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Argentinos comemoram nova vingança pela Guerra das Malvinas

por Folhapress
Publicado em 15/07/2026 às 21:58
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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - "Te convido para o meu quarto infarto", dizia a publicação que circulou nas redes sociais de argentinos que queriam fazer piada com o jogo desta quarta-feira (15), vencido pela seleção de Messi por 2 a 1 sobre a Inglaterra.

A brincadeira faz referência ao sofrimento que virou regra nos jogos dos sul-americanos nesta Copa do Mundo -e que se repetiu contra a Inglaterra, adversário histórico do país.

Agora, uma nova geração tem a sua própria vingança contra a Guerra das Malvinas, conflito entre Argentina e Inglaterra que antecedeu a famosa partida entre os dois países na Copa do México, há 40 anos.

Na tarde desta quarta, as ruas silenciaram em Buenos Aires -todos já estavam posicionados para ver o que, segundo a imprensa local, seria "a partida que marcará uma geração".

A regra dos torcedores era não mudar o que já vinha dando certo -a última derrota da seleção sul-americana foi na Copa de 2022, da qual saiu vitoriosa por fim. No torneio deste ano, segue invicta na busca pela quarta estrela, ainda que a duras penas.

Dois dos últimos três jogos antes da semifinal foram ganhos de virada, e o último, contra a Suíça, ficou ameaçado com um gol de empate dos europeus na metade do segundo tempo. Nesta quarta-feira, não foi diferente, com gol de Enzo Fernandez no segundo tempo e de Lautaro Martínez já nos acréscimos, para finalizar a partida em 2 a 1.

"Minha 'cábala' é ver o jogo sempre de casa e, em dado momento, sair para dar uma volta com o cachorro", conta a comerciante María de los Ángeles, 52, referindo-se às superstições de futebol na Argentina.

Nesta quarta, ela foi a um bar de futebol no bairro Recoleta, em Buenos Aires, que não esteve tão lotado em nenhum dos últimos três jogos da seleção.

"El que no salta es un inglés", ouvia-se frequentemente na rua, fechada pelos torcedores pulando juntos.

Mesmo fora de casa, María achou um jeito de não quebrar a sua tradição. "Hoje vou assistir de dentro de um carro e depois sair para caminhar", afirmou. "Eu perco todos os gols, só vejo depois. Fico muito nervosa."

As "cábalas" são coisa séria no país -ainda mais contra seu maior adversário, a Inglaterra.

"Se ganhamos essa partida, já ganhamos a Copa. Não importa contra a Espanha. Somos irmãos", disse ela, sobre a final no domingo (19).

Deu certo. A vitória no clássico era o que faltava para a carreira de Lionel Messi, dono de um ouro olímpico, oito bolas de ouro e uma Copa do Mundo.

O primeiro tempo foi pegado, com muitas faltas e provocações, cumpriu a expectativa de uma batalha em campo. O segundo não foi diferente, mas o cenário foi outro após o gol de Anthony Gordon, no início da segunda etapa, com a Argentina pressionando a recuada Inglaterra até conseguir a virada.

A crença no sobrenatural alcança também a própria seleção argentina, que pediu autorização da Fifa (Federação Internacional de Futebol) para jogar com seu uniforme alternativo, o azul-escuro, para tentar repetir o desempenho de 40 anos atrás -quando a partida também terminou em 2 a 1 para os sul-americanos.

Todo o resto do país se preparou para o jogo. Nos últimos dias, diversos estabelecimentos baniram produtos que façam referência à Inglaterra

"Devido à partida Argentina x Inglaterra da próxima quarta, 15 de junho, ficam temporariamente suspensos os nomes em inglês de nossas sobremesas", avisou em suas redes sociais a doceria Ruichi. E, assim, brownie de frutas vermelhas virou "marroncito de frutos rojos", e cheesecake virou "pastel de queso".

Já a loja de brinquedos El Mundo del Juguete anunciou que suspenderia, até novo aviso, a comercialização do quebra-cabeça da ponte de Londres em todos os seus canais de venda. "Informamos que o produto ficará sob custódia no freezer do El Mundo del Juguete", afirmou a loja em suas redes. "O motivo não exige maiores explicações... vocês já sabem."

Até a Uber da Argentina aderiu ao afirmar que, nesta quarta, não seria possível viajar dentro do território a destinos que incluíssem as palavras "inglês, britânico ou similares" -e depois precisou se explicar. "A publicação tinha a intenção de ser engraçada; o social media se empolgou", esclareceu a marca. "Não haverá restrições no aplicativo amanhã."