Como crise entre técnico, jogadores e federação derrubou Senegal na Copa
(UOL/FOLHAPRESS) - Senegal se despediu da Copa do Mundo de 2026 após sofrer uma virada histórica da Bélgica por 3 a 2, nesta quarta-feira (1º), em Seattle. Além do resultado e dos erros dentro de campo, a seleção africana encarou diferentes problemas nos bastidores ao longo da campanha, em crise que envolveu jogadores, técnico e federação.
TÉCNICO SEM CONTRATO
Uma crise institucional se arrastou por semanas na seleção senegalesa. Os principais problemas enfrentados ao longo da campanha foram salários e bônus atrasados pela federação, treinador sem contrato e questões de infraestrutura.
O técnico Pape Thiaw chegou à Copa sem vínculo com a federação, com o contrato expirado e não renovado até então. De acordo com a imprensa do país africana, o treinador ainda estava com salários atrasados por vários meses.
A situação entre federação e técnico só foi ser destravada graças a uma intervenção do presidente de Senegal, Bassirou Diomaye Faye, e do Ministério do Esporte. A assinatura do novo contrato aconteceu com a delegação já nos Estados Unidos, e a confirmação veio antes do jogo contra a Noruega, já pela segunda rodada da fase de grupos (derrota por 3 a 2).
"Sim, a questão (contratual) foi resolvida. Demorou um pouco demais, mas não era uma questão de dinheiro. Eram princípio e respeito", disse Thiaw, técnico de Senegal, durante a Copa.
ATRASOS NOS PAGAMENTOS
Os jogadores reclamaram de atrasos no pagamento de salários e bônus pela classificação à Copa do Mundo. Além disso, a federação ainda deve o dinheiro pelo vice-campeonato da Copa Africana, competição que terminou com título de Marrocos meses depois do apito final, em decisão polêmica nos bastidores.
"Não precisamos lavar roupa aqui. Temos um grupo profissional, estamos aqui para representar o nosso país, e é o que viemos fazer. Queremos fazer o que pudermos e deixamos os escândalos para lá", disse Mory Diaw, goleiro de Senegal.
Além de toda a questão financeira, Senegal também encarou problemas de infraestrutura na preparação para a Copa. De acordo com o Sport News Africa, os jogadores reclamaram da alimentação durante a hospedagem em Nova Jersey e parte deles teria pedido comida por aplicativos de entrega. A federação usou a saída da chef de cozinha, que deixou a delegação por motivos pessoais, como justificativa.
Apesar de todos os problemas extracampo, o discurso oficial de elenco e comissão técnica foi de que a crise não afetaria o desempenho dentro de campo. O início de Copa, no entanto, com derrotas para França (por 3 a 1) e Noruega, trouxeram dúvidas em relação ao discurso.
OS ERROS DENTRO DE CAMPO
Senegal vencia por 2 a 0 quando, em quatro minutos, na reta final do jogo, cedeu o empate para a Bélgica. O confronto foi para a prorrogação e o empate persistiu até os acréscimos do segundo tempo, quando Camara cometeu pênalti em Tielemans. O próprio jogador belga converteu a penalidade e definiu a virada.
O técnico Pape Thiaw foi fortemente criticado pela imprensa senegalesa. As substituições de Pape Gueye, Ndiaye e Diarra deixaram a seleção sem as suas principais armas ofensivas, e o time acabou recuando em campo até sofrer o empate. Na prorrogação, Thiaw também tirou de campo Sadio Mané e Idrissa Gueye em trocas também polêmicas.
"Voltarei para dizer algumas palavras sobre a eliminação, mas anuncio hoje que, enquanto esta comissão técnica permanecer, farei uma pausa na seleção", falou Pape Gueye, meia de Senegal.
A declaração de Pape Gueye após o adeus à Copa é apenas mais um capítulo na crise de Senegal. O jogador entrou em conflito direto com o técnico Pape Thiaw, que justificou a substituição do meia por questões físicas. O jogador Camara, que entrou no lugar, foi o responsável pelo pênalti que eliminou a seleção.
"Eu estava bem. Fisicamente, eu estava bem. É a decisão do treinador, é preciso respeitá-la", disse Gueye.
A campanha já vinha se desenhando para uma eliminação na Copa do Mundo antes mesmo do jogo contra a Bélgica. Os Leões de Teranga avançaram com o pior desempenho dentre os terceiros colocados e tiveram a pior estreia do país em uma edição de Mundial: duas derrotas.