Brasil tenta mostrar uma identidade vencedora em jogo contra a Escócia
MIAMI, EUA (FOLHAPRESS) - Criticado pelo fato de a seleção brasileira não ter uma identidade clara sob seu comando, Carlo Ancelotti passou a adotar uma resposta sagaz: o time não tem um perfil definido porque ele não quer. Enquanto tateia as possibilidades, lida com lesões e tenta achar uma alternativa confiável, o técnico abraça a ideia de uma equipe multifacetada, com numerosas opções táticas.
"O Brasil tem várias identidades. Quero que ela faça muitas coisas: defender com bloco baixo, aproveitar a qualidade dos jogadores, ser agressiva na frente Você não deve esperar uma identidade clara porque eu não quero uma identidade clara", disse.
A frase não esconde o fato de que essas facetas ainda não estão bem desenvolvidas. Trata-se de algo compreensível em um trabalho que tem pouco mais de um ano, porém o torneio exige soluções rápidas. E a ideia no confronto com a Escócia, nesta quarta-feira (24), é exibir uma solidez maior a caminho do mata-mata.
"Queremos melhorar contra a Escócia, ganhar o jogo e, se possível, garantir a primeira posição", afirmou o técnico, que terá de abraçar um estilo camaleônico. Sem o lesionado Raphinha, precisará de uma alternativa no ataque.
Na estreia, um sofrido empate por 1 a 1 com Marrocos, o Brasil atuou com um centroavante típico, Igor Thiago, que não funcionou. Na sequência, na vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, deu certo a entrada de um jogador mais móvel, Matheus Cunha.
Agora, é provável que não haja maiores mudanças de estrutura, mas se faz necessária uma adaptação. Quando Raphinha sentiu a lesão, Ancelotti acionou o jovem Rayan, sobretudo por sua capacidade de receber a bola nas costas da adiantada defesa do Haiti. A expectativa é que a Escócia atue de maneira bem mais fechada, com a zaga dentro da área, o que faz do driblador Luiz Henrique o favorito para a vaga. Também se candidatam Gabriel Martinelli, Endrick e Igor Thiago.
Já Neymar, finalmente à disposição, ainda não tem capacidade de atuar desde o início. O atacante de 34 anos, que se apresentou ao grupo com uma lesão na panturrilha direita, foi integrado ao grupo apenas na última segunda-feira (22) e será opção no banco.
No Grupo C, a equipe verde-amarela tem quatro pontos, mesmo número que Marrocos, e leva vantagem de dois gols no saldo. A formação marroquina fechará sua participação na primeira fase também na quarta-feira, às 19h, contra o eliminado Haiti.
Se avançar ao mata-mata na liderança, o Brasil enfrentará o segundo colocado do Grupo F -Holanda, Japão ou Suécia. Se ficar em segundo, pegará o líder do próprio Grupo F.
Mas, mais do que fugir de um confronto mais complicado, ficar em primeiro importa por uma questão logística. Com a ponta de sua chave, a seleção permaneceria nos Estados Unidos, manteria sua base de hospedagem e treinamentos em Nova Jersey e iniciaria a segunda fase em Houston. Em segundo lugar, teria de ir ao México e jogar em Monterrey.
O obstáculo no caminho é uma equipe que bateu o Haiti por 1 a 0 e perdeu para Marrocos pelo mesmo placar. A Escócia busca sobreviver à fase de grupos da Copa pela primeira vez em sua história e, tudo indica, terá um comportamento defensivo. Um empate quase certamente assegura sua classificação e mesmo uma derrota por diferença pequena pode lhe ser suficiente.
ESCÓCIA X BRASIL
ESCÓCIA
Gunn; Patterson, Hendry, Hanley e Robertson; Ferguson, Gannon-Doak, Christie, McTominay e McGinn; Adams. Técnico: Steve Clarke
BRASIL
Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá e Matheus Cunha; Luiz Henrique e Vinicius Júnior. Técnico: Carlo Ancelotti
Miami Gardens, quarta-feira (24), às 19h
Transmissão: Globo, SBT, Ge TV (Globoplay), SporTV, CazéTV e NSports