Argentina é a primeira equipe a não finalizar no tempo normal de uma final de Copa do Mundo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Argentina é a primeira equipe a não finalizar nenhuma vez no tempo normal de uma final de Copa do Mundo, segundo dados do Sofascore.
Antes do recorde negativo na partida contra a Espanha, neste domingo (19), a pior marca era dos próprios argentinos, que finalizaram apenas uma vez na final de 1990, vencida por 1 a 0 pela Alemanha.
Preocupada com o envolvente toque de bola espanhol, a Alviceleste jogou completamente recuada, esperando erros para contra-atacar, sem sucesso algum.
A equipe foi tão defensiva que, no primeiro tempo, cometeu mais faltas (9) do que acertou passes no último terço do campo (7) --o trecho mais próximo do gol adversário.
O primeiro chute argentino saiu apenas aos 116 minutos, na prorrogação: arremate de Messi bloqueado. O segundo saiu aos 121min, de Giuliano Simeone. Nenhum dos dois acertou o gol. Assim, os argentinos terminaram o jogo com apenas duas finalizações, ante 20 da Espanha.
Foi o único jogo desta Copa em que um time não finalizou nos 90 minutos. Além disso, houve apenas outros quatro jogos nesta edição em que só um lado finalizou durante o primeiro tempo, todos na fase de grupos:
- Brasil x Haiti: No primeiro tempo, só o Brasil finalizou, com seis tentativas
- Nova Zelândia x Bélgica: Só a Belgica finalizou no primeiro tempo, com 16 chutes
- Gana x Panamá: No primeiro tempo, só o Panamá finalizou, três vezes
- Inglaterra x Gana: No primeiro tempo, só a Inglaterra finalizou, com seis chutes
Os argentinos tiveram tanta dificuldade para jogar que o goleiro Dibu Martínez foi quem mais passou a bola (53 toques, 18 a mais do que Messi, com 35).
Enquanto isso, a Espanha tocou a bola quase o dobro de vezes (852) que os adversários (463), acumulando 65% da posse de bola na partida.
A final de 2026 provou que, pelo menos atualmente, o ataque é a melhor defesa. O controle de jogo espanhol fez a equipe tornar-se a campeã com a melhor defesa da história: sofreu apenas um gol no torneio, superando o recorde de dois gols sofridos dividido por França (1998), Itália (2006) e a própria Espanha (2010).
Estratégica, a posse de bola protege tanto o goleiro Unai Simón que ele terminou a Copa com apenas dez defesas. Dibu Martínez fez 11 defesas apenas na final.
Os mapas de calor retratam a diferença de jogo das equipes.
MAPAS DE CALOR
ESPANHA
Mesmo com tanta estabilidade na partida, a Fúria teve dificuldade para marcar o gol da vitória. Deu só três chutes no primeiro tempo, nenhum muito perigoso.
A falta de força ofensiva não foi uma grande surpresa, já que a Espanha tem o ataque menos eficiente entre as quatro primeiras colocadas. Marcou 14 gols no torneio, o mesmo número que a Bélgica, eliminada nas quartas, e só três a mais que a Holanda, eliminada na fase de 32 seleções.
A equipe já havia mostrado dificuldades para finalizar em outras partidas, como contra Cabo Verde, quando empatou por 0 a 0 após chutar 27 vezes.
Neste domingo, os espanhóis insistiram nos cruzamentos para furar a defesa argentina: foram 27 ao longo de toda a partida, com só 5 certos (18,5%). Um deles caiu na cabeça de Nico Williams, que escorou para Ferran Torres --ironicamente, um dos atacantes mais ineficientes do torneio até a final-- marcar seu primeiro gol no Mundial e decidir o título.
Antes do jogo, Ferran só não havia perdido mais chances claras (1,64) do que Michael Olise, da França (2,07 gols perdidos), de acordo com a estatística de gols esperados (xG) da Opta.
Por fim, o jogo coletivo da Espanha sobrepôs qualquer individualidade no que parecia ser a Copa dos craques. Mbappé, Dembelé, Cristiano Ronaldo e Messi passaram em branco contra a Fúria: além de não fazer gols, os principais nomes do torneio não tiveram chances claras de converter.
Nem mesmo a individualidade de Lamine Yamal sobressaiu: o jovem atacante marcou apenas um gol e não deu assistências na Copa. O artilheiro espanhol na campanha foi o pouco badalado Mikel Oyarzabal, com cinco gols marcados. Marc Cucurella e Dani Olmo, com duas assistências, foram os "garçons" do time.
Enquanto a Espanha usou principalmente a posse para se defender, os argentinos usaram as faltas. Das 46 infrações na decisão, 25 foram da Argentina, a segunda maior marca de uma equipe em um jogo de Copas. A primeira é dos próprios hermanos, na final de 2022, contra a França (26).
Os argentinos ainda receberam quatro cartões amarelos e um cartão vermelho durante o jogo, enquanto espanhóis não foram penalizados. Expulso, o argentino Enzo Fernández tornou-se o sexto jogador a receber vermelho em uma final de Copa, o terceiro argentino da lista:
- O argentino Pedro Monzón, em Argentina x Alemanha (1990)
- O argentino Gustavo Dezotti, em Argentina x Alemanha (1990)
- O francês Marcel Desailly, em Brasil x França (1998)
- O francês Zinédine Zidane, em Itália x França (2006)
- O holandês John Heitinga, em Holanda x Espanha (2010)
- O argentino Enzo Fernández, em Espanha x Argentina (2026)