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Copa 2026: técnicos argentinos brilham e são um quarto dos 16 nas oitavas

por Folhapress
Publicado em 04/07/2026 às 13:51
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Com o início das oitavas de final da Copa do Mundo mais extensa da história, resta apenas um terço das seleções. Quatro delas são comandadas por treinadores da Argentina, país com maior número de técnicos no Mundial - foram seis, ao todo. Isso representa 25% dos treinadores vivos no torneio no momento.

Até agora, com 32 das 48 equipes já eliminadas, é possível dizer que a campanha desses argentinos é um sucesso. Se considerado todo o mata-mata, cinco dos seis comandantes citados avançaram dos grupos à segunda fase.

Os grandes destaques ficam para Mauricio Pochettino e Gustavo Alfaro. Não apenas estão vivos na competição como se saíram bem em duas chaves -do ótimo desempenho dos Estados Unidos à classificação heroica do Paraguai diante da Alemanha, na segunda fase.

Entre as decepções, o desempenho do Uruguai de Marcelo Bielsa é unânime. Para além das partidas ruins, veiculou-se na imprensa uruguaia uma crise no elenco da Celeste. Em entrevista coletiva após a eliminação precoce, o treinador falou sobre a má relação com os atletas.

"Disse em algum momento que tinha bom relacionamento? Então. Cativei os jogadores? Não. Os jogadores estavam tranquilos comigo? Não", disse o técnico.

Neste sábado (4), com o pontapé inicial para as oitavas de final, começa um novo desafio para aqueles que restaram na competição: garantir-se entre as oito melhores seleções da Copa. Veja como se saíram os treinadores argentinos até agora.

MAURICIO POCHETTINO (EUA): CAMPANHA DOMINANTE EM CASA

Com a responsabilidade de comandar uma seleção do país-sede, Pochettino não decepcionou e exibiu um ótimo desempenho desde o primeiro minuto de Copa. A goleada contra o Paraguai abriu os caminhos para uma campanha que, até agora, é de domínio no Mundial. Os norte-americanos ainda ganhariam da Austrália e, já classificados, perderam em partida eletrizante contra a Turquia - que, porém, não tirou o primeiro lugar dos EUA.

Na segunda fase, ante a Bósnia, novamente uma vitória bem administrada e tranquila (2 a 0) levou os Estados Unidos às oitavas e ao seu maior desafio no Mundial: encarar a Bélgica nas oitavas e levar o time pela segunda vez às quartas de final, o melhor resultado da seleção desde 1934. O destaque dos EUA fica para o decisivo Balogun, autor de três gols no Mundial. Em entrevista, o técnico argentino exaltou o elenco:

Estou muito orgulhoso. Os jogadores merecem tudo. A forma como competimos contra uma equipe muito boa e muito difícil é motivo de orgulho.

Mauricio Pochettino

GUSTAVO ALFARO (PARAGUAI): INÍCIO DIFÍCIL E VITÓRIA HEROICA CONTRA OS TETRACAMPEÕES

Emoção tem sido a trilha da caminhada paraguaia na Copa. Se a goleada sofrida contra os EUA logo na estreia não abalou o time vermelho e branco, sua força se provou diante de uma tetracampeã mundial no mata-mata: o Paraguai chegou a abrir o placar contra os alemães, sofreu o empate pouco depois e segurou o resultado para avançar nos pênaltis por 4 a 3.

Para chegar à segunda fase, a equipe repleta de atletas do Brasileirão teve de vencer a Turquia e empatar sem gols com a Austrália para superar a dura derrota na estreia e assegurar a classificação. Até o momento, apesar da goleada sofrida na estreia, a força paraguaia se mostrou no setor defensivo. Nos três jogos seguintes, o time soube se fechar, se superou com uma vitória magra e dois empates e sofreu apenas um gol.

