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Fotógrafos revelam estratégias para driblar dificuldades na Copa do Mundo

por Folhapress
Publicado em 09/07/2026 às 11:46
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Eles estão em uma posição privilegiada no campo de futebol e muitos pagariam caro para acompanhar um jogo tão perto da linha de fundo.

Responsáveis por parte relevante das histórias contadas em todas as Copas do Mundo, os fotógrafos realizam verdadeiras peripécias: operam várias câmeras com lentes diferentes durante um mesmo lance, utilizam pedais para disparar cliques e ainda precisam encontrar um ângulo ou um instante que os milhares de fotógrafos —profissionais ou torcedores nas arquibancadas— não registraram.

Para alívio dos invejosos que gostariam de estar ali, sentadinhos e perto dos ídolos, eles assistem, porém, a outro jogo de futebol: quase sem conseguir prestar atenção ao desenho tático da partida e, ainda por cima, recebendo ordens o tempo todo. "Um grupo de editores se conecta com a gente o tempo todo e fica falando, né? A gente fica o tempo todo conectado com eles durante o jogo", explica Buda Mendes, 48, com três Copas no currículo (2014, 2018 e 2022).

Dentro de campo, apesar do lugar privilegiado, a sensação é diferente daquela que permeia a arquibancada. O fotógrafo Tarso Sarraf, do jornal "O Liberal", de Belém (PA), assume que torce, sim, mas que o fotógrafo tem outros objetivos ali: "A gente torce do nosso jeito. Eu não sou de ficar vibrando, nada disso. Fico ali, torcendo com a cara na máquina. É uma Copa muito importante por se tratar da última edição para muitos craques como o Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar. E também por conta dos que estão fazendo história ainda, como o Mbappé".

E se engana quem acha que é chegar ao estádio, sentar, clicar e fim de papo. A preparação para o jogo segue protocolos similares ao dos jogadores, com direito a uma base onde os profissionais escutam a "preleção" feita pelos editores e, então, possam sair em busca do clique perfeito.

FOTÓGRAFO TAMBÉM PRECISA TER ESTRATÉGIA

Reservar uma vaga nos melhores lugares não é fácil. Primeiro, os fotógrafos recorrem à Fifa (Federação Internacional de Futebol) por meio de um aplicativo. A entidade possui três grupos de locais destinados a fotógrafos: um é dedicado aos fotógrafos credenciados por veículos dos países que estão jogando, enquanto os outros dois grupos ficam reservados para profissionais de outras nacionalidades.

"Às 10 horas da manhã, todos os fotógrafos já estão em uma fila virtual no aplicativo. Quando chega sua vez, você tem 45 segundos para escolher sua posição", explica Tarso.

O lugar mais disputado, claro, é o mais próximo possível de onde os jogadores comemoram: "Todo mundo quer ficar lá embaixo, na direção do banco de reservas. Só que é o lugar mais concorrido, sempre sobram duas ou três vagas. Nesta Copa, eu não consegui ficar nenhuma vez lá. Fiquei uma hora online no aplicativo e, quando vi, já tinha 30 fotógrafos na minha frente. A gente nunca sabe como vai ser", contou Tarso.

Recentemente, Tarso começou a gravar vlogs com sua rotina como fotógrafo do torneio —e tudo já começa às 5h da manhã. "Ao todo, são 30 horas de trabalho para cobrir os 90 minutos de campo", contou.

Além dos jogos, ele também cobriu os treinamentos da seleção brasileira em Nova Jersey e reclama dos parcos 15 minutos de treino disponíveis para a imprensa: "É horrível. Com 15 minutos, você tem de sair fotografando. A gente monta estratégia nos treinos também".

UM POUCO DE SORTE NÃO FAZ MAL

Um dos momentos de maior felicidade de Buda nesta Copa aconteceu sem muito planejamento. Fotografando o jogo Espanha x Cabo Verde, ele foi acompanhando um atleta que viria a ser um dos personagens do Mundial. "A foto que, por enquanto, mais me impacta é a foto que fiz do goleiro Vozinha", conta.

Depois de fechar o gol contra os espanhóis, Vozinha ganhou uma bandeira vinda da arquibancada. O adereço completou a cena que, por acaso, se revelou bem na frente do fotógrafo brasileiro. "Foi um momento que gerou bastante alegria para mim. Eu dei sorte de estar ali e acho que deve ter gerado uma emoção para ele também. O fotógrafo também comemora esse momento porque eternizou algo para um jogador como esse. Fico muito feliz de ver essa foto rodando o mundo inteiro", comemorou.

O "gol" ao capturar Vozinha é o caminho para se chegar na maior conquista do torneio: a foto da taça sendo erguida no dia 19 de julho, em Nova York. "A foto 'master' é a do troféu levantado. Não tem jeito! É a foto que eterniza nosso trabalho durante a vida toda", projetou.