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EUA não são os únicos: Brasil já fez manobra para evitar suspensão na Copa

por Folhapress
Publicado em 06/07/2026 às 16:31
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A decisão da Fifa de suspender a punição aplicada ao atacante Folarin Balogun, dos EUA, na Copa do Mundo de 2026 provocou críticas e levantou suspeitas de interferência política. Embora o caso seja tratado como inédito pelo mecanismo utilizado, ele não é a primeira vez que uma seleção foi beneficiada pela reversão de uma punição antes de uma partida decisiva do Mundial.

O Brasil viveu situação semelhante há 64 anos. Na Copa do Mundo de 1962, Garrincha também ficou ameaçado de perder a decisão do torneio após ser expulso na semifinal contra o Chile. O atacante acabou liberado pela Fifa e disputou a final contra a Tchecoslováquia, vencida pelos brasileiros por 3 a 1, resultado que garantiu o bicampeonato mundial.

A expulsão ocorreu após um revide em campo. Garrincha foi o principal nome da vitória por 4 a 2 sobre o Chile, marcando dois gols na semifinal. Já aos 38 minutos do segundo tempo, perdeu a paciência com a forte marcação dos anfitriões e deu um pontapé em Eládio Rojas.

A expulsão foi registrada de forma diferente das atuais. Como ainda não existiam cartões vermelho e amarelo, o árbitro peruano Arturo Yamazaki retirou Garrincha de campo após ser informado pelo bandeirinha uruguaio Esteban Marino, que presenciou a agressão.

A regra era diferente da atual. Em 1962, uma expulsão não gerava suspensão automática. Cabia ao tribunal disciplinar da Fifa analisar o episódio e decidir se o jogador seria punido ou poderia atuar normalmente na partida seguinte.

A defesa brasileira explorou falhas no processo. Os dirigentes da seleção argumentaram que a agressão não havia sido registrada pelo árbitro na súmula da partida. Além disso, Esteban Marino, que havia comunicado o lance ao árbitro, não compareceu ao julgamento nem assinou a súmula, reduzindo as provas disponíveis para sustentar uma punição.

A Fifa absolveu Garrincha. O tribunal disciplinar decidiu, por cinco votos a dois, aplicar apenas uma advertência ao atacante, que foi liberado para disputar a final. Garrincha não marcou gol na decisão, mas viu Amarildo, Zito e Vavá balançarem as redes.

CASO BALOGUN TEVE FUNDAMENTO DIFERENTE

A decisão sobre Balogun seguiu outro caminho jurídico. O atacante dos Estados Unidos foi expulso após revisão do VAR na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina, nas oitavas de final da Copa de 2026. Pela regra atual, o cartão vermelho gera suspensão automática para o jogo seguinte.

A Fifa não anulou a expulsão. Diferentemente do caso de Garrincha, a entidade manteve o cartão vermelho aplicado ao atacante. O que mudou foi a execução da punição: com base no artigo 27 do Código Disciplinar, a Comissão Disciplinar suspendeu a aplicação da suspensão automática por um período probatório de um ano, liberando Balogun para enfrentar a Bélgica.