LIONEL SCALONI (ARGENTINA): MANUTENÇÃO DE UM TRABALHO VENCEDOR

Liderada por Messi, a Scaloneta já vinha de anos de ouro desde 2021, com ótimo retrospecto e quatro títulos conquistados. Na fase de grupos, não decepcionou: foram três vitórias em três jogos, com oito gols marcados e apenas um sofrido. Lionel Scaloni manteve a base do elenco das últimas conquistas, e o time tem correspondido em campo: também fortes na marcação, os argentinos retêm a posse de bola com facilidade e são letais ao atacar, apostando na verticalidade das jogadas e nos passes entre linhas. Destaque para Messi, agora autor de sete gols e artilheiro da competição.

Na segunda fase, porém, a Albiceleste assustou. As falhas defensivas nos gols sofridos contra Cabo Verde quase levaram o confronto aos pênaltis. De todo modo, os atuais campeões seguem com 100% de aproveitamento após a vitória por 3 a 2 e avançam às oitavas de final.

NÉSTOR LORENZO (COLÔMBIA): 1º LUGAR EM GRUPO DIFÍCIL E FUTEBOL EFICIENTE NA 2ª FASE

No Grupo K, a Colômbia até começou entre as favoritas a passar de fase, mas o desafio era fechar a chave em primeiro lugar, à frente de Portugal. E a equipe de Néstor Lorenzo conseguiu: após vitórias contra RD Congo e Uzbequistão, os colombianos empataram por 0 a 0 contra os portugueses - com superioridade no confronto, inclusive - e ficaram em primeiro.

Na segunda fase, diante de Gana, a Colômbia priorizou a eficiência em campo. A vitória por 1 a 0, gol do palmeirense Jhon Arias no começo do primeiro tempo, deixou o time sul-americano a um passo de repetir o melhor desempenho na história das Copas, alcançando as quartas de final da edição de 2014 no Brasil.

MARCELO BIELSA (URUGUAI): QUEDA PRECOCE E CRISE ENTRE TÉCNICO E ELENCO

A provável última Copa de Bielsa foi a pior possível: eliminação precoce em um grupo considerado simples, saída sem vitórias e crise entre treinador e elenco. Além dos problemas de relação admitidos em entrevista coletiva, Bielsa relatou também, diante de uma crítica recebida pelo "excesso de informações", ter de diminuir sensivelmente a quantidade de instruções passadas aos atletas.

Neste contexto, o que se viu em campo foi um Uruguai pouco criativo e com falhas defensivas fatais para os resultados da equipe: dois empates com Arábia Saudita e Cabo Verde e, na última rodada, a derrota por 1 a 0 para a Espanha. Destaque negativo para o goleiro Muslera, que falhou nos três jogos e teve forte influência na eliminação uruguaia com o terceiro lugar da chave.

SEBASTIÁN BECCACECE (EQUADOR): VAGA HISTÓRICA E ELIMINAÇÃO DECEPCIONANTE

A campanha do Equador de Beccacece foi aquém das expectativas, de modo geral. Começando com uma derrota contra a Costa do Marfim e um empate sem gols contra Curaçao, o time dava mostras de fragilidade na fase de grupos.

Na terceira rodada, a agônica virada contra a Alemanha, porém, pareceu indicar novos rumos aos equatorianos, seja pela importância do adversário ou pela resiliência dos equatorianos em buscar um resultado histórico (a primeira vitória contra alemães, a segunda vaga em um mata-mata de Copas). Mas não foi o que se viu em campo na sequência: o México foi plenamente superior no mata-mata e venceu o Equador com um tranquilo 2 a 0. Despedida amarga após a classificação épica na fase de grupos.

PAÍSES COM MAIS TÉCNICOS NA COPA

Para se ter uma ideia do mérito dos técnicos argentinos até o momento, depois da Argentina, o país que mais teve treinadores na Copa do Mundo foi a França, com cinco.

E, entre os franceses, apenas dois seguem vivos no Mundial: Didier Deschamps, técnico da França, e Rudi García, da Bélgica.

Completam a lista dos países com mais treinadores a Espanha (quatro), a Itália (três) e a Alemanha (três).

Dois espanhóis - Luis de la Fuente, da Espanha, e Roberto Martínez, de Portugal, que se enfrentaram nas oitavas - também avançaram, além de um italiano (Carlo Ancelotti, do Brasil) e um alemão (Thomas Tuchel, da Inglaterra).