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Diversidade e organização marcam a presença do Canadá na Copa de 2026

por Folhapress
Publicado em 12/06/2026 às 09:52
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Canadá começa a escrever nesta sexta-feira (12) um dos capítulos mais ambiciosos de sua história esportiva como coanfitrião da Copa do Mundo de 2026. Organizar o maior espetáculo do planeta é um desafio para um país que, embora raramente ocupe o epicentro global, compensa a falta de tradição no esporte com eficiência, paisagens arrebatadoras e uma das populações mais multiculturais do mundo.

Ao todo, o território canadense receberá 13 partidas: seis na vibrante Toronto e sete na cênica Vancouver. Embora o sorteio da Fifa tenha deixado o país de fora dos confrontos mais badalados da primeira fase -com a tetracampeã Alemanha sendo a única gigante histórica a pisar em solo canadense na etapa de grupos-, o clima é de ansiedade.

Para os canadenses, a Copa é uma oportunidade única de celebração coletiva. Em um país onde quase metade dos residentes nasceu no exterior, a paixão pelo futebol tem seu espaço cativo. "Assim que o apito inicial soar, as pessoas vão encarar as próximas semanas como uma das maiores oportunidades esportivas que nossa nação já viu", projeta Adam van Koeverden, secretário de Esportes do Canadá.

Naturalmente, a invasão de turistas testará a elogiada infraestrutura local. Filas inéditas em estabelecimentos e um trânsito mais denso são esperados, mas a promessa das autoridades é responder a esses imprevistos com hospitalidade e organização.

FESTA DE ABERTURA

A jornada começa oficialmente nesta sexta-feira em Toronto, a metrópole mais populosa do país, com seus 3 milhões de habitantes. Antes de a bola rolar para Canadá e Bósnia, a cerimônia de abertura promete um espetáculo de som e representatividade. Sob o comando do ator e humorista canadense Will Arnett, o hino dos donos da casa será entoado pela icônica Alanis Morissette, enquanto a torcida visitante ouvirá a interpretação de Aleksandar Gajic.

O palco ainda receberá um elenco estelar e plural, incluindo Michael Bublé, Alessia Cara, Jessie Reyez, William Prince, Nora Fatehi, a cantora palestina Elyanna, o francês Vegedream e o DJ bengali Sanjoy.

Na costa oeste, Vancouver aposta em sua vanguarda cultural e arquitetônica para encantar os visitantes. nesta quinta-feira (11), enquanto o México vencia a África do Sul na abertura geral do torneio, o novo anfiteatro da cidade - uma joia de quase R$ 1 bilhão localizada no Pacific National Exhibition Grounds - ficou completamente lotado para a transmissão em telões gigantes, dando o tom da festa que está por vir.

OS DESAFIOS NOS BASTIDORES

Nem tudo, porém, são flores. Os gastos relacionados à Copa do Mundo geraram debates intensos na sociedade canadense. Há ainda desconfiança sobre o retorno que o evento pode trazer ao país, além das críticas sobre os preços dos ingressos, algo que também foi discutido nas sedes de Estados Unidos e México.

Um relatório divulgado no mês passado revelou o tamanho do esforço financeiro: o governo federal injetou 473 milhões de dólares (R$ 2,4 bilhões) no projeto, somados a um valor superior a 500 milhões de dólares (cerca de R$ 3 bilhões) financiados pelas províncias e municípios para readequar as cidades-sede. Adam van Koeverden diz que todo esse investimento vale a pena. "Aprimoramos a infraestrutura em Toronto e Vancouver", rebate o secretário de Esportes canadense.

A BUSCA PELA HISTÓRIA EM CAMPO

Se fora das quatro linhas o foco é a organização, dentro delas a seleção canadense busca algo inédito. Longe do favoritismo ao título, o principal objetivo é fazer história: conquistar a primeira vitória do país em uma Copa do Mundo masculina.

Para isso, o elenco aposta em sua própria identidade. A seleção canadense é o espelho exato da diversidade encontrada na população. O talentoso Jonathan David é filho de haitianos, nasceu em Nova York e imigrou para o Canadá na infância. Já o grande astro do time, Alphonso Davies, nasceu em um campo de refugiados em Gana e encontrou na América do Norte um novo lar aos cinco anos de idade.

Mais do que pontos na tabela, o técnico Jesse Marsch sabe que sua equipe joga por algo maior. "Com este grupo, o nível que acreditamos ser capazes de alcançar está subindo a cada dia", afirmou o treinador, que espera deixar um legado para as novas gerações.