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Argentinos se despedem de Messi com palmas e lágrimas após derrota na final da Copa

por Folhapress
Publicado em 19/07/2026 às 20:20
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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Os torcedores argentinos esperaram até os últimos minutos, mas, neste domingo (19), a reação contra a Espanha ao final da partida não veio.

Grande parte das comemorações daqueles que assistiam à final da Copa do Mundo em uma praça em Palermo, em Buenos Aires, foi pela performance do goleiro Dibu Martínez, que fez diversas defesas até que a Espanha colocou a bola na rede, na prorrogação. O jogo terminou em 1 a 0.

O domingo amanheceu cinza, com sensação térmica de 5°C e aquele tipo de garoa que ameaçava se estender até a noite. Antes do jogo, porém, a chuva deu uma trégua aos torcedores.

Milhares deles aproveitaram e se reuniram no espaço com telões promovido pela Fifa (Federação Internacional de Futebol), na Praça Intendente Seeber, para se despedir do torneio após semanas de estresse e celebração.

Assim como ocorre no Brasil em tempos de Copa, o país parou para assistir à seleção. Estudantes e servidores públicos foram liberados nos horários dos jogos por autoridades locais, e vizinhos chegaram a se agredir fisicamente após uma briga por causa da comemoração antecipada de um deles, que contava com uma transmissão mais rápida pela internet.

Os últimos jogos angustiaram os torcedores, mas, diferentemente deste, deram como recompensa vitórias de virada.

Os místicos creditarão a boa campanha da seleção argentina, que perdeu pela última vez em Copas do Mundo na fase de grupos em 2022, às cábalas, as superstições dos torcedores.

A de Alejandro Lepi, 45, era justamente ir à Fan Fest no último jogo, como fez em 2022, quando Argentina saiu com a taça.

"Temos um montão de cábalas", afirmou. Outra era vestir sempre a mesma camiseta da seleção, mesmo suja. "A minha camisa está com manchas de molho de tomate por causa do almoço. Eu também não fiz a barba durante toda a Copa."

Ele falou com a Folha de bom grado, já que, na final de 2022, também apareceu em um jornal no dia em que viu seu país ser tricampeão.

A cábala do presidente Javier Milei é assistir aos jogos de Olivos, a casa presidencial ---motivo pelo qual o ultraliberal não viajou aos Estados Unidos, onde a partida foi disputada, para ver os jogadores de perto. Neste domingo, ao menos não suou por usar a jaqueta da YPF, a petrolífera estatal do país, durante o jogo.

"A única vez que tirei foi quando sofremos um gol, então nunca mais tirei", afirmou a uma rádio na quarta-feira (15).

A Copa foi um raro momento de união no país, que, assim como seus vizinhos, enfrenta uma polarização política que respinga em todas as esferas da vida.

O ponto alto dessa harmonia foi o jogo contra a Inglaterra, adversário histórico da Argentina devido à Guerra das Malvinas, uma ferida aberta desde a década de 1980.

Para muitos, a partida era mais importante até do que a final, embora a melancolia que tomou conta da cidade após a derrota mostre a importância da taça para os argentinos.

"Estamos orgulhosos da nossa seleção", afirmou, com a voz embargada, o padeiro David Rodríguez, abraçado a sua esposa e seu filho. "Queríamos representar a América, e a representamos bem."