Com ataques encaixotados, vaga na semifinal da Copa é decida no meio de campo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Se o espectador de Noruega x Inglaterra imaginava ver os atacantes Erling Haaland e Harry Kane brilharem, acabou surpreendido por um duelo de meio-campistas na partida deste sábado (11), pelas quartas de final da Copa do Mundo.
De um lado, Odegaard, Berg e Berge. Do outro, Bellingham, Anderson, Eze e Rice. Enquanto as zagas conseguiam esconder bem os centroavantes, eles disputaram cada palmo do meio, cada um com sua característica.
Odegaard foi o jogador que mais conduziu a bola na partida: carregou-aa por 437 metros ao longo do jogo, além de ter dado a assistência para o gol de Schjelderup, em contra-ataque saído de um desarme de Berg.
Berge foi quem mais armou a equipe, com 100 passes certos. Os melhores momentos da equipe nórdica na partida saíram logo depois que o volante conseguiu superar a marcação inglesa e avançar com liberdade.
O mapa de passes da equipe mostra como ele e Odegaard foram o eixo de construção de jogadas da equipe: quanto mais grossa é a linha entre um jogador e outro, maior é a quantidade de toques entre eles.
Haaland, o craque do time, ficou encaixotado entre os zagueiros Guéhi e Stones. Conseguiu vencer algumas disputas no alto, mas nada com grande perigo, finalizando apenas duas vezes. Ficou tão isolado que só conseguiu conduzir a bola por cinco metros durante toda a partida.
A participação do gigante norueguês (1,95 m), responsável pelos dois gols que eliminaram o Brasil da Copa do Mundo nas oitavas, foi tão apagada que ele acabou substituído no segundo tempo da prorrogação, quando o time precisava de um gol para levar a disputa para os pênaltis.
Além da dupla de zaga inglesa, méritos para o volante Elliot Anderson, que a todo tempo cobria a linha de passe para Haaland pelo meio. Anderson também foi o meio-campista que mais conduziu a bola para a Inglaterra (319 m) e liderou a troca de passes da equipe, com 87 certos.
Mas o nome da partida foi Jude Bellingham, o camisa 10 inglês.
Por mais que seja um meio-campista, atua quase como um segundo atacante. É um ponta de lança clássico: além de marcar os dois gols, liderou a equipe em finalizações, com cinco.
O mapa de passes inglês evidencia isso: ele mostra a posição média de cada jogador, além das linhas de toque. Bellingham fica até mais avançado que Kane logo após a intermediária, no campo adversário, ambos quase como uma dupla de meio-campistas, enquanto os pontas aparecem bastante avançados.
Harry Kane, o principal nome do time, chutou menos: três arremates. Também pegou pouquíssimo na bola e acertou só 71% dos passes que tentou.
Com o jogo deste sábado, Bellingham chegou aos mesmos seis gols de Kane nesta Copa do Mundo. Ambos têm uma assistência. Os líderes nesse quesito dentro do elenco inglês são os pontas Saka e Gordon, ambos com três passes para gol.
Bellingham também sobressai pela pontaria. Ele chutou menos que Kane (17 a 22), mas acertou a mesma quantidade de bolas no alvo (11 finalizações certas para ambos).
Com os ataques apagados, o jogo foi marcado pelo equilíbrio.
A Inglaterra passou 49% do tempo com a bola nos pés, contra 42% da Noruega (nos outros 9% do tempo, a bola ficou em disputa). Foram 14 chutes ingleses contra 13 dos nórdicos, que meteram uma bola no travessão no segundo tempo e ainda tiveram um gol anulado pela arbitragem.