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Copa pode ter adeus da grande geração belga que só brilhou contra o Brasil

por Folhapress
Publicado em 01/07/2026 às 10:58
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O relógio da geração de ouro da Bélgica está cada vez mais perto de zerar.

A Bélgica entra em campo contra Senegal nesta quarta-feira (1º) às 17h, no Lumen Field, em Seattle, carregando mais do que a pressão de um mata-mata de Copa do Mundo, mas também o peso do que pode acabar sendo o último capítulo de uma geração repleta de entusiasmo, mas que pouco entregou no maior palco do futebol.

ALGOZ BRASILEIRO

Por quase uma década, a chamada "geração de ouro" belga foi tratada como uma das seleções mais talentosas do futebol mundial. Nomes como Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Eden Hazard e Thibaut Courtois colocaram o país em um patamar raramente visto em sua história.

Era um elenco técnico, experiente e profundo —capaz de competir de igual para igual com qualquer potência.

O auge veio na Rússia, em 2018. Aquela Bélgica encantou. Após uma campanha sólida na fase de grupos, protagonizou uma virada histórica sobre o Japão nas oitavas, vencendo por 3 a 2 depois de estar perdendo por dois gols.

E nas quartas, veio a atuação que marcou a geração —especialmente para o torcedor brasileiro.

Contra o Brasil, os belgas fizeram uma partida de altíssimo nível. Neutralizaram os pontos fortes da seleção de Tite, foram letais nos contra-ataques e venceram por 2 a 1, eliminando a seleção brasileira e se credenciando como candidatos reais ao título.

O gol contra de Fernandinho e o golaço de De Bruyne simbolizaram uma noite em que a Bélgica finalmente admitiu o rótulo de candidata para conquistar o mundo.

Mas o sonho parou na semifinal. Diante da França, futura campeã, a Bélgica perdeu por 1 a 0 em um jogo equilibrado e viu escapar talvez a maior chance de sua história. Ainda terminou com o terceiro lugar — a melhor campanha belga em Copas—, mas a sensação era de que aquele elenco merecia mais.

Desde então, porém, a curva foi descendente.

"ESTAMOS MUITO VELHOS"

No Qatar, quatro anos depois, a queda foi abrupta. A Bélgica chegou cercada por dúvidas, conflitos internos e sinais claros de desgaste físico e técnico de seus principais nomes. O resultado foi desastroso: eliminação ainda na fase de grupos.

Havia relatos de desgaste entre veteranos da geração de ouro e os mais jovens, desde discussões internas entre lideranças do elenco até contradições públicas diante das câmeras.

Talvez um dos momentos mais marcantes à época tenha vindo ainda antes da Copa, quando De Bruyne afirmou que a Bélgica não tinha chances reais de ser campeã por estar "muito velha". A declaração repercutiu, por óbvio, e virou símbolo do declínio da geração.

"Sem chances. Estamos muito velhos", disse Kevin De Bruyne, ao 'The Guardian', sobre chances da seleção belga ser campeã no Qatar.

E De Bruyne, no final das contas, estava certo. Os belgas praticamente não tiveram chances.

CHANCE DE OURO

E o 2026 da Bélgica, até aqui, também não inspira confiança.

Os Diabos Vermelhos estrearam empatando em 1 a 1 com o Egito e voltaram a tropeçar ao ficar no 0 a 0 com o Irã, nas duas primeiras rodadas —dois resultados bem decepcionantes. A classificação em primeiro lugar veio só na rodada final, ao vencer a modesta Nova Zelândia por 5 a 1. Classificação confirmada— mas sem convencer.

De Bruyne segue sendo o cérebro da seleção e, tecnicamente, ainda é o símbolo máximo da geração, mas longe do auge físico de anos anteriores. Lukaku, por sua vez, continua sendo referência ofensiva, mas também convive com desgaste, lesões, oscilações e sequer é titular absoluto atualmente. Outros pilares de 2018, ainda, ou ficaram pelo caminho ou perderam protagonismo.

Por isso, o duelo contra Senegal ganha contornos ainda maiores. Uma eliminação nesta quarta-feira (1º) pode simbolizar o fim do sonho para De Bruyne, Lukaku e companhia. Mesmo que alguns nomes sigam no ciclo, a espinha dorsal que sustentou a melhor Bélgica da história dificilmente estará mantida em 2030.

Por anos, o rótulo da Bélgica foi dourado —mas o ouro da taça do mundo, até agora, não veio.