Com Copa, comércios de brasileiros em NY têm maior lucro desde que abriram
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Comerciantes brasileiros com lojas de produtos nacionais estabelecidas em Manhattan, em Nova York, relatam que esta Copa do Mundo lhes deu o maior lucro da história de seus negócios. Eles vivem um misto de felicidade e cansaço.
"Nós comerciantes somos assim: quando vemos que vem um boom de compras, a gente celebra um pouco, mas logo já se preocupa", brinca a baiana Marcela Ferreira, proprietária da Búzios, que se autointitula a loja brasileira mais antiga dos Estados Unidos e está localizada na rua 45, no emaranhado do que até há poucos anos era conhecido como a Little Brazil, com diversos comércios do país.
É preciso preparar com cuidado o estoque e a divulgação dos produtos. Ferreira diz que o seu faturamento dobrou na primeira semana do mundial, que contou com a estreia do Brasil justamente na Região Metropolitana de Nova York, no MetLife Stadium. E não só: esse foi seu maior faturamento desde que é dona da loja, há 20 anos.
Mais ao norte de Manhattan, no Upper East Side, está o Brazilian Market NYC, loja com proposta semelhante e um café com comidas prontas brasileiras. O estabelecimento está ali há três anos e também teve nesta Copa o seu maior faturamento. Uma funcionária descreve à Folha que a loja já não tinha mais onde estocar produtos, e que tudo foi vendido na primeira semana.
A busca por serviços oferecidos por brasileiros também cresceu. Um dos salões de beleza brasileiros mais antigos e conhecidos da cidade de Nova York, o Maria Bonita Salon, na região do Soho, também observou aumento da demanda. O estabelecimento diz que cresceu seu faturamento em 35% desde o início da Copa do Mundo.
As lojas brasileiras em Manhattan vendem de tudo um pouco que remete ao Brasil no imaginário do estrangeiro e também do brasileiro que vive no exterior.
Além das camisetas da seleção e das bandeiras grandes e pequenas do Brasil para a Copa, há rotineiramente os chinelos Havaianas, biquínis, "kit feijoada" (com a carne já cortada para ser apenas misturada ao feijão), pão de queijo, coxinha, produtos de beleza, café, requeijão.
Na loja de Ferreira, diz ela, o público é uma mistura de brasileiros e gringos, e não é possível dizer quem frequenta mais o estabelecimento. E a reportagem atesta: em cerca de 1 hora na loja, seis pessoas ou grupos bem distintos entre si entraram para comprar produtos.
Havia desde uma família de haitianos que já viveu no Brasil e queria as roupas com as cores do país, passando por um brasileiro que comprava requeijão para fazer um empadão para o namorado gringo que nunca comeu o produto, até um americano que morou por dez anos no Brasil e foi buscar produtos pelos quais se apegou, em especial o... Engov.
"Essa misturinha aqui é única", brinca ele. O produto brasileiro indicado originalmente para tratar dor de cabeça e alergias mas comumente usado contra a ressaca é sucesso entre os gringos.
Ainda que nos EUA se possa encontrar separadamente seus ingredientes, como hidróxido de alumínio, cafeína, ácido acetilsalicílico e maleato de pirilamina, em outras composições, não há uma única pastilha que misture tudo isso. O produto é "bestseller" nas lojas brasileiras.
O pico da demanda ocorreu na quinta e na sexta-feira que antecederam a estreia do Brasil, em um sábado, 13 de junho, no Mundial.
As compras, ainda assim, seguem altas. Muitos turistas brasileiros que viajaram para a Copa saíram de Nova York para a Filadélfia ou Miami, onde a seleção brasileira joga nesta primeira fase. É possível que a seleção retorne a Nova York, a depender de seu desempenho. E então será a vez dos comerciantes brasileiros se prepararem... de novo.