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Dez anos depois, Messi reencontra palco onde disse adeus à seleção

por Folhapress
Publicado em 16/07/2026 às 08:33
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - MetLife Stadium, 26 de junho de 2016. O estádio foi palco de uma das mais dolorosas derrotas da carreira de Lionel Messi, a final da Copa América Centenário, contra o Chile.

"Já tentei muito. Me dói mais em mim que a qualquer um não poder ser campeão com a Argentina. Mas é assim: não deu e infelizmente vou [me aposentar] sem conseguir", desabafou o camisa 10 após a decepção na decisão em Nova Jersey, quando anunciou sua aposentadoria pela seleção.

Àquela altura, a Argentina não conquistava um título há 23 anos, e recaía sobre Messi a pressão para encerrar o jejum de mais de duas décadas. Em seu país, o chamavam de "peito frio", e diziam que, por ter vivido desde a adolescência na Espanha, ele não sentia a camisa azul e branca.

MetLife Stadium, 19 de julho de 2026. Uma década depois, o cenário é totalmente diferente: o craque soma quatro títulos pela seleção, e, mesmo aos 39 anos, carregou a equipe a mais uma final da Copa do Mundo. Foram oito bolas na rede e quatro assistências, participando de gols em todos os sete jogos do Mundial.

Agora, Messi volta ao palco que o fez duvidar de sua carreira pela Argentina dez anos atrás. No mesmo estádio, poderá encerrar seu ciclo pela seleção com um feito que nem Pelé nem Maradona conseguiram: vencer duas finais de Copa do Mundo seguidas, consagrando uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol.

POR QUE A FINAL DE 2016 PESOU TANTO

A final da Copa América Centenário, em 2016, teve um peso especial para a decisão da aposentadoria de Lionel Messi por diversos fatores. Pela seleção, o camisa 10 já havia perdido três finais, e a decisão em Nova Jersey era mais uma oportunidade de encerrar o longo jejum argentino sem títulos.

Além das constantes críticas que recebia, a derrota na decisão contra os chilenos não só representou a quarta final perdida - e terceira seguida - de Messi: além disso, naquela oportunidade, o argentino isolou sua cobrança na disputa por pênaltis, sendo decisivo na derrota para o Chile. Assim, sacramentou sua sequência de decepções com a camisa azul e branca.

O alongamento da seca de conquistas e a responsabilidade maior pela derrota, dado o pênalti perdido, levaram Messi à frustração. "A seleção acabou para mim. Como eu disse, são quatro finais [perdidas]. Não é para mim. Infelizmente tentei, era o que mais desejava. Não deu", afirmou o craque após o jogo.

Antes da derrota em 2016, Messi já havia perdido na decisão da Copa do Mundo de 2014 e em duas finais da Copa América (2007 e 2015).

O QUE FEZ MESSI VOLTAR

Quem o convenceu a voltar à seleção foi o treinador Edgardo Bauza, que havia acabado de assumir a seleção argentina.

Ciente da importância de Messi para a equipe, o técnico viajou para a Espanha e argumentou ao camisa 10 que ele era necessário para o projeto de uma Argentina vencedora. A conversa ocorreu em um almoço, após um treinamento do atacante pelo Barcelona.

No primeiro jogo após o retorno, Messi marcou um gol e decidiu a vitória por 1 a 0 no clássico contra Uruguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.