Argentina de Messi vai da calma ao chuveirinho na área após ameaça de queda
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A tranquilidade que marcou o início da trajetória da Argentina na Copa do Mundo de 2026 ficou para trás. Diante do imediatismo e do sufoco das fases eliminatórias, a campeã mundial precisou adotar uma postura mais pragmática e apostar em cruzamentos para aproveitar jogadas aéreas. Sob pressão, a equipe mudou drasticamente seu estilo de jogo para seguir viva na defesa de seu título.
Na primeira fase, o cenário foi de calmaria. Com três vitórias diante de Argélia, Áustria e Jordânia, os argentinos balançaram as redes oito vezes e sofreram apenas um gol, priorizando o toque de bola, sem sofrer resistência dos adversários. O domínio técnico era evidente e se refletia na paciência para construir as jogadas: a equipe registrou uma média de apenas 5 cruzamentos por partida nos três primeiros compromissos.
O panorama mudou por completo a partir da segunda fase, quando o fantasma da eliminação passou a rondar a equipe. No confronto da segunda fase contra Cabo Verde, a Argentina conheceu o sofrimento. Em um duelo tenso, decidido apenas na prorrogação com uma vitória por 3 a 2, as bolas erguidas na área viraram a válvula de escape. Foram 15 cruzamentos ao longo do jogo, sendo nove somente do astro Lionel Messi. O resultado: dois gols argentinos contra os africanos nasceram exatamente pelo alto.
VITÓRIA HISTÓRICA CONTRA O EGITO
A tendência do 'chuveirinho' se consolidou de forma ainda mais agressiva nesta terça-feira (7) nas oitavas de final contra o Egito. Em mais um triunfo dramático, a Argentina abusou do jogo aéreo e realizou 26 cruzamentos. O fundamento foi cirúrgico: os três gols da vitória argentina na partida foram construídos a partir de jogadas pelo alto dois concluídos de cabeça e outro marcado por Messi aproveitando a sequência do lance na área.
"Foi um daqueles testes que deixam uma marca. A dimensão dos acontecimentos se compara a tantas coisas que já vivenciamos, pois este é um time que nunca para de seguir em frente -- é disso que o futebol é feito. Tática e estratégia são importantes, mas, sem a qualidade que demonstramos hoje, teríamos sido eliminados", disse Lionel Scaloni, técnico da Argentina.
Essa transformação da equipe passa diretamente pelos pés de Lionel Messi. O camisa 10 teve seu posicionamento modificado para se ajustar ao novo momento. Enquanto na fase de grupos o craque atuou mais centralizado, nos últimos dois jogos eliminatórios ele se deslocou mais para a faixa centro-direita do gramado.
A mudança geográfica no campo tem relação direta com a aposta dos campeões mundiais: o craque continuou como o grande criador do time, mas por meio da bola aérea, sendo responsável por 12 dos 26 cruzamentos efetuados contra os egípcios.
PRÓXIMO DESAFIO
Em busca do equilíbrio entre as diferentes formas de jogar, a Argentina terá seu próximo teste de fogo no sábado. Pelas quartas de final, a seleção volta a campo às 22h, em Kansas, para enfrentar a Suíça.