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Como o Paraguai segurou a França em campo e o que os rivais podem aprender

por Folhapress
Publicado em 05/07/2026 às 12:23
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FILADÉLFIA, EUA, E SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Para uns, a única estratégia possível para enfrentar um adversário bem mais forte. Para outros, antijogo que deve ser combatido. A postura do Paraguai diante da França dividiu opiniões. Mas é fato que o time sul-americano conseguiu segurar a França em campo (na bola ou na falta dela) e dificultar a vida da principal favorita ao título da Copa do Mundo.

A estratégia do técnico Gustavo Alfaro era clara: armar uma forte retranca. Postou uma defesa bem fechada com linha de cinco e fez uma marcação muito intensa nos principais nomes franceses, muitas vezes com dobra na marcação.

Craques como Olise, Dembélé e Mbappé não conseguiram jogar, sofreram para trocar passes, associar e, especialmente, entrar na área. Especialmente Olise e Dembélé, que se revezavam entre o centro do campo e a ponta direita e se deparavam com dois adversários prontos para não deixá-los jogar.

A execução desta parte da estratégia foi muito bem feita e pode servir como inspiração para adversários da França.

A dificuldade de entrar na área foi tamanha que o jogo reverteu uma tendência nas finalizações da equipe na Copa. Pela primeira vez, a França teve mais finalizações de fora da área do que dentro da área. Foi também a partida com maior número de cruzamentos do ataque francês.

No duelo válido pelas oitavas de final, a França teve 15 finalizações no total (sendo cinco na direção do gol), cinco finalizações dentro da área e dez finalizações fora da área. Foram também 23 cruzamentos.

Já na partida válida pela segunda fase contra a Suécia, a França chutou a gol bem mais: 25 finalizações (12 na direção do gol), 16 finalizações dentro da área e nove finalizações fora da área. O número de cruzamentos diminuiu: 16.

Considerando a fase de grupos, a estreia contra Senegal foi a partida em que o time de Deschamps menos finalizou:11 finalizações (8 na direção do gol). Mas ainda assim, os arremates aconteceram mais dentro da área (sete) que fora (quatro). A França fez nove cruzamentos: 9.

Diante do Iraque, 19 finalizações, 12 dentro da área e 7 fora, além de 14 cruzamentos. E contra a Noruega, 18 finalizações, sendo dez perto do gol oito fora. O total de cruzamentos foi nove.

É bem verdade que nas raríssimas vezes em que teve a bola, o Paraguai não soube o que fazer com ela e que, mesmo nos dias de maior dificuldade, a França tem vários coelhos da cartola de onde tirar.

No duelo foi Desiré Doué que entrou no lugar de Barcola. Diferentemente do companheiro que gosta de campo para correr, Doué tem habilidade com bola nos pés a ponto de sofrer o pênalti decisivo no segundo tempo.

O Paraguai também adotou uma estratégia questionada de catimba, inclusive com jogador pisando na marca da cal na hora do pênalti, e provocações. Muitas delas com Mbappé como alvo. Mbappé mostrou serenidade ao marcar de pênalti para fazer o sétimo gol dele na Copa do Mundo, mas demonstrou irritação em muitos momentos da partida pela postura dos adversários.

Ele se recusou a cumprimentar o goleiro paraguaio Orlando Gill e deu risadas diante dos adversários. "Se tivermos que sujar as mãos, sabemos como fazer. Sabemos jogar futebol sujo. Eles pensaram que íamos chegar e jogar de smoking, mas estávamos lá", afirmou ele, após a partida.

Do outro lado, o meia Mauricio, do Palmeiras, negou qualquer desrespeito ao adversário. "Não é anti-jogo, a gente tinha uma forma de defender muito clara. Nunca querendo machucar ou causar dano para os jogadores da seleção deles. Nossa identidade sempre foi marcação forte e disputar jogada. Não foi com maldade em nenhum lance. A gente procurou ao máximo fazer de acordo com jogo, mas nunca de forma desrespeitosa", disse.

De fato, em termos disciplinares o jogo foi equilibrado. O Paraguai cometeu 13 faltas e a França 11. Os franceses levaram três cartões amarelos e o Paraguai, nenhum.