Falta de disciplina tática explica cautela de Ancelotti com Endrick na Copa
NOVA YORK E MIAMI, EUA (UOL/FOLHAPRESS) - Endrick entrou em campo e teve impacto imediato nos amistosos diante de Croácia, em março, Panamá, em maio, e Egito, em junho. Ainda assim, na estreia do Brasil na Copa do Mundo diante do Marrocos, 1 a 1 no último sábado (13), o técnico Carlo Ancelotti escalou Igor Thiago no ataque.
Quando decidiu tirar o centroavante, criticado por gols perdidos não só contra Marrocos, mas contra o Egito, o treinador colocou Matheus Cunha. Endrick ficou no aquecimento até o italiano esgotar suas substituições.
Com isso, uma pergunta é ouvida de torcedores, jornalistas e comentarista. Por que Ancelotti reluta em dar minutos a Endrick?
O UOL apurou algumas respostas.
Sim, Ancelotti vê Endrick como um jogador jovem de grande potencial. E acredita que pode prepará-lo para jogar já neste Mundial.
Há, entretanto, um desafio: a falta de obediência tática do jovem atacante em relação às funções que o treinador espera de um centroavante. E essas funções vão além de gols e ações sem a bola.
Ancelotti espera que o atacante mais adiantado exerça uma marcação pressão forte na saída de bola rival. Embora seja capaz disso, Endrick tem como uma característica própria voltar com certa frequência para buscar a bola em posições mais recuadas.
Por isso, acaba ficando fora de posição para exercer essa pressão sem a bola. O treinador tem trabalhado taticamente com o centroavante para que não retorne tanto e mantenha sua posição na frente.
Não é, entretanto, tão simples. Pessoas que acompanharam o dia a dia de Endrick na seleção brasileira relatam que o atacante, embora mostre grande talento nos treinamentos, tem como característica muito forte o improviso e a tomada das próprias decisões, algo atribuído também à juventude.
Ao receber instruções e correções nas atividades, ele nem sempre as assimila e as cumpre rapidamente.
Em um exemplo dado à reportagem, o treinador o orienta para dominar uma bola em vez de arrematar de primeira. Ao ouvir a instrução, o jogador aceita e concorda. Em uma jogada seguinte, similar, ele repete a mesma jogada que tinha sido corrigida e chuta de primeira.
Pessoas ligadas ao estafe do atacante defendem que o impacto dele em campo mostra que a parte tática e sem a bola não é um problema no seu jogo.
A comissão técnica não considera a postura problemática ou fora do normal. Para o italiano e seus assistentes, são etapas naturais na evolução de um jogador muito jovem e extremamente talentoso.
Ainda assim, esperam evolução na consciência e posicionamento tático para que ele tenha oportunidade de ter maiores impactos no Mundial.
O Brasil volta a campo pela Copa do Mundo na sexta-feira, dia 19, diante do Haiti, na Filadélfia.
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Colaborou Danilo Lavieri, em Nova Jersey