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Como foi a batalha representada na camisa do Haiti que irritou a Fifa

por Folhapress
Publicado em 11/06/2026 às 12:11
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(UOL/FOLHAPRESS) - A seleção do Haiti precisou mudar às pressas a sua camisa de jogo para a estreia da Copa do Mundo 2026 depois de uma exigência da Fifa. O principal elemento da polêmica foi uma ilustração inspirada na Batalha de Vertières, na parte inferior do lado direito da camisa. A Fifa solicitou alterações na camisa após considerar que alguns elementos poderiam ser interpretados como uma mensagem política.

O QUE FOI A BATALHA

O confronto, ocorrido em 1803, foi decisivo para a independência do Haiti em relação à França. A Batalha de Vertières aconteceu em 18 de novembro de 1803, perto de Cap-Français, norte do Haiti —então colônia francesa de Saint-Domingue. Foi o confronto final da Revolução Haitiana, iniciada em 1791 por escravizados contra o domínio francês.

Os haitianos, liderados por Jean-Jacques Dessalines, enfrentaram as tropas de Napoleão Bonaparte, então imperador da França. Comandadas pelo Conde de Rochambeau, as forças francesas buscavam reconquistar a colônia e restaurar a escravidão.

Os haitianos atacaram o Forte Vertières e superaram os franceses mesmo em desvantagem numérica. Um episódio em especial marcou a batalha: François Capois, que viria a se tornar herói, teve seu cavalo morto por tiros franceses; mesmo assim, ele se levantou, brandiu a espada e continuou avançando aos gritos de "Avante". Uma tempestade ainda ajudou os haitianos, levando à derrota francesa após combates intensos.

"Um dos momentos mais lendários do dia foi quando François Capois, mais tarde chamado de Capois-la-Mort, liderou um ataque sob uma chuva de balas. Seu cavalo foi atingido e seu chapéu arrancado -mesmo assim, ele continuou avançando, espada em riste. Num momento de galanteria surreal em plena batalha, Rochambeau ordenou um cessar-fogo temporário para homenagear a bravura de Capois antes que os combates fossem retomados", afirma o Haitian Times.

A vitória forçou a rendição francesa e abriu caminho para a independência do Haiti, proclamada em 1º de janeiro de 1804. O Haiti tornou-se o primeiro país independente da América Latina e a primeira república negra do mundo.

ENTENDA A POLÊMICA

Para a Fifa, a ilustração viola as regras para equipamentos. Em seu regulamento, a entidade informa a proibição de mensagens ou slogans políticos nos uniformes das seleções.

Segundo a Saeta, fornecedora responsável pelo uniforme, o uniforme não tinha intenção de transmitir qualquer posicionamento político. A fornecedora explicou que o design foi criado para homenagear o povo haitiano e celebrar a história do país.

"Vários conceitos foram desenvolvidos e refinados ao longo de vários meses e submetidos ao processo padrão de aprovação da Fifa. [O design final] tinha como objetivo ser uma homenagem aos homens e mulheres que contribuem todos os dias para o futuro do Haiti e não pretendia ser uma declaração política", diz trecho de nota da Saeta.

O impasse foi resolvido e o Haiti já está de uniforme novo. A Saeta modificou o design a tempo e a camisa redesenhada já foi usada em sessões recentes de fotos oficiais da Copa do Mundo 2026.

HAITI EM CAMPO

O Haiti, que está no mesmo grupo do Brasil, estreia contra a Escócia, no sábado. Os times se enfrentam às 22h (de Brasília), no Gillette Stadium, em Foxborough.

Brasil e Haiti se encontram na segunda rodada do Grupo C. As equipes duelam no dia 19, sexta-feira, às 21h30, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia.

Esta é a primeira participação do Haiti na Copa do Mundo em 52 anos. O time da América Central não jogava um Mundial desde 1974, na Alemanha Ocidental.