Brasil é mais preciso contra o Haiti, mas ainda chuta pouco; veja análise de dados
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após uma estreia que deixou a desejar, a seleção brasileira melhorou seu desempenho ofensivo na Copa do Mundo na vitória por 3 a 0 contra o Haiti nesta sexta-feira (19), em um jogo marcado pelo grande número de impedimentos.
Embora o Brasil tenha chutado apenas oito vezes ao gol, cinco desses chutes foram no alvo e três resultaram em gol, o que representa uma precisão de chutes de 62,5%.
Segundo dados preliminares da Opta, empresa de estatísticas esportivas, o valor de finalizações é menor do que os 12 chutes a gol contra o Marrocos--que já eram um recorde negativo do Brasil nas últimas três estreias--, mas desta vez a seleção foi mais efetiva, já que a precisão do jogo anterior havia sido de apenas 41,7%.
Canadá e Turquia foram as equipes com mais finalizações em uma partida até agora: 33 e 30. Mas enquanto o Canadá fez 6 a 0 no Qatar, a Turquia não acertou o alvo e perdeu de 2 a 0 para a Austrália.
O Brasil tem o mesmo número de finalizações que o Uzbequistão na partida contra a Colômbia, o México na partida contra a Coreia e Gana na partida contra o Panamá.
A seleção brasileira dominou o jogo no primeiro tempo, quando o Haiti não conseguiu finalizar nenhuma vez, e conseguiu garantir ampla vantagem. No segundo tempo, a seleção baixou a guarda e os haitianos chutaram sete vezes ao gol, sendo três no alvo, mas não converteram.
A partida foi marcada por muitos impedimentos: foram 12, sendo oito do Brasil e quatro do Haiti. Um dos lances anulados foi o gol marcado por Endrick, que entrou no segundo tempo após clamor da torcida brasileira. Somados, os outros três jogos disputados pelo Grupo C tiveram apenas seis impedimentos.
Compare o desempenho de todas as seleções Com três cartões amarelos distribuídos para jogadores do Haiti e um para o brasileiro Douglas Santos, o jogo terminou com 28 faltas no total, sendo 15 cometidas pelo Haiti e 13 pela seleção brasileira.
Na primeira rodada, o Haiti foi a seleção com mais faltas, com 23 na estreia contra a Escócia, que ficou em segundo lugar na mesma partida com 21 infrações. Após a derrota para o Brasil, a seleção haitiana é a primeira a ser eliminada da Copa do Mundo.
Os dados da Opta foram coletados nesta sexta (19), às 23h40. Possíveis alterações podem ocorrer com atualizações da plataforma no pós-jogo.
Pouca presença no campo de ataque
O volume e a precisão de passes foram muito parecidos ao jogo anterior da seleção, com 88% de acerto. As trocas também continuaram muito concentradas logo atrás do meio de campo, com os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães.
Assim, o mapa de calor do jogo fica aquecido na posição em que a dupla de zaga ocupa, como aconteceu no duelo contra Marrocos. À frente do meio de campo, só há uma mancha mais quente, à esquerda, onde Vinicius Jr. joga.
O Brasil mais marca no campo de ataque do que toca a bola. A marcação em pressão é praticamente a única maneira de criar oportunidades, o que dificulta manter o controle da partida. O time tem pouco volume perto do gol adversário, como mostra o mapa de calor abaixo.
Longe da área adversária e muito dependente dos lançamentos, a seleção finalizou pouco, mas com alta precisão.
O único gol de jogada construída foi o terceiro, com o lançamento de Paquetá vindo do campo de defesa para Vini aproveitar o espaço dado pela avançada linha de marcadores caribenha.
Assim, o Brasil não tem nenhum jogador no top 10 de chances criadas mesmo tendo uma partida a mais que a maioria das equipes até aqui.
Depois do jogo desta sexta, Marquinhos e Gabriel Magalhães entraram no top 10 de passes certos.
Matheus Cunha flutua
O atacante ficou solto no campo de ataque, sem posição fixa. A cada jogada, Cunha se aproximava de um dos lados do campo para tentar construir jogadas com os laterais ou com Paquetá.
A comparação de estatísticas entre Cunha e Vinicius mostra que, menos jogando por menos tempo nos últimos dois jogos, Matheus fez mais desarmes e ganhou mais duelos do que o ponta.
O camisa 9 tem mais obrigações defensivas justamente por comandar essa marcação em pressão no meio.
Rayan tímido
O ponta direita entrou no lugar de Raphinha ainda na primeiro etapa, mas mesmo jogando por mais tempo, teve menos volume de jogo. Normal para um jogador tão jovem: ele é o mais novo a jogar uma Copa do Mundo pelo Brasil desde Tostão em 1966.