'Escolhi ser brasileiro': Lucas Pinheiro Braathen diz que torce para o Brasil contra a Noruega na Copa
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Campeão olímpico, o esquiador Lucas Pinheiro Braathen, 25, afirma que decidiu ser brasileiro. Filho de mãe brasileira e pai norueguês, o atleta nascido em Oslo diz que sua torcida será pela seleção canarinho no duelo contra a Noruega na Copa do Mundo.
Os países que marcam a trajetória de Lucas disputam vaga nas oitavas de final do Mundial neste domingo (5), a partir das 17h. O confronto acontece no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Segundo projeções do Opta Analyst, o Brasil entra em campo como favorito, com 53,6% de probabilidade de vitória. Já a Noruega, de Haaland, tem 22,4% de chances de vencer.
"Aqui é Brasil. Sempre foi e sempre será. Eu escolhi ser brasileiro", disse em entrevista à Folha.
Lucas despontou no esqui alpino e chegou a conquistar a Copa do Mundo de slalom pela Noruega em 2023, mas anunciou aposentadoria após divergências com a federação. Ele voltou na temporada seguinte --desta vez, para defender a bandeira verde e amarela. Nos pódios, passou a comemorar até com sambadinha.
"O Brasil representa minhas raízes, minha família e uma parte muito importante da minha identidade. A Noruega foi o país que me acolheu, onde cresci como atleta e como pessoa. Tenho um carinho enorme pelos dois países", conta.
Fora das pistas, o atleta acompanha de perto o futebol --desde criança. Ele torce pela seleção brasileira, mas também é fã do Manchester United e do São Paulo.
"Futebol sempre foi minha paixão. Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo foram meus primeiros ídolos. Se não fosse o futebol e a inspiração desses jogadores, eu não teria me tornado atleta", conta.
Se na neve Lucas já defendeu as duas bandeiras, no futebol a preferência é clara. Para o duelo deste domingo (5), ele prefere não arriscar o placar, mas está certo de que "vai dar Brasil".
"Acho que será um jogo equilibrado, porque as duas seleções têm qualidades diferentes e vivem um momento especial. Será com muita emoção".
A expectativa do esquiador, porém, vai além das quatro linhas. Para ele, as arquibancadas também prometem um espetáculo.
"São duas culturas incríveis. A festa brasileira é única, com uma energia contagiante que empurra o time. Os noruegueses estão em clima de Copa, a remada viking cria uma atmosfera muito forte", explica.
Lucas também avalia que o Brasil vive um momento especial no esporte, com resultados expressivos em um grande leque de modalidades.
Só nas Olimpíadas de Paris, por exemplo, foram 20 medalhas --sendo três ouros, sete pratas e dez bronzes. Já neste ano, em Milão-Cortina, o esquiador fez história ao conquistar a primeira medalha olímpica de inverno de um país sul-americano.
"Isso mostra a força do nosso esporte, o talento que existe no país e o trabalho que vem sendo desenvolvido, além do poder da nossa diversidade", conta.
Para ele, as conquistas dos brasileiros criam um ambiente de confiança e inspiração, além de reforçar a ideia de que é possível competir no mais alto nível e vencer.
"A seleção brasileira tem sua própria história e seus próprios desafios, mas esse momento positivo do esporte como um todo fortalece o orgulho de representar o Brasil. Essa energia pode, sim, servir como motivação extra na busca pelo hexa", diz.
Vestir verde e amarelo, aliás, é motivo de orgulho para o esquiador norueguês-brasileiro. Segundo ele, defender a bandeira brasileira está longe de ser um peso e supera qualquer pressão.
"Eu vejo isso muito mais como um privilégio. Representar o Brasil é uma responsabilidade enorme, porque estamos falando de um país apaixonado por esporte, com uma torcida que vive cada conquista de forma muito intensa", explica o atleta.
A conexão com a seleção brasileira ganhou mais um capítulo em maio. Na ocasião, o esquiador encontrou com o técnico Carlo Ancelotti na academia do prédio onde mora.
Ele conta que não se considera em posição de dar conselhos a um treinador que já "conquistou praticamente tudo no futebol e tem uma experiência gigantesca".
Agora à frente da equipe canarinho, o italiano é o único a vencer a Liga dos Campeões cinco vezes --duas com o Milan e três com o Real Madrid-- e também o único a conquistar o campeonato nacional nas cinco principais ligas da Europa: Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França.
"Eu só pedi o hexa mesmo", diz.