Comece hoje pagando a partir de R$5/mês no plano mensal

Arbitragem rouba a cena na reta final da Copa e dá trabalho à Fifa

por Folhapress
Publicado em 08/07/2026 às 10:43
Ouvir matéria

ATLANTA, EUA (UOL/FOLHAPRESS) - Diz a máxima que a melhor arbitragem é a que a passa despercebida. Não é o que está acontecendo na reta final da Copa do Mundo. Depois de uma primeira fase tranquila, no mata-mata as polêmicas têm roubado a cena e vêm dando trabalho à Fifa.

Depois do escândalo do caso Balogun, nesta terça-feira, o protagonismo em relação à arbitragem foi na vitória da Argentina sobre o Egito por 3 a 2. Os egípcios saíram revoltados do estádio com acusações fortes até de manipulação.

Foi o que o atacante Mostafa Ziko disse na saída de campo. "Injusto. Uma injustiça clara e evidente. Ele está desperdiçando o esforço de um país inteiro. Desde o começo da partida, ele está vindo contra nós. Não dá para sairmos assim, vencendo a Argentina por 2 a 0. Torneio direcionado".

"Queríamos fazê-los felizes hoje. Não conseguimos fazer isso, mas, por Deus, não estava em nossas mãos. Estava nas mãos do árbitro. O torneio está manipulado, isso já está evidente. O povo egípcio já está muito feliz com vocês e muito orgulhoso de vocês. Parabéns à Argentina pelo título mundial. Parabéns. Não precisam de mais nada. Acabou", disse.

A principal insatisfação foi com um gol anulado do Egito aos 12 minutos do segundo tempo quando o jogo estava em 1 a 0. O árbitro Francois Letexier anulou o tento após conferir no VAR. Ele interpretou que houve falta no início da jogada de Attia em cima de Lisandro Martínez ao roubar a bola.

O técnico do Egito Hossan Hassan corroborou o discurso do jogador ao afirmar que o árbitro talvez "tivesse algo a esconder".

"Jogamos melhor com a bola. Superamos os atuais campeões em tudo. No entanto, o resultado foi influenciado por fatores internos, dentro do campo também, e antes do jogo. Parece que a seleção argentina exerceu pressão sobre o árbitro. Esse foi o resultado", disse.

A Fifa ainda não se pronunciou sobre a acusação.

Curiosamente, a escolha do francês para apitar o jogo havia gerado críticas por parte da torcida e da imprensa argentina pela rivalidade entre os dois países. O barulho foi tão grande que a entidade máxima se mexeu para evitar polêmicas. Escalou o árbitro argentino Facundo Tello para apitar o confronto entre França e Marrocos pelas oitavas de final, na quinta-feira.

Mas o caso mais emblemático da Copa do Mundo foi envolvendo o atacante dos Estados Unidos Balogun em que a Fifa precisou se posicionar. O árbitro brasileiro Raphael Claus expulsou o jogador no duelo contra a Bósnia por uma solada no tornozelo, após uma revisão do VAR.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interferiu no caso e pediu para a cúpula da Fifa suspender a punição automática de Balogun. O Comitê Disciplinar da Fifa suspendeu a punição, embora tenha mantido o cartão vermelho. Trump ainda chamou o juiz de suspeito.

Depois de atender ao desejo de Trump, a Fifa ficou em uma saia justa e precisou se posicionar a favor do árbitro de seu quadro. "Fifa reconhece Raphael Claus como um dos árbitros líderes do mundo e o valoriza como um membro do time um na Copa do Mundo. Durante sua carreira, ele demonstrou consistentemente ter os maiores padrões de profissionalismo e integridade", disse, em nota.

A Bélgica se classificou, mas ainda não se deu por satisfeita. A Real Federação Belga de Futebol divulgou uma nota nesta terça-feira exigindo transparência.

Diz que "continua acompanhando o caso em andamento na FIFA fora de campo. A RBFA está convencida de que o futebol internacional se beneficia de processos disciplinares e administrativos que respeitem plenamente os princípios de segurança jurídica, transparência, tratamento igualitário e fair play", diz o comunicado.

Uma polêmica na segunda fase também gerou reclamação junto à Fifa. A Croácia ficou muito insatisfeita após o gol de Gvardiol ter sido anulado nos minutos finais do jogo contra Portugal. O time acabou eliminado por Portugal.

O árbitro norueguês Espen Eskas anulou o gol após ter sido informado que a tecnologia do sensor da bola detectou um toque de cabeça de Igor Matanovic, o que configuraria impedimento. A Federação Croata de Futebol enviou um comunicado à Fifa para contestar a decisão.