Bono começou a jogar futebol nas ruas antes de entrar no clube Wydad Casablanca, onde se formou.

Aos 10 anos, fez suas primeiras viagens à Espanha para trabalhar com seu tio em uma feira em Zaragoza, bem ao lado do estádio La Romareda. Uma década depois, ele jogaria naquele mesmo campo durante dois anos (2014-16) pelo Real Zaragoza, emprestado pelo Atlético de Madrid, clube com o qual foi campeão do Campeonato Espanhol.

Foi justamente nessa primeira fase de sua vida profissional que Yassine Bounou ganhou o apelido de Bono. Ele nunca explicou publicamente o motivo, mas o que se sabe é que a forma como os companheiros o chamavam na época deu origem ao apelido, uma vez que as pronúncias de Bounou, em francês, e Bono, são semelhantes. A partir de então, ele assumiu o nome e passou a usá-lo na camisa.

Bono despontou no Girona e no Sevilla, da Espanha, conquistando dois títulos da Liga Europa pelo último clube, em 2020 e 2023, além de ganhar o Troféu Zamora em 2021/22 como melhor goleiro de La Liga (o Campeonato Espanhol), após sofrer apenas 24 gols e ficar 13 jogos sem ser vazado em 31 partidas na competição.

Em 2023, transferiu-se para o Al Hilal, da Arábia Saudita, onde foi campeão saudita, duas vezes campeão da Copa Saudita e duas vezes vencedor da Supercopa Saudita, além de ter sido eleito o melhor goleiro da temporada 2023/24.

De 2013 a 2016, foi convidado pelo então técnico do Canadá, o espanhol Benito Floro, para defender o país, mas recusou por ter o sonho de usar a camisa marroquina.

"Não aconteceu porque eu cresci em Marrocos e meu sonho era jogar pela seleção marroquina", explicou certa vez ao canal de TV do seu antigo clube, o Sevilla.

Durante a Copa do Qatar, antes da vitória de Marrocos por 2 a 1 sobre o Canadá na fase de grupos, Bono falou que mantinha um carinho especial pelo país onde nasceu. "É um lugar especial para mim, uma pequena parte de quem eu sou. Se eles não estivessem jogando contra nós, eu torceria por eles."

Depois de defender a seleção olímpica marroquina nas Olimpíadas de Londres, em 2012, passou a ser convocado com mais frequência e esteve no plantel que disputou a Copa de 2018, na Rússia, embora tenha ficado na reserva.

Depois, assumiu como titular e foi um dos destaques do time na conquista da quarta colocação na Copa do Qatar e, mais à frente, do título da Liga das Nações Africanas, em 2025.