'Despedida dolorosa': o que Bielsa disse sobre o Uruguai em coletiva de 2h
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O treinador Marcelo Bielsa concedeu uma entrevista coletiva de quase duas horas de duração nesta terça-feira, após a eliminação precoce do Uruguai na fase de grupos da Copa do Mundo. O técnico argentino falou em tom de despedida, ainda que a Associação Uruguaia de Futebol (AUF) não tenha anunciado oficialmente sua saída, e esclareceu polêmicas que rondaram a seleção durante o torneio.
FIM DE CICLO?
Bielsa iniciou a coletiva com um breve discurso e lamentou o resultado negativo no Mundial. "Sinto que decepcionamos os torcedores, e isso gera uma frustração muito grande. Era totalmente inesperado que terminássemos nessa posição; era difícil imaginar isso. É uma queda que ninguém consegue aceitar ou suportar", disse o técnico.
Depois, o argentino citou uma "despedida muito dolorosa". Sua saída não foi confirmada pela AUF, mas a tendência é que seu contrato não seja renovado para um novo ciclo.
"Para mim, esta despedida é muito dolorosa pelas expectativas que criei quando assumi este projeto, pela forma como tudo terminou e pelo esforço no qual acabei envolvendo muitas pessoas, especialmente os jogadores", disse Bielsa, em entrevista coletiva.
RELACIONAMENTO COM JOGADORES
O técnico admitiu que não conseguiu criar uma boa relação com os atletas durante a sua passagem pela seleção. No entanto, negou que isso tenha influenciado nos resultados da equipe na competição.
"Disse em algum momento que tinha bom relacionamento? Então. Cativei os jogadores? Não. Os jogadores estavam tranquilos comigo? Não. O único que disse é que a relação com os jogadores não foi obstáculo para a equipe merecer o que era necessário. Nada mais que isso. Qual é a contradição? Se há alguma contradição do que disse...", disse o treinador.
ATUAÇÕES DE MUSLERA
Bielsa explicou que Fernando Muslera teve febre antes da partida decisiva contra a Espanha e citou uma atitude de "grandeza" do goleiro. Ele voltou a dizer que partiu do jogador a decisão de dar lugar a Sergio Rochet na meta uruguaia no intervalo do jogo.
No dia anterior, o Muslera estava com 38,1°C de febre, e eu obviamente estava informado sobre isso. No dia da partida, ele já não tinha febre e estava totalmente disposto a jogar. Não apresentava sintomas, dores nem qualquer redução da capacidade física.
Quero comentar algo que demonstra a grandeza do Muslera: nunca havia acontecido comigo de um jogador pedir para ser substituído e explicar que o motivo era o impacto emocional dos erros que havia cometido. O Muslera me disse que estava tão abalado pelo erro que cometeu, provavelmente também em razão de situações anteriores, que preferia sair de campo, porque entendia que as chances do grupo permaneciam intactas. Marcelo Bielsa, em entrevista coletiva
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