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Crise na Coreia do Sul após Copa teve sua versão na Coreia do Norte em 2010

por Folhapress
Publicado em 03/07/2026 às 13:54
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A eliminação da Coreia do Sul na primeira fase da Copa do Mundo de 2026 desencadeou uma crise que ultrapassou os gramados. O fracasso da seleção motivou críticas do presidente da República, uma investigação sobre a federação e ameaças ao técnico demitido.

A reação lembra episódio vivido pela vizinha Coreia do Norte após a Copa de 2010, quando jogadores e integrantes da comissão técnica foram submetidos a punições e sessões públicas de críticas depois do retorno ao país.

Adversária do Brasil na Copa sediada na África do Sul, a seleção da Coreia do Norte teria sido recebida na capital Pyongyang com castigos pelo delito de trair a confiança de Kim Jong-il, então chefe de Estado do país.

Relatos transmitidos à época pela Rádio Free Asia informaram que a comissão técnica e elenco ficaram por seis horas em posição de sentido ouvindo insultos de 400 integrantes do governo em frente ao Palácio da Cultura Popular. O treinador da equipe, Jong Hun Kim, também teria sido forçado a realizar trabalhos na construção civil.

A federação norte-coreana negou à Fifa, ainda em 2010, que jogadores e comissão técnica tenham sofrido sanções ou represálias pelo fiaco na Copa -três derrotas em três partidas.

EMPOLGAÇÃO DE KIM JON-IL APÓS DERROTA POR APENAS 2 A 1 PARA O BRASIL

O ditador Kim Jong-il (morto em 2011 e sucedido pelo filho Kim Jong-un) viu a estreia do país na competição com otimismo, apesar da derrota por 2 a 1 para a seleção brasileira, com gols de Maicon e Elano.

Por isso, no segundo jogo, contra Portugal, decidiu liberar a transmissão ao vivo, fato inédito no país. Antes, a televisão estatal estava autorizada a veicular apenas os melhores momentos dos triunfos da equipe.

No entanto, Cristiano Ronaldo e Liédson, brasileiro naturalizado português, estragaram a felicidade do então chefe de Estado e golearam a Coreia do Norte por 7 a 0.

O elenco ainda sofreria um terceiro revés, dessa vez contra a Costa do Marfim, por 3 a 0.

Ao retornar para o país, o jogador Jong Tae-se, estrela da equipe, teria se livrado de punições por ter chorado durante a execução do hino nacional da Coreia do Norte, antes do confronto contra a seleção brasileira.

Os dirigentes do regime ditatorial hereditário esperavam que a seleção ao menos repetisse a campanha de 1966, quando, em sua única participação anterior em Copas, a Coreia do Norte eliminou a Itália na fase de grupos e chegou às quartas de final. Na ocasião, acabou derrotada por Portugal, liderado por Eusébio, por 5 a 3, depois de abrir três gols de vantagem.

INVESTIGAÇÃO DA FIFA

As ações de Kim Jong-il levaram a Fifa a abrir investigações anunciadas pelo então presidente Joseph Blatter. O primeiro passo foi mandar uma carta para a Confederação Norte-Coreana de Futebol cobrando explicações sobre as supostas represálias.

"Uma vez tivemos um caso em outro país em que se dizia que jogadores também foram condenados, sob pressão física, e enviamos alguém, e isso não era verdade", disse Blatter durante um evento da FIFA realizado em Singapura.

Poucos dias depois, a entidade, por meio de nota, disse que "os norte-coreanos asseguraram que nenhuma sanção foi imposta e que as informações divulgadas não têm fundamento. A federação norte-coreana assegura que o técnico e todos os outros membros da equipe nacional estão treinando normalmente. A associação também indicou que não houve sanções ao treinador e que essas informações são infundadas".