Bélgica recorre e contesta Fifa por liberação de Balogun contra os EUA
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Bélgica entrou com recurso na Fifa para contestar a liberação de Folarin Balogun, atacante dos Estados Unidos, para o jogo das oitavas de final da Copa do Mundo.
O QUE ACONTECEU
Recurso foi apresentado a menos de 24 horas do duelo entre Bélgica e EUA, marcado para esta segunda-feira (6), em Seattle. Em nota, a federação belga afirmou não ter recebido da Fifa a decisão detalhada que suspendeu a punição de um jogo aplicada a Balogun após a expulsão contra a Bósnia e Herzegovina.
Entidade belga diz que só soube da mudança pela imprensa e pediu explicações formais sobre o procedimento. A Federação Belga de Futebol (RBFA) declarou que não viu alternativa a não ser agir.
"Até o momento, a RBFA ainda não recebeu uma decisão ou qualquer explicação da Fifa sobre o assunto. Portanto, vê-se obrigada a contestar formalmente a elegibilidade do jogador em questão para a próxima partida", afirma nota.
Fifa tratou a carta pedindo esclarecimentos como se fosse um recurso e impôs prazo curto, diz federação. "Como única resposta, a RBFA recebeu uma carta da Fifa informando que essa correspondência havia sido considerada um recurso, que um juiz já havia sido designado para analisá-lo e que a RBFA dispunha de apenas algumas horas para complementar esse recurso".
A Federação belga sustenta que, pelas regras da própria Fifa, um recurso só seria aceito após o envio da decisão fundamentada ao interessado. "A Fifa transformou esse pedido em um recurso e, em seguida, informou imediatamente que esse recurso seria declarado inadmissível", afirmou a entidade.
Processo corre contra o relógio e pode ter decisão antes do jogo, mas a Bélgica diz não ter garantias de que isso vai ocorrer. A Federação disse estar preocupada com a forma como o caso foi conduzido.
Segundo apurou o UOL, a tendência é que a entidade julgue o recurso ainda nesta segunda-feira. Bélgica e EUA entram em campo às 21h (de Brasília).
ENTENDA O CASO
O caso envolve o cartão vermelho do atacante Balogun, dos EUA. Com três gols na Copa, o camisa 20 foi expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, na segunda fase do torneio, contra a Bósnia.
Claus tomou decisão após ser chamado pelo VAR. A arbitragem viu um pisão de Balogun em um jogador adversário e considerou que cartão vermelho deveria ser aplicado.
A Fifa suspendeu a punição automática de um jogo, o que o deixa apto a atuar. A entidade havia aplicado a sanção e, depois, suspendeu sua execução, o que abriu espaço para a contestação belga.
O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, disse que a federação tenta proteger a credibilidade do torneio. "A Federação Belga não está apenas defendendo a si mesma ou a seleção nacional; está defendendo o futebol como um todo sua integridade e sua ética", afirmou em entrevista coletiva.
Garcia também ironizou a reviravolta e disse que vai se concentrar no jogo. "Pelo que me lembro, acho que esta é a primeira vez na história da Copa do Mundo que uma decisão como essa é tomada. De qualquer forma, eu sou o treinador, então vou me concentrar na minha equipe e na partida", completou.
Donald Trump telefonou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir revisão da suspensão. A informação foi publicada inicialmente pelo New York Times e confirmada pelo UOL.