Copa de 48 seleções fica marcada por recordes e 'proteção' aos favoritos
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história como a primeira com 48 seleções e trouxe novidades em sua dinâmica. Com um número maior de seleções e o aumento de jogos de 64 para 104, recordes foram pulverizados ainda na primeira fase, enquanto o formato renovado criou uma proteção para os grandes favoritos ao título terem uma primeira fase confortável.
Com tantas partidas em disputa, os recordes da competição começaram a cair ainda na fase de classificação. O histórico público de 3,5 milhões de espectadores -estabelecido na edição de 1994, também nos Estados Unidos -acabou sendo ultrapassado durante os confrontos entre Equador e Alemanha e Curaçao contra Costa do Marfim, válidos pela última rodada do Grupo E.
Pouco depois, o recorde de maior número de gols em uma única Copa também foi batido. Os 172 do Mundial de 2022, no Qatar, ficaram para trás no 59º jogo do torneio de 2026, no exato momento em que o norte-americano Auston Trusty marcou contra a Turquia. Após o fim da primeira fase, a competição tem 215 gols em 72 partidas, uma média de 2.99, bem acima dos 2.68 da última edição.
As façanhas trouxeram uma reação do presidente da Fifa, o italiano Gianni Infantino, responsável por essa expansão da Copa do Mundo para 48 seleções.
"Superar a marca anterior de 172 gols, estabelecida no Qatar, ressalta a emoção e o poder ofensivo que já tornaram a Copa do Mundo tão inesquecível", disse Gianni Infantino, em publicação na sua rede social.
A expansão para 48 equipes trouxe mais conforto aos favoritos, permitindo que todas as potências garantissem suas vagas para a próxima etapa. Isso não havia acontecido nas últimas quatro edições do Mundial, sobretudo pela ascensão de equipes consideradas médias, como Croácia e Marrocos.
A Alemanha, por exemplo, vinha de duas eliminações consecutivas e traumáticas na fase de grupos, em 2018 e 2022. No Mundial do Brasil, em 2014, três gigantes se despediram precocemente: Espanha, Inglaterra e Portugal. Em 2010, na África do Sul, foi a vez da França protagonizar o vexame de voltar para casa mais cedo.
Em 2026, o cenário foi de absoluta regularidade para o primeiro escalão: Brasil, Alemanha, Holanda, Bélgica, Espanha, França, Argentina e Inglaterra avançaram de fase na liderança isolada de seus respectivos grupos. Portugal foi a única entre as grandes potências que se classificou na segunda posição de sua chave, ficando atrás da Colômbia no Grupo K, mas ainda assim passou sem correr riscos. A maior surpresa dessa etapa inicial acabou sendo a eliminação do Uruguai, que perdeu a vaga para Cabo Verde, embora os sul-americanos não figurassem na lista dos principais favoritos ao troféu.
O regulamento mais amplo também abriu as portas para que um número maior de equipes sem tradição fizesse história ao superar, de forma inédita, a primeira fase. Em 2026, Egito, Costa do Marfim, Canadá e RD do Congo quebraram seus históricos negativos em Mundiais e asseguraram uma vaga inédita em um duelo eliminatório. O feito foi ainda mais marcante para a seleção de Cabo Verde, que carimbou sua classificação logo em sua estreia absoluta em Copas do Mundo.
Outro tempero especial ficou na definição das vagas para os oito melhores terceiros colocados, com contornos de agonia e emoção em 2026. Esse formato não é uma novidade nos Mundiais, pois havia sido utilizado na versão com 24 seleções, mas foi abandonado na expansão para 32 equipes. Agora, a proporção da disputa foi muito maior. Equipes como Coreia do Sul e Escócia, por exemplo, encerraram suas participações em campo na quarta-feira, dia 24, e foram obrigadas a enfrentar uma tensa espera até ontem para finalmente serem eliminadas do torneio.