Copa pode ter adeus da grande geração belga que só brilhou contra o Brasil
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O relógio da geração de ouro da Bélgica está cada vez mais perto de zerar.
A Bélgica entra em campo contra Senegal nesta quarta-feira (1º) às 17h, no Lumen Field, em Seattle, carregando mais do que a pressão de um mata-mata de Copa do Mundo, mas também o peso do que pode acabar sendo o último capítulo de uma geração repleta de entusiasmo, mas que pouco entregou no maior palco do futebol.
ALGOZ BRASILEIRO
Por quase uma década, a chamada "geração de ouro" belga foi tratada como uma das seleções mais talentosas do futebol mundial. Nomes como Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Eden Hazard e Thibaut Courtois colocaram o país em um patamar raramente visto em sua história.
Era um elenco técnico, experiente e profundo capaz de competir de igual para igual com qualquer potência.
O auge veio na Rússia, em 2018. Aquela Bélgica encantou. Após uma campanha sólida na fase de grupos, protagonizou uma virada histórica sobre o Japão nas oitavas, vencendo por 3 a 2 depois de estar perdendo por dois gols.
E nas quartas, veio a atuação que marcou a geração especialmente para o torcedor brasileiro.
Contra o Brasil, os belgas fizeram uma partida de altíssimo nível. Neutralizaram os pontos fortes da seleção de Tite, foram letais nos contra-ataques e venceram por 2 a 1, eliminando a seleção brasileira e se credenciando como candidatos reais ao título.
O gol contra de Fernandinho e o golaço de De Bruyne simbolizaram uma noite em que a Bélgica finalmente admitiu o rótulo de candidata para conquistar o mundo.
Mas o sonho parou na semifinal. Diante da França, futura campeã, a Bélgica perdeu por 1 a 0 em um jogo equilibrado e viu escapar talvez a maior chance de sua história. Ainda terminou com o terceiro lugar a melhor campanha belga em Copas, mas a sensação era de que aquele elenco merecia mais.
Desde então, porém, a curva foi descendente.
"ESTAMOS MUITO VELHOS"
No Qatar, quatro anos depois, a queda foi abrupta. A Bélgica chegou cercada por dúvidas, conflitos internos e sinais claros de desgaste físico e técnico de seus principais nomes. O resultado foi desastroso: eliminação ainda na fase de grupos.
Havia relatos de desgaste entre veteranos da geração de ouro e os mais jovens, desde discussões internas entre lideranças do elenco até contradições públicas diante das câmeras.
Talvez um dos momentos mais marcantes à época tenha vindo ainda antes da Copa, quando De Bruyne afirmou que a Bélgica não tinha chances reais de ser campeã por estar "muito velha". A declaração repercutiu, por óbvio, e virou símbolo do declínio da geração.
"Sem chances. Estamos muito velhos", disse Kevin De Bruyne, ao 'The Guardian', sobre chances da seleção belga ser campeã no Qatar.
E De Bruyne, no final das contas, estava certo. Os belgas praticamente não tiveram chances.
CHANCE DE OURO
E o 2026 da Bélgica, até aqui, também não inspira confiança.
Os Diabos Vermelhos estrearam empatando em 1 a 1 com o Egito e voltaram a tropeçar ao ficar no 0 a 0 com o Irã, nas duas primeiras rodadas dois resultados bem decepcionantes. A classificação em primeiro lugar veio só na rodada final, ao vencer a modesta Nova Zelândia por 5 a 1. Classificação confirmada mas sem convencer.
De Bruyne segue sendo o cérebro da seleção e, tecnicamente, ainda é o símbolo máximo da geração, mas longe do auge físico de anos anteriores. Lukaku, por sua vez, continua sendo referência ofensiva, mas também convive com desgaste, lesões, oscilações e sequer é titular absoluto atualmente. Outros pilares de 2018, ainda, ou ficaram pelo caminho ou perderam protagonismo.
Por isso, o duelo contra Senegal ganha contornos ainda maiores. Uma eliminação nesta quarta-feira (1º) pode simbolizar o fim do sonho para De Bruyne, Lukaku e companhia. Mesmo que alguns nomes sigam no ciclo, a espinha dorsal que sustentou a melhor Bélgica da história dificilmente estará mantida em 2030.
Por anos, o rótulo da Bélgica foi dourado mas o ouro da taça do mundo, até agora, não veio.