Canadense que quebrou perna dançou dias após cirurgia e desabafou em carta
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Ismael Koné, do Canadá, ficou marcado na goleada contra o Qatar por uma fratura na perna esquerda em lance com Assim Madibo, ocorrido ainda na 2ª rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. De lá para cá, o meio-campista voltou a pisar em campo, seguiu com a delegação canadense, desabafou em uma carta e até dançou sem muletas.
A fratura do jogador do Canadá aconteceu no dia 18 de junho, em Vancouver. Na partida contra o Qatar -que terminou 6 a 0 para o Canadá- Koné sofreu uma rasteira de Madibo em um lance que parecia bobo.
Assim que caiu em campo, ele levou a mão à perna esquerda e se assustou com o que viu: uma fratura. Assim que os jogadores perceberam a gravidade da lesão, pediram pelo atendimento e se mostraram chocados com a cena -Madibo terminou expulso após revisão do VAR e foi punido com 5 jogos de gancho.
O meia canadense passou por cirurgia no dia seguinte e publicou um texto nas redes sociais. No pronunciamento, ele disse ter sentido o amor do povo do Canadá e garantiu que se tornaria um auxiliar técnico à beira de campo.
O retorno à delegação da equipe ocorreu dois dias após a cirurgia. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o grupo de jogadores celebrou assim que Koné desceu do carro.
Quase uma semana depois da operação na perna, Koné reencontrou Assim Madibo. O qatari já tinha ido ao vestiário encontrar o canadense após a lesão.
No mesmo dia, ele esteve presente em Suíça x Canadá, jogo que classificou os anfitriões ao mata-mata da Copa pela primeira vez na história. De cadeira de rodas, o meia foi ao campo antes da partida e acabou muito aplaudido pela torcida presente em Vancouver.
Depois da lesão, Koné seguiu com a delegação canadense e também esteve presente no jogo contra a África do Sul, que terminou com vitória e classificação do Canadá às oitavas. Já no vestiário, o meia viralizou em um vídeo comemorando de pé e dançando sem muletas menos de dez dias após sua cirurgia.
A última partida que Koné acompanhou foi a eliminação do Canadá para Marrocos, nas oitavas de final. Um dia antes da derrota para os africanos, ele escreveu uma carta ao "The Players' Tribune" desabafando sobre a lesão e sobre o fato de ter ficado fora do Mundial disputado em seu país.
"Foi uma das primeiras coisas que me passou pela cabeça quando eu estava deitado no campo em Vancouver, com a perna quebrada. Eu só pensava: 'Agora não'. Sabe o que eu quero dizer? Tipo, eu não estava preocupado comigo. Ninguém precisa se preocupar comigo. Vou fazer minha reabilitação e voltarei melhor do que nunca. Isso eu sabia antes de me colocarem na maca. Mas a coisa que eu não conseguia parar de pensar era em como eu estava decepcionado por não poder mais ajudar nossa equipe em campo, enquanto estávamos juntos nessa missão. O futebol canadense vinha crescendo, crescendo e crescendo, e agora finalmente chegou. E aí acontece isso? Ganhando de 3 a 0, o BC Place vibrando, faltando 40 minutos para nossa primeira vitória na Copa do Mundo? E agora eu ouço o estádio inteiro ficar em silêncio, 50 mil torcedores", diz trecho da carta de Koné ao The Players' Tribune.
Desde a queda canadense, o meia tem focado em sua recuperação. Ainda sem prazo para voltar a jogar, Koné deve passar mais alguns meses afastado dos gramados.
FUGA DE GUERRA E REVIRAVOLTA ANTES DA COPA
Muito antes de ter os holofotes com a lesão no Mundial, Koné teve que superar algumas barreiras em sua vida. Nascido na Costa do Marfim, ele teve que fugir do país quando tinha apenas 7 anos de idade devido à guerra civil -então criança, chegou a Montreal em 2010, acompanhado de sua mãe.
No Canadá, foi onde teve os primeiros contatos com o futebol. No entanto, diferente da maioria, o atleta não teve uma formação em uma academia ou na base de um clube.
Ainda assim, com apenas 20 anos, esteve presente no grupo que disputou a Copa do Mundo de 2022 -pouco mais de um ano antes, ele nem disputava futebol a nível profissional.
A ida para a MLS, liga profissional dos EUA, veio apenas em agosto de 2021, depois que ele saiu do Saint-Laurent, clube semi-amador. Depois de chamar atenção no Mundial do Qatar, Koné rumou para a Europa e somou passagens por Watford, Olympique de Marselha e Rennes antes de chegar ao Sassuolo, da Itália, seu atual clube.