Fifa cede para os EUA na política, mas joga duro para lucrar mais com Copa
(UOL/FOLHAPRESS) - O Irã tem que ficar fazendo bate-volta nos EUA por causa das restrições do governo de Donald Trump, o árbitro Omar Artan foi barrado de entrar no país, há restrições de entrada a torcedores de diversos países.
A Fifa aceitou as imposições do governo sem protestar, alegando que não pode interferir na autonomia do país-sede.
A Copa tem custos para reformas de estádios e melhorias de infraestrutura - incluindo a construção de uma cadeia. Há obrigações de instalações provisórias, de operações de segurança e transporte.
A Fifa impôs essas medidas nos acordos de cidade-sedes assinadas pela 16 localidades que recebem os jogos. Os acordos são tão favoráveis à federação internacional e garantem a entidade ter um lucro previsto de US$ 5,155 bilhões com a Copa.
No final, as concessões da Fifa em relação à política não se repetem quando as medidas afetam seu bolso.
As restrições diplomáticas a vistos têm como origem a política belicista e anti-migração do presidente Donald Trump. Pouco antes da Copa, o governo publicou uma lista de 50 países cujos cidadãos teriam de pagar uma garantia de US$ 15 mil para conseguir o visto.
A controvérsia da mãe do goleiro Vozinha é porque Cabo Verde estava na lista. Depois, o governo dos EUA passou a trabalhar em favor do visto da mãe do jogador.
Em compensação, os norte-americanos dizem ter facilitado a tirada de vistos para países como Brasil, Argentina e Colômbia, entre outros.
Essa postura, que restringe certos torcedores em relação aos outros, não foi motivo de protesto da Fifa.
Assim como o bate-volta do Irã nos EUA foi aceito pelo presidente Gianni Infantino. O dirigente alegou que a participação do país na Copa era uma grande vitórias.
Já no relacionamento sobre temas econômicos a postura da Fifa foi bem mais dura. Como ocorreu em outras Copas, os acordos de cidades-sede tinham diversas obrigações econômicas, e poucas possibilidades de ganhos.
"A cidade-sede concorda e reconhece que a competição tem que atingir os patamares mais altos possíveis internacionais de qualidade esperados para 2026", diz o trecho de um dos "Host Agreement".
As garantias eram de ter um estádio novo ou reconstruído, limpo de patrocinadores, com a viabilização de todas as estruturas provisórias, como em outros Mundiais.
Qualquer patrocinador da cidade-sede tinha restrições e pré-aprovação da Fifa - não podia conflitar com os parceiros da Copa. Com isso, as cidades reclamaram de poucos bônus e muitos ônus.
O "The Athletic" relatou que a cidade de Los Angeles reclamou sobre qual seria o ganho de sediar os jogos. Um representante da Fifa respondeu que botava a cidade no mapa. Falou isso para sede de Hollywood.
Por conta desse modelo, houve controvérsias como o trem de Nova Jersey que o governo do Estado aumentou consideravelmente o valor para a Copa. A passagem passou para US$ 80,00. Os relatos são de que o trem ficou vazio nos primeiros jogos.
Houve ainda reclamações das cidades pelos gastos com segurança. O governo federal teve que vir com um pacote de ajuda na casa de US$ 600 milhões.
Enquanto isso, a Fifa terá um gasto operacional no Mundial de US$ 2,7 bilhões. Outro valor em torno de US$ 1 bilhão será para pagar clubes pelo uso dos jogadores e prêmios a federações nacionais.
Em comparação, a receita da Fifa prevista em 2026 é de US$ 8,9 bilhões. Ou seja, o lucro é de US$ 5,155 bi.
A justificativa da Fifa é de que usa o dinheiro para o desenvolvimento do futebol no mundo.