Brasil luta contra jejum duplo e goleador norueguês para ir às quartas da Copa
EAST RUTHERFORD, EUA (FOLHAPRESS) - O Brasil busca na tarde deste domingo (5) uma vitória que nunca conseguiu e um feito que não alcança há um bom tempo. Para avançar às quartas de final da Copa do Mundo, precisa derrotar a Noruega pela primeira vez em toda a história e superar uma barreira que tem sido intransponível desde a conquista do penta.
Depois de ter levado a melhor sobre a Alemanha na decisão de 2002, a equipe verde-amarela perdeu todos os confrontos de mata-mata que teve com formações europeias no Mundial. Foi dominada pela França em 2006, eliminada pela Holanda em 2010, constrangida pela Alemanha em 2014, batida pela Bélgica em 2018 e castigada pela Croácia em 2022.
Agora, tentará quebrar a sequência diante da única seleção sobre a qual nunca triunfou. São quatro duelos até aqui, com dois empates e duas vitórias norueguesas. O único embate realizado em uma Copa ocorreu na fase de grupos de 1998: Bebeto abriu o placar; Tore André Flo e Kjetil Rekdal, de pênalti, viraram no finalzinho, 2 a 1.
O jogo marcado para o MetLife Stadium, em East Rutherford, nos arredores de Nova York, terá maiores consequências. Há 28 anos, os dois times se classificaram às oitavas de final -a Noruega parou nessa fase, derrubada pela Itália, e o Brasil foi vice-campeão. Desta vez, a disputa é eliminatória, só um vai passar.
Se sofreu com Flo na França, a seleção brasileira terá pela frente no encontro de 2026, nos Estados Unidos, um centroavante mais perigoso. Erling Haaland, 25, é um dos grandes atacantes do planeta, desde 2022 figura importante do vitorioso Manchester City. Na equipe nacional, marcou impressionantes 60 gols em 53 participações.
"Haaland é um dos melhores jogadores do mundo", afirmou à Folha o comandante do Brasil, Carlo Ancelotti, que, como técnico do Napoli e do Real Madrid, teve oito partidas contra ele e viu de perto cinco gols do artilheiro. "Mas nossa preparação não está focada apenas no Haaland. A seleção norueguesa tem boa estratégia, um treinador experiente."
Esse treinador é Stale Solbakken, 58, que conseguiu levar a equipe nórdica à Copa pela primeira vez desde 1998. A Noruega liderou o Grupo I das Eliminatórias da Europa, deixando a Itália em segundo e jogando-a para o fracasso na repescagem. No Mundial, bateu o Iraque por 4 a 1, superou Senegal por 3 a 2 e, com os reservas, levou 4 a 1 da França. No mata-mata, fez 2 a 1 na Costa do Marfim.
Já o Brasil, após uma estreia ruim, com atuação fraca e empate por 1 a 1 com Marrocos, teve tranquilos triunfos sobre Haiti e Escócia, ambos por 3 a 0, e suou para eliminar o Japão, de virada, um 2 a 1 definido aos 50 minutos do segundo tempo com um chute preciso de Martinelli. Agora, precisará fazer ajustes.
Lucas Paquetá deixou o gramado na segunda-feira (29) com uma lesão na coxa esquerda e está fora das oitavas. Ancelotti não tem nenhum jogador no grupo com características similares às do meio-campista e buscará adaptações. A mais provável é a entrada de Martinelli, um atacante que teria funções de armação, mas também são candidatos o volante Danilo Santos e o atacante Endrick.
Como tem feito em toda a Copa, Ancelotti preferiu não dar maiores pistas sobre sua escolha. Limitou-se a elogiar o adversário, "uma equipe muito bem organizada na linha defensiva". "O treinador deles está trabalhando muito bem esse aspecto. É também um time muito forte na bola parada, tem jogadores com bom preparo físico", declarou.
Já Solbakken anunciou, em afetação jocosa, o esquema que adotará em East Rutherford: "Vamos jogar no 7-3-0". Em tom mais sério, apontou que "o Brasil é favorito, mas não como se fosse 9 de 10". "Acho que será um jogo bastante equilibrado, embora, repito, o Brasil seja o favorito, claro", disse o comandante norueguês.
A partida deverá ocorrer sob calor intenso, como tem sido toda a semana na região. A situação é diferente da enfrentada pela seleção brasileira contra o Japão porque, embora a temperatura estivesse também bem elevada em Houston, o NRG Stadium é coberto e climatizado. No MetLife Stadium não é assim.
Os comandados de Ancelotti já jogaram no local contra Marrocos e reclamaram das condições do gramado, considerado duro e seco. Será nele que buscarão a primeira vitória do Brasil sobre a Noruega em todos os tempos. E nele esperam estar também em 19 de julho, data da final da Copa do Mundo, marcada para o mesmo lugar.
Ficha técnica
BRASIL X NORUEGA (Copa do Mundo - oitavas de final)
Data: 5 de julho de 2026 (domingo), às 17h (de Brasília)
Local: NRG Stadium, em East Rutherford (EUA)
Transmissão: Globo, SBT, CazéTV, Ge TV (Globoplay), SporTV e N Sports
Árbitro: Ismail Elfath (EUA)
Assistentes: Corey Parker (EUA) e Kyle Atkins (EUA)
Brasil
Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães, Rayan e Martinelli; Matheus Cunha e Vinicius Junior
Técnico: Carlo Ancelotti
Noruega
Nyland; Pedersen, Ajer, Heggem e Moller Wolfe; Berge, Odegaard e Berg; Sorloth, Haaland e Nusa
Técnico: Stale Solbakken
Arte HTML5/Folhagráfico/AFP https://arte.folha.uol.com.br/deltafolha/2026/comparador-selecoes/?stat=totalGoals&team1=NOR&team2=BRA&view=gutenberg ***