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Arábia Saudita x Uruguai confronta 'seleção local' com 'legião estrangeira'

por Folhapress
Publicado em 15/06/2026 às 09:03
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MIAMI, EUA (UOL/FOLHAPRESS) - Com alto investimento do governo, a seleção da Arábia Saudita passou a reunir praticamente todos os seus jogadores na liga local, conhecida como Campeonato Saudita.

A longa decadência dos times locais tornou a seleção Uruguai uma verdadeira legião estrangeira em que nenhum dos jogadores atua dentro do país.

Essas duas equipes com realidades distintas se enfrentam na estreia da Copa de 2026, no Estádio de Miami.

No caso do uruguaio, o maior contingente de atletas está jogando no Campeonato Brasileiro. São sete dos 26 do elenco, sendo três deles no Flamengo, Arracaeta, Varela e De La Cruz e dois no Palmeiras, Piquerez e Martinez.

São comandados pelo argentino Marcelo Bielsa, conhecido como El Loco. Ele vai atuar em seu terceiro Mundial como técnico de uma seleção, tendo dirigido a Argentina, em 2002, e o Chile, em 2010. Já está no comando do time há três anos.

A formação no 4-3-3 será mantida, como afirmou Bielsa. Diz ele que nem seria necessário dar a escalação porque os jornalistas já sabiam do mesma fora.

O provável centroavante Darwin Nuñez, por sinal, atua no Al Nassr, da Arábia Saudita. O principal desfalque é Arrascaeta, contundido.

Os uruguaios reconhecem que o desenvolvimento da liga saudita tem um peso no crescimento do rival.

"(Arábia Saudita) Cresceu muito nos últimos anos. Sua liga cresceu. Seus jogadores cresceram. Seus jogadores são de muita hierarquia. Mas nós somos o Uruguai e sabemos o que levamos no peito", afirmou o zagueiro Gimenez.

Bielsa concorda com seu comandado sobre os sauditas terem jogadores de bom nível. "Tem algumas individualidades de peso. Mas também não creio que encontremos rivais acessíveis. Qualquer definição pode acontecer por diferenças no campo", completou Bielsa, olhando para baixo, concentrado, como de hábito.

No caso saudita, o técnico grego, Georgios Donis, assumiu há apenas dois meses sua equipe, depois que a federação demitiu Herve Renard, o técnico do último Mundial.

A escolha de Georgios se explica justamente por ser a Arábia Saudita um time com tantos jogadores em times locais. O grego tem uma carreira marcada por passagens em equipes sauditas durante o período de 10 anos.

"Conheço esses jogadores de atuar contra eles. Mas agora preciso ver como é para encaixar as minhas ideias com eles", analisou Georgios, na entrevista coletiva antes do jogo. Ele teve apenas 12 sessões de treino.

De todo o elenco de 26, apenas Saud Abdulhamid atua fora da Arábia Saudita: joga no francês Lens.

Entre os principais times locais, há sete atletas do Al Hilal, seis do Al Nassr, três do Al Ahli e dois Al Ittihad. Ou seja, 18 jogadores atuam nos quatro principais equipes locais.

Mas há bastante convivência com jogadores internacionais porque o Sauditão foi turbinado nos últimos anos com a entrada de estrelas como Cristiano Ronaldo, Benzema. A própria seleção brasileira tem atletas como Fabinho e Ibañez na liga árabe.

"Com essa melhoria na liga, os jogadores estão mais acostumados a enfrentar esses atletas. Antes, eles enfrentavam. Mas agora se tornou uma rotina", afirmou Georgios.

As duas equipes já se enfrentaram na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, quando o Uruguai venceu por 1 x 0.